Gráfica Digital, E-Book e o futuro digital
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Thomaz Caspary*
2009-05-11
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A produção digital em várias áreas vem avançando a
passos largos. A impressão digital continua aumentando sua
participação de mercado na indústria gráfica a uma taxa de
crescimento bastante acelerada, criando novas aplicações e
conquistando receitas que antes eram oriundas de outras tecnologias
principalmente offset. Hoje esta tecnologia já está bastante
difundida, na produção de livros, revistas, impressos promocionais
de baixa tiragem, bem como na área de dados variáveis, também em
embalagens como cartuchos, rótulos auto-adesivos, e outros produtos
impressos. Cada vez mais, as gráficas tradicionais que militam
nestes setores agregam às suas máquinas tradicionais, equipamento
digital.
Não só na impressão, mas principalmente na criação
de impressos e na pré-impressão, a tecnologia digital hoje domina o
mercado. Os estudos hoje estão bastante avançados, na produção de
sistemas para redução de tempos improdutivos na produção, bem como
para aceleração dos tempos de set-up em toda a indústria gráfica.
Para isso entram em campo os sistemas JDF (Adobe), por exemplo, que
estão em franco desenvolvimento com a ajuda do protocolo CIP4. Na
área de Gestão de empresas gráficas, é hoje imprescindível o uso de
sistemas brasileiros, onde podemos destacar os sistemas da E-Calc,
Calcgraf, Metrics, Zênite, Bremen e outros que surgem e nos
surpreendem.
Há quase duas décadas, empresas vem revolucionando
a indústria de produção digital de impressos e vai continuar
demonstrando sua crescente liderança. A impressão sob demanda
automatiza e simplifica os processos de produção, reduzindo com isso
tempo de produção e eliminando custos pela flexibilidade de imprimir
trabalhos somente na quantidade necessária. Com isso, as gráficas
podem produzir rapidamente as peças de marketing solicitadas por
seus clientes, ou livros e outros impressos sob demanda com as
adaptações, ajustes ou atualizações que forem necessárias.
Gráficas podem gerar novos fluxos de receita
para suas empresas oferecendo recursos para publicação de livros
digitais (E-Books). Os equipamentos hoje disponíveis no mercado
mostram impressoras de alimentação contínua, PB e coloridas que
produzem livros e capas, fazendo inclusive seu acabamento. A
Integração para ambientes híbridos com tecnologias Offset e Digital
com dados variáveis, são hoje uma realidade no mercado.
Quando falamos em Boas Práticas, visamos redução
de custos, pelo aumento da produtividade, entre outras coisas. O
empresário gráfico que investiu ou está pensando em comprar uma
impressora digital está cada dia mais atento à evolução dos sistemas
de acabamento para impressos digitais. Isso porque os ganhos obtidos
na impressão podem desaparecer ou serem minimizados, dependendo da
forma como se faz o acabamento do produto.
Aqui no Brasil, na maioria das gráficas
offset que adquiriram também equipamentos digitais, as máquinas de
acabamento servem os dois processos (offset e digital) com alguns
problemas técnicos e poucos gargalos. Já as gráficas totalmente
digitais possuem um acabamento simples, terceirizando grande parte
do acabamento e beneficiamento dos impressos. Aí então, começam,
além dos problemas técnicos, as questões de tiragens, pois vários
prestadores de serviço de acabamento ou recusam os trabalhos
alegando que pequenas tiragens não compensam, ou então cobram uma
fortuna. O ideal seria um trabalho totalmente on-line o que sem
dúvida alguma, se aplica mais na produção de determinados impressos,
sem acabamentos complexos. Existem algumas máquinas na área de
embalagens de pequenas tiragens (Cartuchos e Rótulos) onde, no
entanto, os equipamentos são bastante dispendiosos e para um mercado
específico.
Recentemente estivemos presentes num “bate-papo”
Internacional, com gráficos da Alemanha, França, Índia e USA, onde
ficou claro, que a indústria gráfica, deverá sofrer mudanças. O
papel digital é uma realidade, porém em médio prazo, não afetará a
leitura de livros e revistas impressos em papel. Neste sentido,
estamos vendo novas tecnologias de Inkjet Térmico, onde máquinas
rotativas já se utilizam toners “verdes” ou seja, favoráveis ao
meio-ambiente. A tiragem de livros impressos digitalmente em algumas
máquinas (Capa quatro cores e Miolo PB) já tem seu
“break-even-point” com relação à impressão offset na faixa de 800
exemplares.
Na área de Print-on-Demand de livros, existem
inúmeros sistemas, onde alguns autores já liberaram os direitos
autorais, não havendo custos de “royalties”. Podem ser baixados, por
exemplo, do Google sem problemas, más não aconselhamos faze-lo em
casa, pois sai mais caro do que comprar este livro na livraria. Não
precisamos temer a digitalização de livros em papel eletrônico. De
acordo com os bem informados colegas deste “bate papo”, dentro de
uns 10 anos, o livro eletrônico no “E-Paper”, representará no máximo
de 10 a 15% dos livros lidos no mundo. O restante será impresso em
papel, seja pela metodologia offset, inkjet ou mesmo digital.
O que nós, gráficos brasileiros precisamos
repensar e agir com rapidez será agregar valor ao nosso serviço de
mídia impressa. Isso poderá ser feito através de sistemas agregados
de logística de distribuição, ou então entrar na mídia digital,
através de prestar serviços via Internet aos nossos clientes seja em
forma da edição de divulgação em forma de “Newsletter”, ou ainda, de
várias formas de solução global na área de divulgação ou mesmo de
fornecimento de material impresso técnico, sob demanda.
Embora não
seja novidade, este sistema tem trazido resultados cada vez mais
positivos a gráficas que trabalham com tiragens limitadas para
públicos específicos como, por exemplo, montadoras na área automotiva, empresas de eletro-eletrônicos, telefonia celular, etc.
A lógica do negócio é reduzir custos para o cliente. O primeiro e
mais importante, é o custo altíssimo de manter estoques. Além disso,
o modelo reduz o risco dos clientes, em face de modificações
tecnológicas de seus produtos, com a necessidade de alteração de
seus manuais.
O impresso não desaparecerá. Teremos tiragens
menores de livros, revistas e jornais, porém uma maior diversidade
de títulos. Na área promocional teremos que agregar valor ao nosso
faturamento atendendo inclusive as necessidades não visíveis de
nossos clientes. Para isso precisamos estar preparados e preparar
nossos profissionais de atendimento ao cliente. A área de embalagens
continuará sendo impressa e ainda por muito tempo com um crescimento
estável e contínuo. Certamente teremos mudanças tecnológicas de
substratos e sistemas de impressão, visando principalmente a saúde
do meio ambiente e consequentemente a nossa saúde. De qualquer
forma, podemos afirmar, que também nas gráficas, o futuro é digital.
* Thomaz Caspary é
Engenheiro de Mídia Impressa, consultor
de empresas e diretor da Printconsult Ltda. (11) 3167-6939.
www.printconsult.com.br