Mandamentos da boa gestão – duas parábolas
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Thomaz Caspary*
2009-11-28
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Dou início a este artigo de Dezembro, com duas
parábolas, cujos autores eu desconheço, porém onde as histórias se
encaixam um pouco no conjunto de atitudes que temos que repensar,
para executarmos uma boa gestão nas nossas gráficas.
Um pai sábio...
Certa tarde o José saiu para um passeio com as
duas filhas, uma de oito e a outra de quatro anos. Em determinado
momento da caminhada, Helena, a filha mais nova, pediu ao pai que a
carregasse, pois estava muito cansada para continuar andando. O pai
respondeu que estava também muito fatigado, e diante da resposta a
garotinha começou a choramingar e fazer "corpo mole".
Sem dizer uma só palavra, o pai cortou um pequeno galho de
árvore e o entregou à Helena dizendo: - Olhe aqui um cavalinho para
você montar, filha! Ele irá ajudá-la a seguir em frente.
A menina parou de chorar e pôs-se a cavalgar o
galho verde tão rápido, que chegou em casa antes dos outros. Ficou
tão encantada com seu cavalo de pau, que foi difícil fazê-la parar
de galopar. A irmã mais velha ficou intrigada com o que viu e
perguntou ao pai como entender a atitude de Helena. O pai riu e
respondeu dizendo: - Assim é a vida, minha filha. Às vezes a gente
está física e mentalmente cansado, certo de que é impossível
continuar. Mas encontramos então um "cavalinho" qualquer que nos dá
ânimo outra vez.
Esse cavalinho pode ser um bom livro, um amigo,
uma palestra... Assim, quando você se sentir cansado ou desanimado,
lembre-se de que sempre haverá um cavalinho para cada momento, e
nunca se deixe levar pela preguiça ou o desânimo. "Procure conviver
entre pessoas que te ensinem a caminhar; porém, quando encontrares o
conhecimento, não o negue aos outros.
Respeito
Um sujeito estava colocando flores no túmulo de um
parente quando vê um chinês colocando um prato de arroz na lápide ao
lado. Ele se vira para o chinês e pergunta: - Desculpe-me, mas o
senhor acha mesmo que o seu defunto virá comer o arroz?
E o chinês responde: - Sim e geralmente na mesma
hora que o seu vem cheirar as flores!
Respeitar as inúmeras opções de outros em qualquer
aspecto, é uma das maiores
virtudes que um ser humano pode ter, inclusive na área de gestão.
Lembre-se sempre que as pessoas são diferentes, agem e pensam de
forma diferente. Nunca julgue. Apenas compreenda e respeite.
Estamos vivendo o mundo de maus comportamentos e
de hábitos inadequados. O declínio da respeitabilidade das pessoas
(que já se inicia nas escolas junto aos professores), e de donos de
empresas nas posições que ocupam é um espetáculo visível a todos
nós.
Trata-se aqui, de um processo no qual em maior ou
menor grau todos participamos. Estamos na verdade, vivendo o mundo
de “nós” contra “eles”, muitas vezes esquecendo de que em certas
ocasiões o “eles” podemos ser “nós”. Muitos estão nos enganando,
tornando as nossas vidas mais difíceis, só pensam em levar vantagens
(Lei de Gerson) e abusar de nossa boa-fé. Não adianta
recriminarmo-nos, pois não há nada a fazer. A falta é só “deles”,
dos outros. Será?
É evidente que nas nossas gráficas o mesmo
fenómeno se repete. O jogo de acusações recíprocas é frequente, pelo
que temos observado em nossas consultorias. Os funcionários sempre
dão um jeito de responsabilizar outros ou mesmo a direcção da
gráfica por todos os problemas. Quaisquer transtornos no trabalho
sejam problemas técnicos, baixa produtividade e muitas outras formas
de desempenho inadequado no trabalho, têm sua “culpa” rapidamente
delegada a problemas com material, má manutenção das impressoras ou
máquinas de acabamento, erro no PCP, problemas do vendedor, falhas
no pré-cálculo, etc... Apontar o dedo de acusação é o caminho de
saída mais fácil para todos, inclusive a chefia.
E é este o momento, em que os gestores da gráfica,
devem procurar um consultor, que entenda da gestão de empresas
gráficas, com conhecimentos de tecnologia e vivência de “chão de
fábrica”. É claro que os funcionários, o pré-cálculo, os vendedores
ou mesmo o cliente, não são culpados de tudo. Certamente o estilo de
gestão e principalmente a cultura da gráfica também contribuem
expressivamente para redução da rentabilidade da empresa.
Qualquer um é capaz de com facilidade reconhecer
tanto o funcionário excepcional quanto aquele que costumeiramente
faz “cera”, desconhece o trabalho, ou foge de suas obrigações. Fatos
esporádicos e factores psicológicos e/ou sociológicos dificultam os
gestores de realizarem avaliações adequadas, objectivas e
fundamentadas em fatos observáveis. O que acontece normalmente são
“achismos” e “chutômetros”.
Por esta razão, adoptar algumas regras básicas
pode garantir a um gestor além do próprio sucesso, maior
rentabilidade para sua gráfica, fazendo com que ambos passem pela
crise sem solavancos. Podemos citar entre elas: Seja político, mas
não faça política na empresa. Domine os números de sua gráfica,
tanto com relação a custos, compras, faturamento mínimo, margem de
contribuição, eficácia nas vendas e retorno de investimento, entre
outros. Entenda sempre o modelo económico e os factores críticos de
sucesso do sector gráfico. Informe-se sempre sobre as questões
fiscais e legais que influem nas suas decisões. Entenda os riscos,
mas não tenha medo de tomar as decisões.
Nunca abra mão dos juros. Renegocie sempre que
necessitar o principal, nunca os juros. Seu aprimoramento
profissional deve ser constante. Não deixe de ir a feiras,
frequentar cursos e seminários, assinar revistas do ramo gráfico e
participar activamente de seu sindicato patronal ou associação de
classe. Não pare de estudar, independentemente da posição que ocupa
na empresa. Poderíamos acrescentar ainda um número enorme de
“dicas”, porém isso ficaria muito cansativo, pois são coisas que
você já sabe. Coloque-as em prática e tenha um Ano Novo de 2010 e
com prosperidade e rentabilidade.
* Thomaz Caspary é
Engenheiro de Mídia Impressa, consultor de empresas e diretor da
Printconsult Ltda. (11) 3167-6939.
www.printconsult.com.br