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Thomaz Caspary*
2008-11-03 |
Temos recebido constantemente e-mails nos
perguntando como montar uma gráfica ou, que máquinas devo comprar
para montar uma gráfica. Estas perguntas vêm das mais incríveis
regiões do Brasil, como por exemplo, Chapadão do Céu em Goiás,
cidade com perto de 4.800 habitantes. Recebemos também e-mails de
pequenas cidades de quase todos os estados do Brasil como Congonhal
(MG), Miranda (MS), Itamarajú (BA) e dezenas de outras cidades,
inclusive de Portugal, onde recebemos um e-mail nos solicitando o
seguinte: “Estou a pensar em abrir uma gráfica em Viana do Castelo,
mas não sei se o negócio é rentável? Será que vale a pena investir?
Gostaria de ter algo diferente, mas não sei por onde começar”. Porém
dentre as perguntas mais pitorescas recebemos de Natal (RN) a
seguinte pergunta: “Senhores, tenho em minha casa um computador PC
com programa Windows 2000. Gostaria de abrir em minha casa uma
gráfica digital e queria saber os equipamentos que devo comprar para
conectar ao meu computador. Isso é muito caro? Onde encontro e que
marcas vocês me aconselham?”
Resolvemos escrever este artigo hoje, para
elucidar os principais pontos que devem ser levados em conta, ao se
abrir uma gráfica. Existem muitos aspectos que influem decisivamente
para a montagem da gráfica que queremos montar. Entre eles, podemos
citar:
Que tipo de impressos vai imprimir?
Existem outras gráficas em minha
cidade. O que fazem?
Em que regiões pretendo oferecer os
impressos?
Quanto tenho para gastar? – Preciso de
um empréstimo?
Uma vez definidos estes quatro pontos básicos,
vamos verificar agora o que realmente interessa e que, na verdade
não é pouco. Em primeiro lugar, você sentiu se tem capacidade
empreendedora e pretende tornar-se um empresário? Imagine-se em
primeiro lugar comandando uma gráfica. Algumas pessoas, ou por terem
saído de gráfica onde trabalharam muito tempo ou por terem recebido
uma máquina usada como parte de pagamento de indemnização resolvem
abrir uma gráfica somente porque ouviram dizer que o mercado é muito
bom para tal actividade. Se você não se sentir bem fazendo o que
gosta, ou gostar da sua futura actividade, não será feliz e,
consequentemente, seu negócio estará fadado ao fracasso. Se tiver
sócio, seja parente ou não, será ele agradável na convivência
empresarial como na vida particular?
Conheça as necessidades legais para abrir sua
gráfica. Não deixe de legalizar sua empresa. Gráficas que trabalham
na formalidade facturam mais que as informais. Consulte sempre um
bom contador, que será seu braço direito na legalização do seu
negócio, fazendo um planeamento tributário estratégico adequado a
sua actividade.
A escolha do local é vital para seu negócio. O que
você deve considerar é se precisará do fluxo de muitas pessoas, caso
você pretenda abrir uma copiadora ou gráfica rápida (neste caso
considere um ponto de frente de rua ou em shopping) ou se seu
negócio não depende deste fluxo, pois você terá vendedores que vão à
empresa dos clientes. Verifique o valor do metro quadrado dos locais
onde pretende instalar sua empresa e veja as outras opções como
necessidade de estacionamento. Talvez a escolha de um galpão em ruas
secundárias ou mesmo fora do centro da cidade pode resolver o seu
problema de localização. Essa escolha deve levar em conta a
facilidade do fluxo de pessoas e ainda a entrega dos seus impressos.
E não deixe de considerar a venda pela internet que nos dias de
hoje, principalmente para gráficas rápidas, com o envio de arquivos
pela Net é coisa bastante comum. Certifique-se, no entanto, com
relação à capacidade de seu provedor e da qualidade de transmissão.
Faça uma projecção das receitas e despesas.
Pesquise primeiramente em outras gráficas, quanto é viável facturar
nos meses iniciais dependendo do segmento de mercado no qual você
pretende atuar. Projete receitas menores e para, pelo menos, um ano
e não fique muito empolgado. Se os números de seu facturamento forem
positivamente maiores do que você pensou, óptimo!
Custos fixos, como alugueis, energia eléctrica,
telefone, salários, contador, taxas diversas, internet, impostos
fixos, divulgação, material de escritório, pró-labore, bem
como os custos variáveis, como papel, tinta, chapas, materiais de
consumos industriais, impostos sobre vendas, comissões, etc., devem
ser seriamente considerados antes de você pensar em comprar qualquer
máquina. Tudo isso e mais um pouco deve ser projectado para que você
tenha a real noção de quanto irá precisar para manter a sua empresa
aberta. “Prudência e Canja de Galinha não fazem mal a ninguém”.
Essencial na vida de toda gráfica é conhecer o
mercado que se quer atingir, pois sem vendas a empresa não
sobrevive. Para vender bem é necessário ter políticas de mercado,
impressos diferenciados, bons relacionamentos, boa equipe de vendas
conhecedora dos impressos que vende e, principalmente, formas de
divulgação da sua gráfica, como por exemplo, um Site na Internet,
que hoje em dia custa uma bagatela.
Os preços de seus produtos deverão ser adequados
aos custos da sua gráfica e à estratégia da empresa – não sem
considerar o mercado – e uma equipe de vendas eficiente. Hoje, as
pequenas gráficas, representam no Brasil, perto de 96% de todas as
gráficas brasileiras. Sabe-se que por ano fecham muitas e abrem-se
outras tantas. Um estudo do IBGE diz que se mal administrada uma
gráfica não sobrevive mais de um ano. Em alguns casos chega a três
anos. Agora, se bem administrada desde o seu planeamento (plano de
negócios), poderá em pouco tempo se trans formar em uma empresa de
médio porte, chegando em alguns casos a ser uma grande gráfica.
Precisamos nos informatizar para pelo menos ter um programa de
gestão de custos e formação do preço de venda. A época do Papel x 3
ou mesmo de “copiar” o valor da hora-máquina do vizinho, acabou.
Existe um estudo do SEBRAE que diz que nas micro-e-pequenas
empresas, apenas 47% tem sistemas informatizados das quais metade
tem somente um computador. Temos empresas especializadas em software
para gráficas para todos os tamanhos de empresa, do Norte e Nordeste
do Brasil, até o extremo Sul.
Sem planeamento e controles de custos e da
produção, além de compras bem esquematizadas não há como perpetuar a
sua gráfica. Organize sua gráfica como se ela fosse futuramente
transformar-se em uma grande empresa. Documente tudo, planeje as
vendas e a produção, projecte a sua necessidade de capital humano e
como mantê-los na empresa através de treinamentos constantes e
outros atractivos, não necessariamente pecuniários.
Elabore em seu plano de negócios a missão e visão
da sua gráfica, controles adequados de estoques e não se esqueça de
que serão necessários líderes (não necessariamente chefes) para essa
gráfica andar. As empresas geralmente são montadas para realizar os
sonhos de pessoas. Os seus (como dono da gráfica), o sonho de seus
clientes (recebendo um impresso de qualidade no prazo certo e com
preço justo), de seus funcionários (trabalhando em um ambiente de
cordialidade, recebendo treinamento para crescer na profissão) e
também seus fornecedores que são praticamente sua fonte de
suprimentos e muitas vezes até de crédito.
Considere que na hora de você montar a sua
gráfica, todos precisam estar felizes, motivados, tendo alegria ao
relacionar-se com sua empresa. Não é só comprar este ou aquele
equipamento. Respondendo ao amigo de Portugal que pergunta se o
negócio será rentável. Sim, a gráfica é um negócio rentável, se você
seguir determinadas premissas de administração Marketing, Vendas e
actualização tecnológica. Se começar uma gráfica, sem planeamento e
com máquinas usadas compradas de alguém desesperado para vender bem
baratinho, uma máquina que nunca viu manutenção na vida, certamente
você terá dores de cabeça. E não serão poucas. As empresas têm uma
missão social antes de tudo. Pesquise o que essas pessoas desejam
com a sua gráfica. E atenda a esses anseios. O lucro virá como
consequência.
* Thomaz Caspary é
Engenheiro de Mídia Impressa, consultor
de empresas e diretor da Printconsult Ltda. (11) 3167-6939.
www.printconsult.com.br