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Thomaz Caspary
2008-02-12 |
O título deste artigo tem como autor o consultor
Roberto Tranjan, texto esse, inserido em um de seus livros, que me
foi presenteado por uma pujante empresária gráfica brasileira.
Realmente, esta frase dá o que pensar, principalmente se fizermos
uma observação do grande número de donos de pequenas e médias
gráficas, que não querem correr nenhum risco, não fazem nada para
evoluir, não tem nada, não são nada e reclamam muito. Um velho
ditado diz: Devemos correr riscos, pois o maior perigo é não
arriscar nada...
Despertar é sinônimo de acordar. Acordar
para a vida, acordar para o mercado, acordar para sua empresa.
Existem alguns gráficos que pela manhã caem da cama ou são jogados
para fora da cama, mas passam o dia dormindo. Outros acreditem,
passam a vida toda e não conseguem despertar.
Gerenciar a nossa gráfica é uma tarefa que depende
muito mais da nossa alma. Relatórios econômico-financeiros muitas
vezes são feitos com atraso e, portanto de pouca valia. Outros
relatórios nem sempre concretos, trazem faturamento, lucro, custos e
medem ganhos e perdas. No entanto não informam os fatores que
ocasionaram os ganhos ou as perdas. Ter um relatório com diversos
indicadores, não garante que a nossa gráfica terá resultados.
Para que tenhamos bons resultados, temos que
despertar para o nosso relacionamento com o mercado, com a nossa
equipe, com as novas tecnologias de informação, enfim, temos que
despertar para a vida! Para a nossa vida em primeiro lugar e para a
vida da nossa equipe logo em seguida.
Por que razões temos dificuldade em administrar
nossa gráfica? Não despertamos ainda para o mercado. Pensamos só na
nossa empresa. Investimos muito e faturamos muito pouco. Não nos
preocupamos com nossa equipe de vendas e da administração destas
vendas. Nos preocupamos em fazer as máquinas girar, em visitar
muitos clientes sem nos preocupar com a qualidade destas visitas.
Somos predadores por excelência. Damos sempre um
preço mais baixo do que o nosso concorrente (sem analisar o nosso
custo). Oferecemos somente impressos que todo mundo faz, como, por
exemplo, Notas Fiscais, Folhetos em PB, Impressos Publicitários, ou
seja, commodities.
Estamos correndo num círculo vicioso (como o
cachorro que corre atrás do próprio rabo), e afundando cada dia
mais. O que fazer para finalmente despertar e sair deste berço
esplêndido? (Texto do Hino Nacional Brasileiro). Temos que nos
voltar para três itens fundamentais: O primeiro é a Informação.
Só teremos informação se começarmos a anotar as coisas, se nós nos
servirmos de sistemas de gestão coerentes com o tamanho da nossa
gráfica. O segundo ponto é darmos mais ênfase aos nossos clientes,
tratando-os como peça fundamental da engrenagem que move nossa
empresa. Precisamos em terceiro lugar, despertar para uma
palavra muito importante: o lucro, sem o qual certamente não
poderemos sobreviver.
Como é que a gente conseguirá este milagre?
Certamente não existem milagres e sim algumas técnicas que se
iniciam na adoção de sistemas de informação, passando pela criação
de impressos com valor agregado que se consegue através de uma
melhor integração com os diversos nichos de mercado e principalmente
com a fidelização de clientes.
O gráfico só pensa em comprar máquinas
impressoras, pouco se importando com outras tecnologias. A
tecnologia da administração da nossa gráfica é tão ou mais
importante que a aquisição de máquinas e equipamentos. Você
administra bem, a sua venda? Qual a produtividade da sua empresa?
Chega aos 92% ou continua entre 55% e 70% das horas produtivas? Você
sabe muito bem que a oferta supera a demanda, a pressão de preços é
imensa, tanto por questões culturais (Você também não pede desconto
quando compra alguma coisa?), como por preços predatórios oferecidos
pelo seu amigo concorrente, além dos sócios de nossa empresa, como o
governo e os bancos?
O empresário gráfico não tem outra saída a não ser
despertar imediatamente para a nossa realidade, principalmente neste
momento, onde a economia, ante todos os indicadores econômicos e
financeiros, parece se recuperar. Isso só será possível se ele
deixar de pensar como gráfico e começar a pensar como empresário.
Como empresário você deve saber que o seu cliente quer comprar o
mais barato possível, com prazos de entrega para ontem e com
qualidade, naturalmente. Você acha que seu cliente se importa se a
sua gráfica tem lucro ou prejuízo? Certamente que não. A preocupação
é exclusivamente sua e parece que no momento a sua preocupação é com
o faturamento. Portanto você pega qualquer serviço, desde que as
suas máquinas rodem. Você precisa fazer duplicatas para poder pagar
seus compromissos!
Desperte! Comece a viver em toda a sua
plenitude! Seja criativo, principalmente no que diz respeito à
rentabilidade da sua gráfica. Não faça investimentos desnecessários.
Lute para que sua gráfica obtenha lucro. É melhor reduzir o
faturamento e os custos obtendo lucro, do que aumentar o faturamento
e não saber se realmente está ganhando. Não vá atrás do seu colega
gráfico usando a mesma metodologia, pois as estruturas humanas de
ambas as empresas podem ser totalmente diferentes. É preferível se
voltar totalmente ao mercado, criando valores agregados em seus
produtos gráficos para realmente solucionar os problemas do cliente
e com isso voltar a viver... Como dissemos no início: A vida não
começa quando se nasce... ACORDE!!!
Thomaz Caspary é consultor
de empresas e diretor da Printconsult Ltda. (11) 3167-6939.
www.printconsult.com.br