Gráfico: é hora de acordar!
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Thomaz Caspary*
2009-01-04
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Mesmo correndo o risco de "chover no molhado",
pois já falei e repisei muito estes assuntos, o fato é que você,
amigo gráfico precisa definir exatamente os rumos de sua gráfica
agora em 2009, bem como os tipos de impressos que oferecerá e,
naturalmente, para quem. Concentre-se naquilo que traz resultado
para sua empresa. Lembre-se que ninguém pode fornecer tudo para
todos.
Nas últimas semanas, aumentou a percepção de que a
crise financeira é pior do que se imaginava. Suas ramificações na
economia mundial e aqui no Brasil parecem ser bem maiores do que se
diagnosticava. É possível, no entanto, que estas visões alarmistas
não venham a atingir negativamente a sua gráfica. Por esta razão,
precisamos refletir um pouco, sobre as medidas a tomar em nossa
empresa, a fim de que possamos flutuar numa “marola” (como disse
certa vez nosso presidente) em vez de submergir num “tsunami”.
No ano passado, o MIT (Massachusetts Institute of
Tecnology), nos Estados Unidos, publicou um estudo, em que revela
que executivos orientados para o resultado são movidos por um ciclo
virtuoso de crenças e comportamentos que os motiva a ir cada vez
mais longe. A conclusão do MIT foi: inteligência, criatividade e
conhecimento são essenciais para um bom gestor, mas somente a
eficácia na utilização desses atributos os converte em resultado.
Por eficácia entenda-se a utilização dosada desses atributos aliada
à gestão da equipe. E é isso que teremos que intuir e aprender para
que não haja um desgaste muito grande do empresário gráfico.
Teremos que cuidar de várias frentes ao mesmo
tempo e, para isso, necessitaremos de ferramentas de trabalho como,
por exemplo, sistemas de gestão, relatórios de análise confiáveis,
sejam através dos bons sistemas de gestão existentes no mercado ou
elaborados internamente através da indicação de especialistas em
análises de gráficas. A primeira e mais importante ferramenta, será
nosso “Plano de Negócios” acrescido do “Budget” (previsão de
faturamento e despesas) além é claro do acompanhamento diário de
nosso Fluxo de Caixa e de toda a movimentação de vendas, faturamento
e resultados de cada ordem de produção.
Forçosamente teremos que reestruturar nossa área
comercial, procurando em primeiro lugar, fazer a fidelização de
nossos já tradicionais clientes e implementando o “cross-selling”.
Teremos que buscar novos nichos e segmentos de mercado, justamente
aqueles que estarão sendo menos afetados pela crise econômica.
Alertamos, porém nossos amigos gráficos, que muitas empresas que
vinham honrando seus compromissos com regularidade, estão começando
a atrazar seus pagamentos e alguns até por conta da crise estão
deixando de pagar e renegociando prazos, o que afeta enormemente o
nosso fluxo de caixa. Convém, portanto fazer uma pesquisa no SERASA
ou SPC ou outra instituição de análise creditícia, antes de fechar o
pedido com seu cliente que sempre pagou direitinho.
Além disso, chegou a hora de rever os seus custos,
bem como os critérios adotados para a formação dos mesmos e
principalmente da formação do preço de vendas. A hora é também
propícia, para eliminar a velha tradição de colocar “gordurinhas”
com medo de errar nos cálculos. Se tivermos tudo sob controle, por
que razão o orçamentista estaria errando nos cálculos? Vários são os
fatores que nos levam a “errar” nos cálculos. O primeiro deles é que
o orçamentista é um simples “digitador de programa de orçamentos”
que não pensa como orçamentista e segue fielmente o que o programa
preconiza. Se o programa foi parametrizado com números médios do
mercado no lugar de números da empresa (pois o dono da gráfica não
tem os próprios números), certamente o resultado não será o real da
empresa. Uma segunda questão é a informação dada para orçamento por
parte do vendedor ou do cliente. Feito o orçamento e dado o preço
acabou. Na hora em que chegam os arquivos ou fotolitos, percebe-se
que existem “pequenas” diferenças entre o orçado e o serviço a
executar, sendo que na maioria das vezes o dono da gráfica, não
cobra a diferença, engolindo o prejuízo.
Na verdade, muitos empresários estão seriamente
preocupados com suas equipes. Para 60% dos empresários por nós
entrevistados, ter melhores funcionários em todas as áreas da
empresa, tanto em posições de vendas, administrativas, de
planejamento de produção e de custos e orçamentos, bem como no chão
de fábrica é a única solução para resolver a grande maioria dos
problemas da empresa. Infelizmente está muito difícil encontrar
estes elementos e, a única saída que vemos, é o treinamento de
pessoal, a começar pelo próprio dono da empresa, através de um
“coach” que o assessore, ou fazendo cursos nas instituições de
ensino e treinamento. Para o micro e pequeno empresário, podemos
sugerir o SEBRAE, as Abigraf’s e Sindigraf’s regionais bem como a
ABTG. Já para as outras funções, temos além das entidades acima
citadas o SENAI para os profissionais de gestão e chão de fábrica.
Gostaria de deixar novamente bem claro, neste momento, de que a
aquisição de um programa de gestão e, mesmo o treinamento não é
custo e deve ser encarado como investimento.
Repisando: Nada é mais fatal, para uma pequena ou
média gráfica, que uma estrutura com custos altos. Seja conservador
e cauteloso nesta área. Lembre-se: a sua equipe tomará como exemplo
suas atitudes. Será muito difícil envolver seus funcionários em uma
administração enxuta de custos se eles perceberem que você é um
grande gastador. Pense também em terceirização. Deixe para outras
empresas tarefas que não agreguem valor ou que você não possa
executar por causa de seu maquinário. Foque toda a sua atenção e a
de seu pessoal de PCP à atividade principal de sua empresa. Se você
fizer isso, poderá se tornar o melhor naquilo que faz e ainda por
cima ganhar dinheiro.
Durante o último Natal andei lendo muita coisa boa
para relaxar. Entre outras, li muitas coisas de Carlos Drummond de
Andrade entre as quais um poema chamado “Receita de Ano Novo” do
qual quero transcrever um pequeno trecho: “Para ganhar um Ano Novo
que mereça este nome, você, meu caro, tem de merecê-lo tem de
fazê-lo novo, eu sei que não é fácil, mas tente, experimente,
consciente. É dentro de você que o Ano Novo cochila e espera desde
sempre “. Feliz e próspero Ano Novo!
* Thomaz Caspary é
Engenheiro de Mídia Impressa, consultor
de empresas e diretor da Printconsult Ltda. (11) 3167-6939.
www.printconsult.com.br