
Recentemente meus colegas da
faculdade gráfica da Alemanha, espalhados pelo mundo e que hoje são
grandes empresários e consultores na Alemanha, Inglaterra, Índia,
China, França, México, Espanha e Estados Unidos, nos reunimos em uma
videoconferência de cerca de 4 horas, para falar um pouco da
situação atual e das perspectivas para os próximos anos na Indústria
Gráfica. Todos nós, filiados à Associação Alemã de Engenheiros e
Executivos da Industria Gráfica e Mídia Impressa, chegamos a
conclusões semelhantes, evidentemente com diferenças regionais de
cultura e tecnologia.
Posso, no entanto afirmar, que
nós no Brasil, estamos muito bem e praticamente acompanhando a
tecnologia de ponta dos países mais desenvolvidos. Por questões
econômicas, certamente não temos os mais avançados sistemas
tecnológicos, simplesmente por problemas do retorno de investimento.
O nosso grupo, formado por 14 empresários e consultores, concluiu
que o mundo tem enormes perspectivas de crescimento em muitos nichos
de mercado, principalmente nas áreas da publicidade, embalagem e
editorial (apesar das mídias eletrônicas).
No caso da área editorial, as
tiragens serão cada vez mais reduzidas, porém haverá um maior número
de títulos (jornais, revistas e livros) segmentados para as
necessidades de cada leitor, diferente em cada região do planeta. A
impressão digital e sob demanda virá com tudo e está crescendo algo
em torno de 10% a 15% ao ano, dependendo da região. Em alguns países
o crescimento supera estes números.
Também na área de embalagem, o
papel-cartão em suas várias composições (inclusive microondulado),
terá um crescimento gradativo, sendo que laminados simples e
compostos, além de rótulos adesivos e “sleeves” crescerão cada vez
mais e serão impressos principalmente em flexografia que está em
franco desenvolvimento.
Já a área da publicidade
impressa, será utilizada cada vez mais como encartes de jornais e
revistas, sendo a conhecida “mala direta” cada vez mais segmentada e
personalizada através da conjugação de impressão offset com digital,
ou em determinados segmentos, impressos diretamente em impressão
digital, em função de “campanha relâmpago dirigida” e de baixa
tiragem.
Concluímos nesta
videoconferência, que não haverá retrocesso na indústria gráfica e
que pequenas empresas, ou se especializam, ou somem do mapa. Somente
em cidades muito primitivas de alguns países do terceiro mundo, as
gráficas que denominamos de “artesanais” ainda sobreviverão por
algum tempo. Porém este tempo será limitado, ao alcance das equipes
comerciais das empresas maiores, que levarão estes trabalhos para
sua empresa reduzindo o poder de amizade das gráficas, nas cidades
menores.
O que ficou claro na nossa
conversa, foi o despreparo total das equipes de venda, nos países do
terceiro mundo (onde incluímos a China, no caso de vendas). Os
vendedores na sua grande maioria, ainda desconhecem a potencialidade
de suas empresas, não tem noção técnica, dos produtos gráficos que
vendem e acabam tendo medo dos clientes, pois muitos clientes estão
mais bem informados do que os próprios vendedores das gráficas. É
urgente o aprimoramento técnico dos vendedores, inclusive aplicando
técnicas de venda diferentes, a cada segmento de mercado.
Como não podia deixar de ser,
falamos de produtividade, erros, refação e aumento de custos.
Falamos da grande quantidade de erros que acontecem na indústria
gráfica. Um de nossos colegas falou textualmente “O maior erro, é
não querer aceitar que erramos”. Estamos acostumados a conversar
sobre erros e chegamos nesta teleconferência a números absurdos em
alguns países, aonde erros e refação chegam a representar 15% do
faturamento líquido.
Estas empresas não duram muito.
Analisamos as razões dos erros e fomos unânimes em afirmar que os
principais erros que levam as gráficas à perda de dinheiro, são os
problemas de informação e comunicação, além de funcionários que não
se empenham e só estão interessados, em receber seu salário no final
do mês. Para o combate a este “Status Quo”, só existe a saída do
treinamento para a Qualidade Assegurada, ou seja, que cada
funcionário de qualquer setor, se responsabilize e seja
conscientizado de sua importância na tarefa executada.
Falou-se sobre a adoção de
Normas e Procedimentos em todos os postos de trabalho, a se iniciar
em vendas, terminando na cobrança. Conhecemos este procedimento como
“Good Manufacturing & Managing Practices”, ou seja, Boas Práticas de
Fabricação & Gestão. Dentre os erros mais comuns em todos os países,
foram detectados:
- Erros de Informações de Vendas
ou Clientes.
- Erros no Pré-Calculo.
- Erros na abertura da Ordem de
Serviço.
- Problemas com o PPCP.
- Problemas com Arquivos por
falta de instruções ao cliente.
- Problemas de Produção, sendo
95% por falta ou erro de informação.
Com relação a estes erros todos,
temos o maior problema, que é a “Gestão do Erro”. Erra-se, porém não
se fazem as devidas correções no processo, para que estes erros não
venham a se repetir. Não existe um controle e avaliação
técnico-financeira dos erros gerados na empresa. Não se utilizando
Boas Práticas, não existem conseqüentemente sistemas de prevenção de
erros. Definições claras e seguras de todos os passos que cada
elemento da gráfica em todos os setores deve seguir, não existem na
maioria das empresas do nosso setor (mundialmente falando), com
exceção de algumas empresas nos países assim chamados de primeiro
mundo, que, no entanto também tem gráficas que cometem erros, tem
baixa qualidade e vão sobrevivendo. Não sabemos até quando...
Concluímos nossa
teleconferência, chegando ao consenso de que a indústria gráfica
cresce a cada dia e que as empresas que não adquirirem a cultura de
correr atrás dos erros e devoluções, tomando uma posição de “gestão
do erro” estão fadadas a desaparecer. Uma boa Gestão do Erro poderá
elevar bastante o lucro e a rentabilidade da empresa gráfica também
em nosso país.
Thomaz Caspary é consultor
de empresas e diretor da Printconsult Ltda. (11) 3167-6939.
www.printconsult.com.br