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Thomaz Caspary
2007-11-01 |
Meus amigos. Pensei muito antes de escrever este
artigo. Li durante várias semanas as previsões econômicas e de
negócios, de famosos do mundo inteiro, em relação ao Brasil à
América Latina e parte da Europa. Passaram por mim, artigos de
Armínio Fraga, Alberto Tammer, Guido Mantega, Maílson da Nóbrega e
muitos outros brasileiros, além de Robin Cooper, Shoshana Zuboff,
John Brown, Don Peppers entre outros. Uma verdadeira “gangorra de
opiniões”, que foram do pessimismo, passando pelas incertezas e
finalmente aterrisando no otimismo.Os otimistas prevêem um
crescimento de 6,5% sendo que os pessimistas ficam com 4,5% (no
Brasil). Em um excelente discurso, na posse dos novos presidentes
das Associações Gráficas do Brasil, o Presidente da Abigraf
Nacional, Mário César de Camargo, apresentou dados mostrando um
forte aquecimento na Indústria Gráfica, com investimentos em 2007
superiores a US$ 1 Bilhão em equipamentos e um crescimento médio
previsto de 5,5% em 2008.
Fiquei na dúvida. Conversei com Videntes e
Astrólogos. Dois mil e oito, será para os Chineses e Japoneses o Ano
do Rato que promete Fartura e Sucesso. As cartas de Tarô prometem
mudanças. Estas mudanças, no entanto, poderão ser para melhor ou
não, dependendo de como o gráfico agir em sua empresa. Também o “I
Ching” que em 2008 será regido pelo hexagrama 10, fala em conduta,
ou seja, pede equilíbrio nas decisões empresariais. Finalmente os
Astrólogos, falam em um bom ano, dizendo aos empresários que tenham
ousadia e liderança.
Sabemos que o ano de 2008 será o ano onde o
consumidor brasileiro, em função das facilidades de crédito,
comprará mais. Isto fará com que os pedidos nas indústrias inclusive
na Indústria Gráfica aumentem. Aí começa a nossa ousadia em liderar
a produção que terá que ser mais enxuta, em termos da necessidade do
aumento da produtividade e da redução do desperdício. Neste momento,
a liderança deverá imperar e para isso, teremos que introduzir novos
conceitos de produtividade, aplicando as “Boas Práticas” e
implantando um PCP (Planejamento e Controle da Produção) com dados
estatísticos suficientes para um perfeito Pós-Cálculo. Teremos que
adotar uma filosofia operacional, que nos dê uma forma de
especificar e controlar os valores da produção, sendo que para isso,
seremos obrigados a alinhar na melhor seqüência, as ações que criam
valor.
Os problemas da Indústria Gráfica, na verdade,
continuam os mesmos. As grandes empresas gráficas (perto de 3% do
número de gráficas brasileiras), já tem boa parte destes conceitos
assimilados, porém pecam ainda pela falta de alguns conceitos como
as “Boas Práticas de Fabricação”, Plano de Negócios e Controles
Fundamentais na área Mercadológica (Custo-Benefício e Margem de
Contribuição, por cliente, por vendedor e por segmento de mercado),
que necessitam do pós-cálculo que é fundamental para se chegar a
estes resultados. Não me canso de repetir, que temos ótimas empresas
de Software de Gestão de Custos e Vendas, aliados ao PCP, Compras e
outros departamentos, tudo integrado em um só pacote.
Más o que fazer com os 97% do restante das
gráficas, ou seja, o micro, pequeno e médio empresário? Estes donos
de gráfica devem ao menos fazer sua lição de casa, implantando seus
custos e orçando corretamente, sem “gorduras”, o que certamente
conseguirão com os cursos ministrados pelas entidades gráficas e
escolas ou institutos superiores profissionalizantes de Portugal
como o ISEC, IPT, IPP, ESART, IPL e muitas outras
entidades de sua cidade ou região, ou mesmo levados à sua região
pelos técnicos das empresas de Gestão de Custos. A implantação das
“Boas Práticas de Fabricação & Gestão” serve para qualquer tamanho
de gráfica e naturalmente um PCP pode ser simplificado para pequenas
empresas, de dois funcionários em diante. O mais importante é que o
dono da gráfica tenha em mãos a ferramenta mais importante para o
seu trabalho: A Informação.
O Planejamento por si só, não faz nada pela sua
empresa. Ele depende de suas atitudes efetivas (da sua ousadia) para
concretizá-lo no dia-a-dia da empresa. Outro fato muito comum com
relação às pequenas gráficas, quando se comparam com as grandes,
consiste em dizer, que as pequenas não possuem verba para fazer o
que as grandes fazem, evidentemente consideradas as proporções. Isso
não é verdade, a frase correta seria: Não temos tanta
disponibilidade de valores, quanto elas para fazer o que elas fazem.
O que acontece em geral, é que as pequenas e médias empresas
gráficas, se esquecem de destinar parte do lucro para ser
reinvestido no negócio em favor do próprio bolso. Dizem que sou
muito “ácido” e até bastante severo, quando falo assim com o
gráfico. Porém vejo sempre que é mais importante ter um carro novo,
do que investir, por exemplo, num software de gestão, em treinamento
da gerência ou dos funcionários, ou ainda, no próprio treinamento.
Más nem tudo são flores... Teremos alguns
problemas, sim. Em função do crescimento da economia e das
necessidades de nossos clientes, com conseqüente aumento da nossa
eficácia em todos os níveis, sejamos pequenas ou mega-gráficas.
Existe um crescente desnível entre as necessidades técnicas e de
gestão, dos atuais quadros de nossas empresas, aptos a desempenhar
suas funções profissionais. Na DRUPA 2008, isso se tornará ainda
mais visível, pois só a tecnologia inovadora não basta. Teremos
alguns problemas em conseguir funcionários em todas as áreas,
verdadeiramente capacitados para enfrentar estes novos desafios.
Realmente iremos necessitar de idéias novas, para resolver problemas
técnicos, mercadológicos e de gestão, que em grande parte são, na
realidade, velhos problemas. Tudo parece continuar dentro da
normalidade, porém se não agirmos com ousadia e liderança, os anos
que se seguem nos colocarão diante de um quadro pessimista.
Thomaz Caspary é consultor
de empresas e diretor da Printconsult Ltda. (11) 3167-6939.
www.printconsult.com.br