Porque minha gráfica está com dificuldades?
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Thomaz Caspary*
2009-08-11
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Apesar do número de empresas gráficas que não
estão em boa situação financeira ser considerável, outras empresas
vão muito bem obrigado. Percebemos que, muitos donos de gráfica não
têm acesso a informações económicas e de mercado, pois estão sempre
trabalhando, olhando para dentro da empresa e procurando o que está
errado. Refazem cálculos, verificam seus custos, repreendem
funcionários por um trabalho que não saiu conforme deveria, enfim,
estão preocupados com falhas dos outros.
Nem só de bons momentos vive o empresário gráfico.
Não é muito difícil, em pouco tempo, avaliar se você que sempre
trabalhou em gráfica, ou herdou a função de tocar a empresa, tem
mesmo condições de ser um empreendedor. Um dos pontos principais da
gestão de uma gráfica é sempre a forma como você lida com as
pessoas, sejam elas funcionários, vendedores autónomos ou mesmo
clientes. Isso porque, como empresário, nem sempre seu objectivo
será resumido em mandar fazer. Em muitas situações, você poderá se
surpreender com verdadeiras crises, onde, ou você imprime o serviço
ou deixa o seu cliente na mão. A decisão, neste caso, é sua: afinal,
existem prazos a cumprir, e é o seu nome e o da sua empresa que está
em jogo.
Você pode achar tudo isso um pouco exagerado, mas
não é! Lembre-se: em uma gráfica, é bastante comum você muitas vezes
poder contar com pouquíssimos funcionários. Afinal, a receita da
empresa, no momento que atravessamos, não possibilita muitas
despesas, e você tem que procurar economizar na compra e na
produção, alavancando também a produtividade. Encontrar as causas
para os famosos erros ou desvios, no momento em que você mais
necessita dos resultados é praticamente uma missão impossível.
Tenha sempre em mente que a empresa segue quase
sempre o perfil do dono. Por isso, quanto mais empenho e
determinação no seu negócio, mais contagiante será este efeito para
o seu grupo. Caso você seja uma pessoa acomodada, que se dispõe
simplesmente a “dar ordens", poderá estar no caminho errado, além de
perder muitos pontos junto ao seu pessoal. Eu estava batendo papo
com um amigo de uma gráfica do interior de São Paulo, que me disse o
seguinte: “Eu trabalho, trabalho, trabalho e não consigo obter os
resultados necessários para pagar as contas”. Eu percebo que muitas
pessoas trabalham apenas para não faltar dinheiro no fim do mês e
conseguir saldar as dívidas. Por outro lado, conheço muitos gráficos
de sucesso que trabalham para ter prazer no que fazem, sentir-se
bem, usar seus talentos para a realização de algo diferente que
também traga resultados. Estes são para mim os famosos empresários
gráficos, que como empreendedores, logram a levar a empresa para
frente.
O ser humano é único. Só precisa equilibrar todas
as áreas da vida para criar uma caminhada de sucesso, não só
profissional, más também na sociedade. Trabalhar por prazer é
diferente do que trabalhar por necessidade. Quando fazemos alguma
coisa buscando também o prazer, temos a grande possibilidade de
empreender ao invés de só trabalhar, ser realizador de tarefas e
continuar obtendo mais resultados. Muitas pessoas acreditam, que
quanto mais tempo trabalharem, mais resultados conseguirão. Isto é a
mais pura ilusão.
O sucesso da nossa gráfica está directamente
ligado à maneira como utilizamos o nosso tempo. Não adianta passar
horas trabalhando, fazendo as mesmas coisas. Nunca a quantidade
significou qualidade. Empreender, no nosso caso é utilizar uma hora
com qualidade ao invés de trabalhar oito horas seguidas fazendo o
que sempre foi feito. Temos que mudar nossos paradigmas. Para isso,
a gráfica não deve ter apenas lucro suficiente para sobreviver. É
preciso querer mais (e obter mais!), é preciso analisar as
tendências, prever o futuro, traçar metas claras e, sobretudo,
investir para realizá-las no médio e no longo prazo,
caracterizando-se em um processo objectivo, controlável, e com
flexibilidade para mudanças.
Também precisamos olhar para nossos funcionários e
enxergar que estes precisam ser bem treinados para estarem alinhados
com os objectivos do nosso negócio; as máquinas precisariam ser
constantemente renovadas, pois senão perdemos em competitividade com
os nossos concorrentes. Os investimentos em
marketing e vendas devem ser contínuos para surtir efeito constante.
A nossa gráfica deve ter um fluxo de caixa saudável e, ainda, gerar
um bom retorno sobre o capital investido.
Os principais erros que percebemos
em gráficas com dificuldades podem ser agrupados nas seguintes
observações:
Falta de visão (enxergar o problema e a solução
pela perspectiva do cliente) tanto por parte do dono da gráfica
quanto do pessoal de atendimento.
Os clientes não têm confiança na gráfica. (não se
percebe uma cultura por parte da gráfica, para “solucionar os
problemas dos clientes”).
A comunicação com os clientes e com o mercado é
praticamente nula.
Inexistência de comprometimento das equipes da
gráfica em todos os processos.
O dono da gráfica é o “Bombeiro”, pois se envolve
demais "apagando incêndios" na empresa e não dedica um tempo para
repensar e analisar os fatos. Vai tocando...
Há um desconhecimento sobre os custos envolvidos,
sobre os processos mais viáveis, sobre as habilidades técnicas
necessárias e sobre a disponibilidade e aplicação de ferramentas de
gestão. Aliás, a maioria das gráficas que vão
mal, desconhece ferramentas de gestão ou não as usam correctamente.
A ausência de organização, de foco e de orientação
para os objectivos da empresa gráfica. Poderíamos citar ainda
dezenas de dificuldades. Queremos aqui deixar só as principais, para
a sua reflexão. Esperamos que após a leitura, o amigo gráfico,
comece a por a mão na massa e agir correctamente, separando o
Urgente do IMPORTANTE.
Este artigo foi também publicado na Revista
Publish 102
* Thomaz Caspary é
Engenheiro de Mídia Impressa, consultor de empresas e diretor da
Printconsult Ltda. (11) 3167-6939.
www.printconsult.com.br