As Boas Práticas de Fabricação
e os factores ambientais


 

Thomaz Caspary*
2008-10-01

 

 

Quem visitou a DRUPA 2008, teve oportunidade de se inteirar não só das novidades tecnológicas em todos os sectores de uma gráfica e de seus consumíveis, bem como de todos os aprimoramentos e tecnologias de pré-impressão, impressão e acabamento nas diversas modalidades gráficas, desde offset, flexografia, tampografia, serigrafia e rotogravura, até os tremendos avanços em todos os segmentos da impressão digital. Puderam inclusive ver os diferentes sistemas de gestão existentes no mercado, inclusive com relação às empresas, portuguesa e brasileiras que lá expuseram.

 

Após a DRUPA, tivemos a oportunidade de visitar por uma semana um seminário de actualização tecnológica em uma conhecida faculdade gráfica da Alemanha, onde o tema era: “Os avanços das Boas Práticas de Fabricação (BPF) e seu envolvimento com os factores ambientais”. Ficou claro, que as Boas Práticas de Fabricação já há algum tempo na Europa, se segmentaram por especialidade gráfica, além de incluir de maneira muito intensa, toda a área que repercute na “conquista do verde”, ou seja, na redução da poluição ambiental e principalmente da saúde do ser humano, quando de seu trabalho na empresa gráfica. Isto inclui Normas e Procedimentos na área de Compras de Material, Controle da Qualidade da matéria prima e de produtos auxiliares de produção, bem como normas e procedimentos de trabalho do ponto de vista de higiene e segurança do operador. Todo este complexo de actividades de gestão fabril, fazem hoje parte das Boas Práticas de Fabricação. Já na área da fabricação de embalagens (em várias tecnologias de impressão e substratos), principalmente para alimentos, farmacêuticos, brinquedos e outros materiais que tenham contacto com o ser humano, existem normas específicas, adequadas a cada segmento consumidor da embalagem.

 

No Brasil, o processo de capacitação técnico-profissional, infelizmente está nivelado abaixo da média mundial se levarmos em conta os países ditos de primeiro mundo. Portanto, estamos com uma desvantagem competitiva frente ao mundo globalizado, onde a procura de profissionais competentes, do mercado emergente, exige um novo profissional, adaptado para o trabalho, encarando suas tarefas sem o conforto do “deixa pra lá, que a gente se vira”. O novo profissional tem que ter a mente aberta para a realidade actual. É preciso antecipar as acções, vista que estamos testemunhando uma transformação da atitude com relação ao ambiente, com enormes dimensões, que envolvem outros campos, tais como: o político, jurídico, social e outros.

 

Vivemos na sociedade contemporânea, a cultura da informação com a velocidade da informática. Produzir impressos será relativamente fácil, sendo que a necessidade de intervenção humana neste processo produtivo, cada vez será menor. Os "bons" empregos (aqueles onde não havia tanta necessidade de conhecimentos técnicos e administrativos) estão desaparecendo. Existem estudos estatísticos do Banco Mundial que em 1990 as grandes companhias geravam cerca de 50% do emprego. Hoje, este número é de 32% e continuarão em queda. Estamos presenciando um fato interessante. A era do emprego está agonizando enquanto está surgindo a era do trabalho.

 

Isto explica a necessidade de nossos colaboradores e, por que não dizer, também de nossos empresários gráficos, pelo conhecimento e informação. Já estamos sentindo no mercado gráfico, falta de mão de obra especializada nas novas tecnologias. A Printconsult recebe em média 15 currículos por dia solicitando emprego. A margem de aproveitamento dos solicitantes destes currículos é de 5% a no máximo 8%, por falta de conhecimento técnico, da ausência mesmo de uma formação académica em cargos de liderança, quase total ausência de conhecimentos de inglês, e poderíamos citar ainda total desconhecimento das novas tecnologias, principalmente na área materiais e processos, além é claro das necessidades de cuidados ambientais.

 

Temos que treinar imediatamente nossas equipes. O empresário gráfico necessita de reciclagem. Precisamos implantar Boas Práticas de Fabricação em nossas empresas, pois senão seremos atropelados por aquelas que já as implantaram, ou mesmo as que já possuem certificação ISO 9000 ou 14000 e as poucas que já dispõe no Brasil de certificação ambiental. Referimo-nos igualmente aos fornecedores de produtos auxiliares de produção como químicos, adesivos e material de limpeza.

 

Teremos que desenvolver no nosso colaborador, uma capacidade de empreendedorismo, para actuar como um parceiro “co–empresário”, um empreendedor do seu próprio posto de trabalho, ampliando sua visão para um ambiente global voltado também para o factor ambiental. É uma tendência irreversível de transformação do produto e do serviço gráfico. Embora o ser humano seja o diferencial competitivo, é estratégico que as gráficas façam a implantação das Boas Práticas de Fabricação com esta moderna visão, transferindo a responsabilidade do negócio gerar lucro, a todos os envolvidos no processo, sejam operadores, chefes, gerentes e a própria direcção.

 

Precisamos adequar a área de Recursos Humanos ou a Alta Gerência, ao sistema global de produtividade e competitividade, e engajar todos a esta nova realidade, ou seja, implantação de Boas Práticas com visão tecnológica e ambiental. Temos que ter em mente, de que se o negócio não der lucro, não haverá sobreviventes. Portanto, cada um é responsável pela permanência da sua empresa gráfica no mercado. Tome a sua decisão! 

 

Artigo publicado na Revista Publish n.º 97


* Thomaz Caspary é Engenheiro de Mídia Impressa, consultor de empresas e diretor da Printconsult Ltda. (11) 3167-6939. www.printconsult.com.br

 

 

 

 

 

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