Porque as coisas não acontecem
em nossa gráfica? É o que muitos se perguntam e dificilmente tentam
compreender as causas. É impossível fazer parte de um ambiente de
trabalho e não ter que enfrentar nenhuma espécie de conflito.
Conflitos fazem parte das relações humanas e quando estas relações
envolvem “problemas”, muitos fogem, para não enfrenta-los.

Tenho a impressão muitas vezes
ao entrar em uma gráfica de estar sentado na platéia de algum
teatro, assistindo um “drama” se desenrolar. O mesmo acontece com
muitos dirigentes de nossas empresas, que assistem de camarote
planejamentos fracassando em função do não envolvimento direto com a
execução. Uma das causas desta “contemplação” dos problemas é o
estresse que vem cada vez mais, atingindo nossos empresários. A
involuntária “indiferença” do empresário e a tendência aparentemente
democrática de tornar estes problemas polêmicos colocando sempre a
culpa nos “outros” que sempre levam a culpa de tudo o que acontece
na gráfica, me parece ser acima de tudo, um caso de falta de
conhecimento de gestão empresarial.
Fazer com que aquilo que foi
planejado para a empresa seja realmente executado é nos dias de hoje
o maior desafio do empresário gráfico. Muitos gerentes e até
consultores, apresentam soluções realmente factíveis e que pela
experiência, trazem os resultados esperados. Infelizmente o
empresário ou mesmo o diretor responsável pela área atingida pelos
problemas, não tem o mesmo entusiasmo em executar as idéias
propostas, em todos seus detalhes, até que apresentem os resultados
desejados.
Será que nossos gerentes,
diretores e mesmo empresários conseguem assumir seu papel de “agente
ativo?” Será que este ser humano, inteligente e dotado de muita
força de vontade consegue abandonar sua postura atual, mediante a
qual transfere a responsabilidade dos assuntos àqueles “misteriosos”
outros que levam a culpa por tudo de errado que acontece na gráfica?
Outro dia “saquei” uma coisa em
determinada gráfica onde a execução das atividades planejadas por
grupos de gerentes ou mesmo por consultores, era uma coisa
“enfadonha” para o responsável e porisso deveria ser delegada.
Delegar e não cobrar o que foi delegado é a primeira das razões
porque as coisas não acontecem. Os famosos planos e tarefas, não
saem do papel. As Normas e Procedimentos, não são aplicadas.
Também... Ninguém controla!!! Os dirigentes, chefes, gerentes,
líderes em todos os níveis, precisam urgentemente se envolver
pessoalmente nas atividades delegadas. Um gerente não pode ficar
sentado em sua cadeira esperando que seus subordinados tragam
resultados. Ele precisa urgentemente garantir para que o que foi
pactuado no planejamento ou mesmo na observação das normas e
procedimentos traga os resultados desejados.
A implantação de Boas Práticas
de Fabricação ou de Gestão por Qualidade, só irá funcionar, se as
metas e normas propostas forem cobradas pontualmente. A informação
formal (por escrito em forma de relatórios, etc...) é uma condição
básica para que se possa atingir as metas desejadas. O empresário,
diretor ou gerente ao se envolver diretamente na execução, sabe se
as pessoas certas estão nos seus devidos lugares e têm as condições
básicas para desenvolver o trabalho que lhe foi delegado. Caso
contrário, teremos a pessoa errada no lugar errado e nossa gráfica
simplesmente vai “pro brejo!”.
Qual a solução imediata?
Implantar sistemas de informação em todos os níveis, desde a
telefonia e depois a área comercial, passando pelo pré-cálculo que
deverá estar alimentado com dados corretos, tanto de produtividade,
como de custos, preços de material e serviços de terceiros.
Suprimentos deverão constantemente alimentar todos os setores
envolvidos, com informações. O PCP diretamente ligado à área
comercial desempenha também um papel importantíssimo na empresa e
não deve ser delegado a qualquer um. O controle da produção, os
relatórios de todas as áreas (Comercial, Produção e Finanças) além
de um pós-cálculo diário, não é sofisticação nem despesa. É um
investimento de retorno imediato.
Não há dúvida de que temos
inúmeros conflitos na empresa, sejam de ordem pessoal, técnica, da
qualificação da nossa mão de obra e mesmo, problemas familiares.
Para resolver um conflito desta ordem, onde as coisas não acontecem,
o empresário deve reconhecer os problemas e enfrenta-los.O gestor
deve ser imparcial (o que muitas vezes não acontece por envolvimento
pessoal com outros colaboradores) na hora de encontrar uma solução.
Caso o próprio gestor faça parte do problema, é aconselhável trazer
uma pessoa de fora que analisará o problema com maior isenção.
Saiba meu amigo gráfico, que
nenhuma empresa vive permanentemente num clima de guerra. Muitas
pessoas dentro da empresa tendem a inflacionar a gravidade das
coisas para chamar atenção e conseguir com isso uma “benção”
favorável. O importante para o empresário, no entanto, é gerenciar
em cima de fatos e não de opiniões.
Thomaz Caspary é consultor
de empresas e diretor da Printconsult Ltda. (11) 3167-6939.
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