PORQUE AS CORES SÃO DIFERENTES?
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Wellington Rehder*
2010-01-31
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Porque as cores mudam?
Todo estudo sobre cores e seu comportamento para
impressão offset, é feito sob condições ideais, as quais não são
encontradas normalmente nas gráficas. Nesse contexto, vamos enumerar
alguns pontos e suas consequências para o impresso, procuramos
palavras simples, com o objectivo de ajudar àqueles que não são
necessariamente profissionais gráficos.
No processo de impressão plano (aquele que se faz
com papéis cortados, folha à folha e não em bobinas), existem
inúmeras variáveis que podem provocar distorções nas cores: tinta,
papel, pressão de transferência, água, temperatura do ambiente,
humidade, fadiga do operador, problemas mecânicos, ganho de ponto,
etc.

A imagem representa o sistema de impressão off-set
- (Fig.1)
1 - O rolo humectante humedece a matriz de
alumínio e os rolos tintadores depositam a tinta somente na área de
Grafismo da matriz.
2 - Através de contacto e pressão, a tinta e parte
da humidade da matriz é transferida para o cauchú que é uma lona
revestida de borracha.
3 - O cauchu transfere a tinta e humidade para o
substrato (que pode ser papel ou outro material) através de pressão
entre a borracha e o cilindro de impressão. Tinta e humidade são
depositados no papel. A imagem é formada por pontos, chamados de
retícula.
PRIMEIRO
MITO: Prova de Prelo representa fielmente as cores que serão
impressas.
SEGUNDO
MITO: Prova digital não representa correctamente as cores.
TERCEIRO
MITO: A tabela PANTONE© é absoluta!
EIS ALGUMAS VARIÁVEIS QUE AFECTAM AS CORES:
Variável - Papel - utilizado para impressão e prova.
Imagine que a prova de prelo ou prova digital, foi
feita em um determinado tipo de papel.
A impressão do trabalho provavelmente será feita com outro lote.
Ainda que seja o mesmo fabricante, ou classificação (offset, couché,
triplex, duplex), esses papéis poderão apresentar diferenças de
tonalidade e brilho, o que altera o resultado das cores, pois o
papel é o “BRANCO” do impresso e nele consiste a base de início das
cores.
Imagine realizar a prova em um papel couché
(branco) e a impressão em um papel polén (amarelado). O resultado
será completamente diferente, o resultado das cores muda até mesmo
entre um couché com brilho e um couché fosco. É muito comum
encontrar papel cartão tipo triplex, de um mesmo fabricante e
especificação com acentuada diferença de tonalidades, em lotes
diferentes. Já encontramos papéis com tonalidades diferentes, dentro
de um mesmo "pacote" lacrado na fábrica.
Portanto, uma prova fiel será obtida somente quando a prova, seja
ela digital ou prelo, for efectuada com base no mesmo papel.
Exactamente aquele que será usado para imprimir o trabalho.
Sabemos que o controle e a viabilidade sobre essa situação é muito
difícil, tendo em vista que as máquinas digitais usam papéis
especiais e não os mesmos que serão usados para produção.
Alguns fabricantes de papéis especiais para provas, conseguem
normalizar sua produção, chamando o seu produto de “papel
calibrado”. Mas, e quanto ao fabricante do papel que será usado para
produção do impresso em offset, ele possui esse controle?
Já para a prova feita com o sistema de prelo tradicional, obtido
através de fotolitos ou chapas, podemos usar o papel comum, o mesmo
que será usando para a impressão, mas esse método está em desuso,
pelo seu alto custo e pelo tempo investido para obtenção das provas.
Variável - Factor de correcção, também conhecido por: Perfil ICC:
Através de softwares específicos e impressoras adequadas é feita uma
“simulação” do resultado da impressão offset. O resultado obtido,
pode ser bem próximo ao resultado da impressão, mas não é
exactamente igual, pois o factor de correcção é uma
simulação.
Essa simulação (esse perfil) utiliza dados de máquinas impressoras
em sua situação IDEAL, ou seja, mecanicamente perfeitas, além disso,
sob condições ideais de temperatura e humidade. Essa situação
dificilmente é encontrada na sala de impressão, na situação real em
que os trabalhos são realizados.
Cada máquina offset produz um resultado. Ao microscópio, o resultado
de cada máquina é individual, tal como, a biometria humana. Cada
máquina produz um “ganho de ponto”, uma distorção da imagem e uma
abertura do papel. Essas diferenças são imperceptíveis aos nossos
olhos, porém, no trabalho final, após a impressão de todas as cores
sobre o papel, podemos perceber facilmente nuances de cores e tons
diferentes entre o mesmo impresso, realizados por máquinas e
gráficas distintas.
Por isso é tão difícil a uma gráfica, “acompanhar” as cores já
impressas por outra, em uma nova edição ou mesmo reimpressão. Nesse
caso, foram alteradas as condições em que o trabalho foi realizado.
Possivelmente pode ser alterado o modelo do equipamento, a marca da
tinta, o lote do papel, entre outros.
Para alguns clientes, essas diferenças são confundidas como falta de
qualidade ou defeito do produto, provocado pelas gráficas que
"tentaram" reproduzir um trabalho, o que demonstramos não ser
exactamente verdade.
Por mais moderna que seja uma gráfica, é um grande desafio
acompanhar o trabalho feito por outra, com extrema exactidão. O
processo offset, não é uma ciência exacta e normalmente não é
exercida por “engenheiros”.
Dessa forma o perfil ICC genérico, mesmo fornecido pelas melhores
empresas, não se aplica com perfeição ao mundo real.
Variável - Tintas
Imagine que a impressora de provas (digital)
possui tinta líquida, fabricada com pigmentos próprios e com
dimensões específicas para aquele tipo de equipamento, em cada uma
das cores. Uma impressora de prova assemelha-se com uma impressora
Epson ou HP, daquelas jacto de tinta, que temos em nossos
escritórios.
Agora, imagine a tinta offset, pastosa, fabricada com outros tipos
de pigmentos. São duas coisas muito diferentes !
Cada fabricante de tinta offset possui seus fornecedores de matéria
prima, com determinado tipo de moagem e determinadas especificações,
para que sua tinta seja ligeiramente melhor ou ao
menos, tenha um diferencial em relação aos demais fabricantes.
Portanto, é de propósito que tintas sejam diferentes entre as marcas
e fabricantes do mercado.
Sendo assim, as tintas não são exactamente iguais.
O CIANO do fabricante "X" é diferente do CIANO do fabricante "Y". E
agora?
Existem fabricantes em que a mesma cor sofre pequenas distorções, em
lotes diferentes. A “culpada” , segundo os fabricantes, é a matéria
prima usada na fabricação das tintas.
Voltando a questão das tintas de impressoras, comparando com tintas
para offset. Como itens fisicamente e quimicamente tão diferentes,
podem reproduzir cópias em idêntica cor? Resposta: Não pode! No
máximo se aproxima, aos olhos humanos.
Como controlar isso?
Da mesma maneira que o papel, para que a prova de cor seja fiel,
teríamos que usar a mesma tinta e ainda assim, de um mesmo lote.
Tanto para prova quanto para a produção do material. E isso
normalmente não é possível.
Variável - Tabela
PANTONE©:
Definitivamente é um mito, acreditar que a tabela
PANTONE© é absoluta e infalível e que a gráfica tem obrigação de
reproduzir com extrema fidelidade.
A verdade é: por mais que as tabelas PANTONE© originais, sejam
impressas sob condições controladas e o mais próximo possível de uma
situação ideal, há diferenças de tons entre cores de
tabelas, impressas em lotes diferentes. Isso é visível.
Principalmente nos tons de azul escuro que puxam ao verde. Caso o
leitor tenha a possibilidade de comparar duas tabelas em mãos, com o
mesmo tipo (coated com coated), poderá ver essas diferenças.
Portanto a Tabela PANTONE©, não é absoluta. Ela é um parâmetro que
não pode ser desprezado, mas para um observador mais atento, fica
evidente que não é possível exigir fidelidade absoluta, com tabelas
PANTONE©.
É comum o cliente usar uma tabela PANTONE©, escolher uma determinada
cor, solicitar o trabalho à gráfica e depois se queixar da cor
resultante em um trabalho. Pior quando o cliente escolhe a cor
PANTONE©, no monitor de seu computador, chega a ser cómico. Mas como
o cliente é o REI, o prejuízo normalmente fica para a gráfica.
Como já dito, a cor e o brilho do papel, alteram o resultado das
cores. Mesmo desprezando esse fato e imprimindo com uma tinta
PANTONE©, formulada em um laboratório, uma leve diferença será com
certeza verificada no impresso, em comparação a qualquer tabela
PANTONE©, mas isso não pode ser caracterizado como um defeito.
Tintas formuladas com as tabelas PANTONE©, dependendo de suas bases,
dependendo dos instrumentos utilizados para realizar a mistura e em
que condições essa preparação foi realizada, poderá resultar em
cores sensivelmente diferentes.
Nem sempre uma mesma formulação, resultará em cores exactamente
iguais. Os factores que podem influenciar no resultado de uma
formulação PANTONE©, usando as famosas "formula guide", novamente
são muitas.
Variável - Monitor x
Prova de cor x Offset:

Monitor, impressora de prova e impressora
offset. São coisas diferentes. - (Fig.2)
O Monitor de vídeo, usa o padrão de cores RGB, ou seja, combina
entre vermelho, verde e azul, para obter todas as cores, desde o
preto até o branco. Além disso, ele emite e refracte a luz.
As impressoras de prova, normalmente usam de seis a oito cores como
bases, para formar as demais. Seu sistema de impressão pode ter
precisão de µ (microns), a cor do impresso é perceptível
apenas por refracção, pois o papel não gera luz (pelo menos até
hoje....).
Já na impressão Offset, as imagens “coloridas” são formadas
normalmente pelo padrão CMYK, ou seja quatro cores básicas. Através
da sobreposição de pontos de reticula, é feita a ILUSÃO para que o
olho humano perceba as cores e as imagens. As cores e imagens são
formadas por pontos de grande dimensão, se comparados com a escala
de µ (microns). CMYK, indica que foram usadas as cores:
ciano, magenta, amarelo e preto.
Como coisas tão diferentes poderiam resultar em cores exactamente
iguais? Não podem!
Mas com um pouco de investimento e conhecimento, elas podem
se aproximar, onde um sistema irá simular o outro. Funciona
assim: A impressora de prova, vai tentar simular a offset e o
monitor vai tentar simular a prova. Nunca o contrário.
Uma calibração diferente para cada máquina impressora offset.
A impressora de provas e o monitor, tentam "imitar" a
impressora offset. Nunca o contrário...
Faça o teste: Altere o brilho e a saturação de seu monitor. As cores
mudaram! Assim não há como o cliente verificar cores em seu monitor
e depois comparar com um impresso. As cores do monitor não são as
mesmas que servirão de parâmetro para a impressão em gráfica.
Para que esse sistema possa simular as mesmas cores, é preciso que
ele seja linearizado, ou seja, para que as cores sejam muito
próximas, entre monitor, prova e impressão, deve haver uma
calibração do sistema. Com o sistema calibrado, o nosso instrumento
de medição, que conhecemos por "olho" não irá perceber as diferença
que existem.
Portanto a base real das cores é o offset e
não o monitor ou uma prova feita sem critérios de calibração.
Variável - luz de
análise:
Um outro importante factor para diferenças em cores é a luz de
análise. Observar cores sob fontes de luzes diferentes, resultam
cores diferentes. Vamos exemplificar luzes diferentes como: Luz
natural (sol), Luz fluorescente tubular, luz incandescente, luz
electrónica amarela, vapor metálico, vapor de sódio. Cada um desses
tipos de fontes de luz, emite luz de comprimentos diferentes,
portanto veremos cores ligeiramente diferentes.
Existe a luz mais adequada para cada aplicação, inclusive a mais
apropriada para analise de cores.
Variável - Secagem e
oxidação das tintas:
Um impresso não sai do offset completamente
seco. A tinta offset leva tempo para oxidar e fixar definitivamente
ao substrato (papel). Assim que a impressão é realizada existe um
brilho vivo e reluzente. Uma vez que a tinta comece o processo de
oxidação esse brilho sofre ligeira degradação.
Um modelo fornecido pelo cliente ou mesmo a prova, poderá não ser
reproduzida com fidelidade absoluta de cores, uma vez que a cor
durante a impressão (aquela que o impressor vê) sofrerá uma
alteração natural durante a secagem da mesma.
Variável -
Alteração de cores por acabamento (plastificação, verniz, bopp):
O processo de plastificação com polietileno ou aplicação de Bopp é
feito a quente. A alta temperatura em que
esse material é fundido ao papel, somado com a cor da película,
altera sensivelmente a cor do impresso.
Um vermelho vivo, se torna apagado ao aplicar BOPP fosco. Portanto o
controle de cores, para impressos que irão receber qualquer tipo de
cobertura não é preciso. O resultado pode ser muito diferente
daquele esperado pelo cliente.
É comum os clientes, mesmo agências de propaganda, não
considerar esse factor e se surpreenderem negativamente, com o
resultado do trabalho.
Conclusão:
É possível realizar provas fidedignas, mas o controle necessário
seria extremamente caro e lento. Assim, tal controle é justificável
somente em tiragens “milionárias” (milhões de exemplares).
Na prática, a grande maioria das gráficas realiza controles básicos,
como: manter sempre o mesmo fornecedor de tintas e
consumíveis para offset, usar perfil de cores genérico
para provas, comprar sempre um bom papel de prova e usar quando o
orçamento permitir, um bom papel.
Uma quantidade mínima de gráficas no Brasil, possuem instrumentos
simples para medição de cores, como densitómetros
de tinta, e uma quantidade ainda menor, possuem integração entre o
software workflow (que gerou as chapas em CTP) e
as máquinas offset, os chamados arquivos CIP
e JDF.
Dessa forma, é fácil encontrar em praticamente todos os trabalhos
realizados, distorções de cores. Elas não devem afectar a qualidade
do produto ou prejudicar o desejo do cliente. As distorções devem
ser “pequenas” e em geral não podem ser medidas facilmente.
Não é possível afirmar que o impresso ficou 10% diferente da prova.
Como foram mensurados esses 10%? Qual aparelho de medição
foi utilizado? O olho?
Por isso, dizemos apenas que há distorções. Não há como medir de
maneira simples, sem instrumentação adequada em condições
laboratoriais e ainda desprezar as diferenças de percepção de cores
de cada pessoa.
As distorções também podem ocorrer por interferência de cores
adjacentes. A impressão offset não é digital (jacto de tinta ou tóner),
ela ocorre por transferência de carga de tinta da chapa para
borracha e depois da borracha para o papel, (como visto na fig.
1) esse processo ocorre em geral quatro vezes, sendo uma vez para
cada cor. Deve haver, portanto um equilíbrio entre as cores.
Tons escuros influenciam nos tons claros e vice-versa. Por mais
moderno que seja o equipamento de impressão offset, o sistema é o
mesmo. A descarga de tinta é por transferência indirecta com
controles de faixas sem muita precisão (devido ao
bailar dos rolos), onde a tinta é depositada ao longo da
circunferência de um cilindro e não de uma única vez sobre a matriz.
Por isso a interferência de cores escuras sobre os tons claros
adjacentes.
A igualdade entre a prova e o impresso, tende a buscar o consenso,
entre o cliente e a gráfica, entre o papel e a tinta, entre os tons
do trabalho e todas as demais variáveis.
Por mais próxima que uma impressão estiver de sua prova, ainda que
todas as normas publicadas, para esse
assunto, sejam cumpridas e seguidas à risca, ainda existirão
diferenças!

A imagem da esquerda é a cor original.
Mas, particularmente, eu gostei mais das cores da imagem da direita.
rsrsrs
Para saber mais:
http://www.abtg.org.br/index.php/br/normaliza-mainmenu-58/normas-brasileiras-em-vigor/4895-colorimetria
* Wellington Rehder é
sócio e diretor da Viena Gráfica & Editora.
http://www.qualidadenagrafica.blogspot.com
teco@editoraviena.com.br