Em tempos da mídia digital e da evolução da tecnologia, não podemos
ficar aí “vendo a banda passar”, embora estejamos perto do carnaval.
Temos que fazer muita coisa, principalmente em relação às vendas.
Precisamos nos consciencializar de que a “razão de ser” da gráfica
são naturalmente os clientes. É no fundo ele que paga nossos custos
e contribui com o lucro. A partir dessa premissa, temos que definir
nosso objectivo primeiro, que é o de solucionar os problemas de
nossos clientes em todas as áreas da mídia, tanto impressa como
digital. Estamos no Brasil e não devemos importar de outros países,
técnicas de atendimento, pois os povos reagem diferentemente uns dos
outros. Temos que nos adaptar ao “jeitão” brasileiro, inclusive
regionalizado, pois o brasileiro de cada região deste imenso país
tem suas tradições e sua maneira de interagir. Por esta razão, um
consultor na área de mercado ou que conheça os principais produtos
gráficos de cada região, é muito importante para nos dar “dicas”.
Precisamos profissionalizar toda a área de atendimento ao cliente,
não só em termos de marketing, más também na área de treinamento
tecnológico do pessoal envolvido com vendas.
Vamos ver, por exemplo, o que podemos fazer de “diferente”. Já
pensou em montar um pequeno “call-center” em sua empresa. Como fazer
isso? É só planejar um pouco e você vai ver como fará sucesso! O
trabalho de planeamento estratégico de uma área como a de
atendimento requer em primeiro lugar a tarefa em apurar a situação
em que a empresa se encontra do ponto de vista de clientes, mercados
atendidos, etc. Conhecer qual a missão da sua gráfica em termos de
produtos a imprimir ou serviços gráficos a prestar bem como seus
objectivos, e o seu posicionamento no mercado, seus concorrentes e
os recursos necessários a fim de promover as mudanças para que seja
feita a implantação deste coadjuvante das vendas tão importante. Não
é uma tarefa fácil, pois o departamento de atendimento de vendas por
telefone expressa por meio da voz de seus “televendedores”, (que
terão que ser muito bem treinados), o perfil da empresa. Este
departamento, na verdade, é responsável por boa parte da comunicação
externa, do sucesso em muitas vendas iniciadas pelos representantes
ou vendedores, além de garantir a satisfação de seus clientes no
atendimento às suas necessidades de orçamento, prazos de entrega,
status do trabalho e naturalmente após a aquisição e entrega dos
serviços gráficos. Este departamento está integrado ao Departamento
Comercial e actua em conjunto com os vendedores e/ou representantes
de venda.
Levantamento das informações:
Esta primeira etapa consiste em obter dados e informações apuradas
por pessoas responsáveis relacionadas às áreas envolvidas no
processo, com dados levantados de fichas de cálculo, Ordens de
Serviço e mesmo Listas de Clientes, que acreditamos que toda empresa
gráfica tenha, mesmo que desactualizada. Deverão ser feitas também
observações e analises baseando-se em resultados obtidos em
trabalhos já realizados anteriormente, como exemplo: Uma
recepcionista que nas horas vagas realizava ligações para auxiliar
nas tarefas do departamento de cobrança.
Carteira de Clientes:
Este segundo passo consiste em conhecer a carteira de clientes que a
empresa possui. É necessário saber a quanto tempo o cliente compra
ou utiliza os serviços da gráfica, qual a periodicidade, volume de
compras, e principalmente, qual o grau de satisfação do cliente com
relação a empresa (se possível conseguir este dado).
O Banco de Dados:
Podemos considerar o banco de dados de uma gráfica o coração da área
de atendimento, pois uma vez actualizado e com profissionais bem
treinados, reduz custos e agiliza eficazmente muitos processos.
Centralizar as informações e torná-las disponíveis a todos da área
comercial e naturalmente aos gestores da empresa, é uma das grandes
inovações da área de tecnologia da informação, nas áreas do CRM (Customer
Relationship Management) e do marketing entre outras. Em resumo toda
e qualquer operação de atendimento/televendas e telemarketing além
do e-mail-marketing deve contar com um respaldo tecnológico de toda
a equipe.
Gerenciamento de resultados:
Antes de pensar em medir os resultados de uma operação faz-se
necessário desenhar e definir claramente as metas e objectivos
quanto à situação de captação de novos clientes e fidelização dos
actuais. Depois disso é que poderemos começar a pensar em gerenciar
resultados. Todos os relatórios devem ser criados de acordo com as
necessidades de cada gráfica, pois os nichos de mercado são
diferenciados, os serviços gráficos também e, portanto, as
metodologias não são iguais. Crie e alimente somente relatórios que
sejam de extrema importância para medir resultados, não perca tempo
com relatórios desnecessários.
Pessoal necessário:
Além de contar com o auxilio do departamento de RH para efectuar a
selecção dos candidatos, o pessoal deve ser treinado também na área
de tecnologia gráfica, conhecendo a fundo o que a empresa produz ou
tipo de serviço prestado. O perfil do profissional deve preencher os
requisitos da vaga em questão, ou seja, respeitando os critérios
utilizados para que sua actuação ao telefone seja o mais
profissional possível. A supervisão deverá ser sempre do gestor da
área comercial. Não se contratam para esta área, pessoas falantes e
sim pessoas que saibam ouvir e tenham um tom de voz adequado para se
falar ao telefone. Como último ponto, poderemos inserir o
planeamento de acções estratégicas e campanhas visando a evolução de
determinados tipos de serviço que sejam mais adequados à
rentabilidade de nossas máquinas (fato este que poderemos analisar
através dos relatórios de nossos sistemas de gestão). Agora é só
acompanhar a evolução do seu trabalho. O sucesso de sua nova equipe
não será apenas um bom investimento nas relações com seus clientes,
mas também uma realização profissional e pessoal, dando adeus ao
amadorismo.
* Thomaz Caspary é
Engenheiro de Mídia Impressa, consultor
de empresas e diretor da Printconsult Ltda. (11) 3167-6939.
www.printconsult.com.br