Também nas gráficas os tempos mudam.
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Thomaz Caspary*
2009-03-02
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Este ano terá que ser o ano da redução dos custos
e do aumento da produtividade. Todo mundo vai precisar fazer mais
com menos, ter foco no importante e fazer a execução acontecer! Por
isso, não deixe que este ano seja uma cópia mal feita dos anos
anteriores. Sugiro que você aproveite este instante, reservando uma
horinha e fazendo um replanejamento do seu negócio. Revise o que é
importante para você! Este ano você precisará de foco sem perder
tempo à toa. Para isso, você deve ter clareza e responder as
seguintes questões básicas: Que atividades eu devo focar em minha
gráfica imediatamente, quais podem ficar para o segundo semestre e
quais eu devo abortar? Depois de concluídas as suas colocações, faça
uma lista de prioridades por ordem de importância. Olhe para os
cinco primeiros itens e detalhe um plano de ação na sua agenda.
Vejamos por exemplo:
Fazer um fluxo de caixa.
Fazer uma análise dos meus desperdícios em todas
as áreas.
Rever meus custos e formas de cálculo.
Rever minha produção, produtividade e tempos
perdidos.
Concentrar meus esforços na área de vendas.
Tenho conduzido processos de reestruturação em
diversas gráficas ao longo dos últimos anos. E a receita para as
empresas em dificuldades, passa necessariamente pela redução de
custos. Assim, procuro focar os cortes em ações significativas,
atacando desperdícios e despesas desnecessárias, revendo compras de
matérias-primas, cuidando com atenção das despesas financeiras e, em
especial, revendo as formas mirabolantes do pré-cálculo, onde estão
embutidas coisas muitas vezes absurdas. Um dos grandes problemas que
encontro nas gráficas, é o da separaração de gastos pessoais dos
gastos da empresa, principalmente no caso de pequenas e médias
gráficas, adotando critérios mais rigorosos para a concessão de
benefícios, nas gráficas de maior porte. Em tempos de crise como a
que ora experimentamos, quando a “bagunça” toma conta não apenas da
área financeira, mas também da cabeça dos gestores das gráficas,
desconcentrando-os do uso da racionalidade, há que se ter
ponderação, bom senso, prudência e visão de futuro. Por este motivo,
a leitura de jornais nos cadernos de economia e negócios, além da
participação em palestras e cursos, é de extrema importância para
abrir um pouco a mente do empresário gráfico.
Como os empresários modernos bem o sabem, cada vez
menos, o preço é determinado pelos custos. Vai-se hoje do preço
final, aceito pelo mercado, para os custos necessários, a partir de
determinada margem de lucro e margem de contribuição pretendida. Com
isso, os processos de contabilização dos custos tornam-se cada vez
mais inócuos, primeiro pela focalização “a priori” na redução dos
custos e a contabilização dos custos de cada trabalho (pós-cálculo),
por se dedicar a uma inútil avaliação “post mortem” do que já
ocorreu.
No entanto, um outro caminho consiste em se
adotar, por exemplo, um Programa de Otimização de Custos e Recursos,
que podemos também chamar de “Boas Práticas de Fabricação e Gestão”
com a adoção de Normas e Procedimentos em todas as áreas da gráfica,
tanto na fábrica como na administração geral e principalmente de
vendas, como o fez, em passado recente, entre outras, a Bayer, Basf,
Gerdau, além de várias gráficas, numa atitude pró-ativa e louvável
de "intervenção" nos custos, ao invés da redução simplória dos
mesmos, com a dispensa de pessoal, por exemplo, passando-se a
examinar a cadeia de valor oferecida ao cliente, à procura, ao mesmo
tempo, de uma relação custo-benefício que atenda a todos os
envolvidos. Desnecessário dizer, que a presença de um consultor
qualificado que conhece o ramo facilitou bastante à época os
programas daquelas empresas, de tal forma que hoje, estas gráficas
estão trabalhando com uma boa carteira de pedidos e uma
rentabilidade dentro de seu plano de negócios.
Em meio a essa turbulência existem gráficos
desesperados. Aí se junta à busca por saídas de curto prazo, a
oferta de promessas mirabolantes, seja de fornecedores, clientes ou
“vendedores”. Por temer perder o bonde da história, os gráficos se
tornam presa fácil e abraçam modismos e teorias diversas temendo o
desaparecimento de sua empresa. Outras gráficas encontraram um
caminho seguro, através da inovação e de um novo posicionamento
comercial ou forma de operar no setor, através da adoção das Boas
Práticas ou ainda agregando valores através de um serviço paralelo
prestado ao cliente.
Eu diria que o elemento dificultador que faz
emperrar qualquer empresa, principalmente no ramo gráfico, é que os
donos das empresas são demasiadamente lentos em tomadas de decisão.
O problema é que nessa conjuntura, velocidade e flexibilidade para
se adaptar a novas realidades são de fundamental importância. Estar
atento às mudanças é vital, pois leva os donos das gráficas a
buscarem uma redefinição mais cedo, levando sua empresa a não ficar
com máquinas paradas ou trabalhar no vermelho, “só para fazer papel”
a fim de pagar seus compromissos.
Aqui vai uma dica para os senhores gráficos. No
planejamento estratégico da sua empresa, você contempla a
verificação de cada fase do ciclo de andamento da sua atuação no
mercado, bem como da atuação interna de seus funcionários com
relação a cada orçamento ou pedido, de forma equilibrada? Você tem
certeza de onde está posicionada a sua empresa no atual mercado em
que atua? Você conhece os sinais de advertência, ou seja, onde a
“luzinha vermelha” está piscando em sinal de alerta? Responder a
estas questões poderá ajudá-lo a mudar sua estratégia ou redefinir
suas ações - antes que seja tarde demais. Sucesso!
* Thomaz Caspary é
Engenheiro de Mídia Impressa, consultor de empresas e diretor da
Printconsult Ltda. (11) 3167-6939.
www.printconsult.com.br