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Thomaz Caspary*
2008-12-13 |
Certamente muitos de vocês vão se perguntar o que
significa o “desenho” acima, que na verdade é um ideograma chinês
que pode significar “crise” ou “oportunidade”. Gostaria, no entanto,
comentar em primeiro lugar o conteúdo de um e-mail que recebi esta
semana e que me preocupa bastante, em relação ao que acontece neste
planeta e, especificamente no Brasil. Diz este e-mail: “2009 SERÁ
UM ANO MUITO CANSATIVO” e continua assim:
Programe-se desde já!
Feriados 2009 – Brasil.
Enumerados todos os feriados, teremos, 13 Feriados
em dias úteis. Se somarmos aos feriados (sábados/domingos e
enforcarmos quando cair na ter/qui, teremos 44 dias de feriadões!).
O ano tem 365 dias, são 52 semanas, portanto 104 dias de descanso,
você tem mais 30 dias de férias, são 13 feriados em 2009,
"enforcando" somamos mais 5 dias, assim iremos trabalhar somente:
(365 - (104+30+13+05)) = 213 dias. Isso significa que só
trabalharemos 58,35% do ano, ou 1.704 horas das 8.760 horas
que tem 01 ano, ou seja, nós trabalhamos somente 19,45% das
horas do ano. (Não estão computados nestes feriados os feriados
“especiais” de Carnaval no Nordeste e no Rio de Janeiro, as festas
juninas nos diversos centros nordestinos, as “Micaretas”, os
feriados gaúchos e catarinenses, bem como os feriados locais de
aniversário das diversas cidades do Brasil ou de seus herois). E
você ainda quer mais descanso? Reclama do quê?
E depois falamos de “crise”, ou de “turbulências”,
reclamamos que a gráfica não tem lucratividade. Chegamos a 2009.
– A conjuntura econômica apresenta sinais díspares. Assim como
chega, vai embora. Pode demorar um pouco mais para uns do que para
outros. O gráfico que tiver a cabeça no lugar e não entrar em pânico
poderá além de sobreviver, vislumbrar até progresso, poderá crescer
na recessão, poderá superar esta “crise” aproveitando as
“oportunidades” dadas pelo mercado. Para isso terá no entanto que
seguir algumas regras. Dizia Nizan Guanaes, nos idos de 1990, que
existem os empresários que choram, enquanto que os outros fabricam e
vendem lenços. Pelo que tenho lido, principalmente em relatórios do
FMI, Banco Mundial e em artigos de famosos jornalistas econômicos
dos USA, Europa e Brasil, a crise terá uma duração mínima de 6 a 9
meses, quando deverá amainar lentamente. Aqueles que estiverem
estruturados, não terão que esperar tanto tempo. Teremos que
trabalhar com afinco para que a nossa gráfica supere rapidamente
estes tempos difíceis. Sempre é possível descobrir caminhos
promissores mesmo que estes estejam escondidos nestes momentos menos
favoráveis. Isso é o que diz a milenar sabedoria chinesa, em que
crise e oportunidade se complementam na mesma palavra, formada pelos
dois ideogramas acima. Amália Sina em seu livro “Crise e
Oportunidade” (Editora Saraiva), diz: “A crise é uma porta para a
autodescoberta. Somos forçados a buscar soluções, a rever posições,
a arriscar e conquistar novos territórios. Não porque queremos, mas
porque não existe outra possibilidade” e continua: “A pressão
emocional dispara dentro de nós o instinto natural de lutar para
vencer. Nas adversidades, desenvolvemos a força interior,
responsável por nossas vitórias. Sem crise, a vida seria como o mar
sem as ondas”.
Quando chega um novo ano e dentro de um mês
estaremos entrando em 2009, a maioria das pessoas procura sempre
renovar velhas promessas e intenções que nunca conseguem cumprir,
porque não têm um plano de ação que as leve aos resultados
desejados, ainda mais neste momento onde a crise mundial, nos deixa
bastante inseguros. De certa forma a história continua sempre a
mesma, mudando-se apenas os personagens. O momento atual na nossa
cinzenta economia, que realmente não é mais uma simples “marola”,
nos leva a buscar soluções de sobrevivência e eventualmente até bons
resultados, sendo que alguns gráficos estão enxergando um universo
mais otimista para suas empresas. Apesar disso, entendo que o mundo
é dividido em dois tipos de pessoas: os motivados que fazem... E os
desmotivados que sempre reclamam. Porém, não adianta ficar na
irresponsabilidade da lamentação, precisamos construir resultados a
partir de um plano de negócios. Os otimistas quase sempre enxergam
oportunidades nas dificuldades e os pessimistas enxergam
dificuldades nas oportunidades.
Más o que devemos fazer na prática para sobreviver
a este “tsunami”? Em conversas com donos de grandes gráficas tenho
percebido que acreditam na inovação tecnológica e de gestão bem como
no treinamento próprio e de seu pessoal como prioridade. Encontrar
novas fórmulas e caminhos mais inteligentes e constantemente inovar
em sua estratégia, pode ser uma saída segura. Fundamentalmente
teremos que fazer uma reciclagem em nosso planejamento estratégico e
ficar de olho (com lupa) no nosso fluxo de caixa.
Com a economia instável como é o caso neste
momento, os impactos sofridos pelas nossas gráficas serão diversos e
se darão rapidamente. Portanto, luta-se contra o tempo. A velocidade
nas mudanças é uma das grandes características das empresas que se
manterão no mercado com um novo modelo de operação. Infelizmente,
meu amigo, não existe mais posição confortável e as gráficas que não
buscarem seu realinhamento enfrentarão um risco maior de sair do
mercado. Portanto mãos a obra e comecem desde já a trabalhar com
afinco. Aqui algumas diretrizes básicas:
Faça uma revisão em seus custos fixos
imediatamente.
Analise a sua oferta ao cliente, revendo o
custo dos materiais e de serviços e feche o preço, com base em
Lucro e Contribuição Marginal.
Analise diariamente a performance das vendas
e de sua equipe.
Refaça sua política de Compras. Amplie o
número de fornecedores.
Seja muito rígido no item Qualidade de
Materiais e Processos.
Faça o seu PCP funcionar sem desvios e sem “bypass”.
Implante Boas Práticas com Normas e
Procedimentos.
Analise diariamente sua produção e
produtividade.
Reduza os desperdícios de material e horas
improdutivas.
Faça o Pós-Cálculo de cada Ordem de Serviço.
Poderíamos enumerar mais uma série de
procedimentos, onde naturalmente a análise do fluxo de caixa e o
controle financeiro estão em primeiro lugar. O dono da gráfica
precisa ter os horizontes bem abertos, enxergar valores, reter seus
melhores funcionários, ter disposição para reaprender, capacidade de
se adaptar, equilíbrio e coerência entre discurso e prática. Não vá
atrás do que “os colegas” estão fazendo ou falando. Controle a sua
própria gráfica estabelecendo seus próprios critérios. Se necessitar
de ajuda, procure um consultor, seu sindicato, a Abigraf ou a ABTG.
Neste ano de 2009 teremos tudo para construir a
grande diferença, seja no na área gráfica, ou seja, na economia como
um todo. Sabemos que passamos por momentos difíceis. Qualquer leigo
sabe hoje que o nosso país deveria estar crescendo pelo menos 4% ao
ano, o que em função da situação global não deverá acontecer. Más,
cresceremos sim! Será que não temos tecnologias? Será que ficamos
obsoletos? Nada disso... O nosso país está muito próximo de se
tornar em poucos anos, uma das maiores economias do mundo. Isso
depende também de você!
* Thomaz Caspary é
Engenheiro de Mídia Impressa, consultor
de empresas e diretor da Printconsult Ltda. (11) 3167-6939.
www.printconsult.com.br