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Thomaz Caspary
2007-08-31 |
Um vírus invisível e infalível está alojado em
nossas empresas gráficas. Ele aguarda por uma oportunidade para
atacar dependendo da ação (ou falta de) do gestor da gráfica. Dentro
da empresa se incubam abusos que demonstram sintomaticamente o
efeito deste vírus, através da ação dos funcionários da empresa.
Poucos dirigentes de gráficas encaram decididamente o problema, pois
tem grande esperança de que as coisas melhorem.
O fato de comparecer ao trabalho, sentar-se à
frente do computador, ou mesmo operar uma impressora ou máquina de
acabamento, atender ligações, fazer pré-cálculos como um robô que
simplesmente digita um programa, sem pensar o que está fazendo, é
bastante comum em nossas gráficas. Acontece que ao final do turno de
trabalho chegamos a conclusão de que pouco foi produzido ou, se
tivemos produção, ela insere um sem número de erros, desperdício e
horas praticamente improdutivas. Este fenômeno denominado de
presenteísmo é o contrário do absenteísmo (a falta do funcionário).
Os resultados são praticamente iguais, com a diferença de que o
presenteísmo causa mais prejuízo do que se falta uma pessoa. A
pessoa que faltou, pelo menos não erra nem estraga material.
Temos alertado por longo tempo, de que está na hora
do empresário gráfico acordar para o que acontece dentro de sua
empresa. Ficar esperando as coisas acontecerem, leva lentamente e
com absoluta certeza, a gráfica à insolvência. Estamos falando de
gestão há muitos anos, seja através da adoção de sistemas de gestão,
como os excelentes sistemas da Calcgraf, E-Calc, Metrics, Zênite,
Bremen e muitos outros, que, no entanto, são considerados “caros”
pelos amigos gráficos. Perder um serviço, errar no pré-cálculo,
deixar de cobrar pequenos e grandes “extras” por esquecimento nos
cálculos ou por falta de Normas e Procedimentos, sai bem mais caro
para o dono da gráfica. Utilizar um dos Sistemas de Gestão acima,
não podemos chamar de Despesa. Temos que chamar isso de
Investimento. Colocar um sistema, sem treinar o operador na área do
sistema e na área da produção, é o mesmo que colocar a moça do
cafezinho para teclar no sistema o que mandam fazer. Necessitamos
sim de profissionais com habilidade. E temos estes profissionais no
mercado. Podemos inclusive fazer uma série de operações
automatizadas, utilizando o “Excel” que já vem no programa Office do
seu computador.
Porém não só a implantação de Boas Práticas de
Fabricação & Gestão, introdução de sistemas de qualidade, como por
exemplo, o “Total Quality Management”, ou o CRM (Programas de Gestão
de Clientes) são suficientes hoje em dia. A competitividade
tecnológica é muito forte e dificilmente poderemos concorrer com
nossas máquinas “velhas” (mesmo que já totalmente depreciadas),
porém com baixíssima produtividade, com gráficas que se atualizam
tecnologicamente, sempre dentro de perfeitos cálculos de retorno de
investimento, pois existem muitas máquinas extremamente
sofisticadas, que para o mercado brasileiro, em função de preços
praticados pelos nossos concorrentes, acabam não tendo “Payback”
(retorno do investimento).
Vejamos por exemplo na pré-impressão o sistema
“Suíte 3 Design Premium” recente lançamento da Adobe, que traz
ferramentas para Layout, Tratamento de Imagem e PDF-Workflow. Tem
boa integração com o Photoshop, Indesign e Illustrator, com Flash e
Dreamweaver. Uma série de outras vantagens está agregada a estes
programas. Outra novidade tecnológica, desta vez lançada pela Agfa,
é o “Delano Seamproof”, que consegue enviar via Internet uma prova
contratual (CMYK) dependendo da calibração dos equipamentos e do
acerto das curvas da escala utilizadas em sua gráfica. Isso agrega
velocidade e tecnologia a este “desperdiçador de tempo” que é o
vai-vem e aprovação das provas na impressão. Na área de CTP, seja
para chapas Térmicas, UV ou mesmo para chapas offset em polímeros,
surgem novidades a cada dia.
Na área da Impressão Offset, a cada minuto a
Heidelberg, a MAN-Roland, Ryobi e mesmo os equipamentos japoneses,
trazem uma série de benefícios em suas máquinas que, agregam
velocidade e qualidade. A Roland 700 Direct-Drive, especialmente
desenvolvida e rentável para pequenas tiragens com dispositivo “Quick-Change”,
reduz em mais de 60% os tempos de acerto (como já descrevemos em
artigos anteriores). É evidente que todos estes dispositivos que
aumentam a produtividade e reduzem tempos de acerto, tem seu custo.
Deve o empresário gráfico, com base a uma análise de estrutura de
pedidos da gráfica, verificar o custo-benefício de sua aquisição,
bem como o tempo de retorno do investimento. Na área digital o
lançamento da INDIGO Press 5500, traz uma série de vantagens de
velocidade, impressão Frente-e-Verso, qualidade e acoplamento a
sistemas de acabamento.
Na área de acabamento, inúmeras máquinas, tanto na
área editorial, como na de impressos promocionais e de segurança,
embalagem, assim como na área de beneficiamento superficial de
diversos suportes, vem surgindo diariamente, trazendo novas
tecnologias para aprimorar a qualidade e reduzir os tempos de
acerto. Devo novamente alertar o amigo gráfico, sobre este tipo de
investimento em relação ao retorno do capital.
Uma saída para este problema seria a terceirização
de serviços de acabamento, porém abrindo uma empresa própria, onde o
empresário gráfico ocuparia suas máquinas de acabamento, “vendendo”
as horas ociosas para gráficas menores, reduzindo assim os seus
custos. Com esta “terceirização”, o empresário reduziria a sua
estrutura organizacional, podendo inclusive transformar sua empresa
de acabamento em uma empresa pequena (simples), reduziria os seus
ativos, com as devidas conseqüências econômicas e tributárias,
simplificaria a organização, melhoraria a qualidade em função da
especialização de seus funcionários, aumentaria bastante a
produtividade, reduzindo conseqüentemente seus custos. Paralelamente
a isso, teria uma nova fonte de entrada de recursos e não ficaria
com equipamento de acabamento parado. Neste caso, empresas médias e
até grandes, podem se utilizar bons equipamentos nacionais de
acabamento (como por exemplo, os equipamentos da Radial Tecnograf,
entre outros), com vantagens de assistência técnica, peças de
reposição e assistência facilitada.
Vamos nos proteger deste “vírus”, aplicando bom
senso em primeiro lugar e vontade de ter aquilo que mais almejamos.
Um pouco de PAZ e felicidade. Chega de Stress entre os empresários
gráficos. Vamos repensar nossas vidas.Vamos agir com bom senso,
aplicando novas tecnologias de gestão e de equipamentos. Você caro
leitor, certamente me dará razão, quando não tiver que ficar mais na
empresa até as 10 da noite, apagando incêndios ou descascando
“pepinos e abacaxis”. Boa Sorte e Sucesso!
Thomaz Caspary é consultor
de empresas e diretor da Printconsult Ltda. (11) 3167-6939.
www.printconsult.com.br