Produção Magra na Indústria Gráfica

Rui Sebrosa*
2008-01-28 |
Este artigo resume um modelo
de avaliação que desenvolvi para a Indústria
Gráfica no âmbito da minha Tese de Mestrado
em Engenharia Industrial na Faculdade de Ciências e Tecnologias da
Universidade Nova de Lisboa. Pretendo divulgar um modelo que permite
avaliar o actual sistema de produção de uma
empresa gráfica, e simultaneamente, mostrar as práticas
características do método de produção que revolucionou a indústria
automóvel na segunda metade do século XX.
A indústria gráfica tornou-se, nos últimos anos, muito mais
eficiente, e ganhou uma capacidade acrescida de resposta. A
Internet, as pressões concorrenciais e as tecnologias competitivas
traduziram-se em prazos mais curtos e serviços mais alargados. No
que se refere à produção gráfica impressa, isto exige operações e
processos internos mais eficientes (Niehueser, 2007).
|

Figura: Heidelberger Druckmaschinen AG |
Apesar de toda a evolução tecnológica a que temos assistido nas
últimas décadas, a gráfica continua a produzir tipicamente pelo
método de produção em massa (ou série), processo de produção que
remonta ao início do século XX, protagonizado por Henry Ford, e que
veio alterar os paradigmas do fabrico artesanal para o fabrico em
série.
Após a Segunda Grande Guerra (1939-45), enquanto a indústria
europeia e norte-americana dominavam os mercados, gozando de enormes
capacidades e recursos, o Japão foi confrontado com enormes
problemas e com a necessidade de reconstruir o país. A sua indústria
automóvel teve de enfrentar enormes problemas, associados à reduzida
disponibilidade de recursos (pessoas, espaço, materiais, etc.).
A empresa japonesa, Toyota Motors Company (TMC), descobriu que a
única forma de sobreviver era disponibilizar automóveis com algo que
os seus concorrentes ocidentais não tinham: variedade de produto,
enquanto que mantinham elevada qualidade e baixo custo. A TMC,
sujeita a uma feroz competitividade em qualidade e preço, viu a
oportunidade de ganhar mercado através da variedade de produtos, e,
com poucos recursos, teve de desenvolver um sistema de fabrico
totalmente novo para sobreviver. O resultado foi o sistema TPS, ou
«Toyota Production System», o qual metodicamente elimina o
desperdício e orienta a sua atenção para a satisfação do cliente. O
TPS revolucionou a indústria automóvel e foi gradualmente adoptado
por outras empresas japonesas durante as décadas seguintes.
Os investigadores americanos James Womack e Daniel Jones passaram
mais de uma década no Japão a estudar os métodos de gestão daquele
país. Desse estudo, foi publicada por Womack et al. (1990) uma obra
de referência designada «The machine that changed the world». Essa
máquina é o automóvel e toda a indústria que à sua volta se
desenvolveu.
Nos anos 1990, o TPS deu lugar ao «lean thinking», conceito que se
começou a generalizar a partir do livro de Womack et al. (1996).
Utiliza-se a palavra «lean» (magro, sem gordura) porque o princípio
condutor sugere a utilização de «apenas o necessário, nem mais cedo,
nem mais tarde», o que se traduz em menos pessoas, menos espaço,
menos materiais, menos energia, menos stocks, menos desvios,
enquanto se reforçam a qualidade, a flexibilidade e o serviço ao
cliente.
Este método de produção magra, que se tornou uma referência na
indústria automóvel, pode também ser aplicado à indústria gráfica,
através do desenvolvimento de processos e procedimentos pela redução
contínua de desperdícios em todas as suas fases, permitindo competir
num ambiente mais exigente e globalizado.
Segundo Pinto (2006), num processo típico, o desperdício pode
representar até 95% do tempo total. Tradicionalmente, as
organizações orientam o seu esforço de aumentos de produtividade
para a componente que acrescenta valor (5 %), ignorando o potencial
de ganho que poderiam ter se orientassem o seu esforço para as
actividades que não acrescentam valor.
Pinto (2006) refere que foram inicialmente identificadas por Taiichi
Ohno e Shingeo Shingo, sete fontes de desperdício: o excesso de
produção; os tempos de espera; os transportes; os processos
inadequados; o excesso de stocks e as movimentações desnecessárias.
Além das fontes de desperdício referidas, Womack e Jones (1996)
acrescentam uma oitava fonte de desperdício: o design de produtos e
serviços que não vão ao encontro das necessidades do cliente.
Tendo como referência os estudos de Tapping (2000) e da Industrial
Solutions (2005), foi preconizado um modelo de avaliação da Produção
Magra para a indústria gráfica, apresentado na Figura 1. Num círculo
externo, afiguram-se doze factores, que correspondem às áreas onde
deverão ocorrer as iniciativas de melhoria na empresa. Estes
factores agrupam-se em três pilares básicos: a Excelência no
Fabrico, a produção Just-In-Time e as Pessoas. Ao centro do modelo
encontram-se os quatro estados possíveis de avaliação da empresa, de
acordo com a sua pontuação final.
Figura 1 – Modelo de avaliação da PM para a indústria gráfica
O modelo de avaliação desenvolvido para a indústria gráfica pode ser
testado por qualquer empresa gráfica que pretenda avaliar o seu
actual processo de fabrico e percepcionar o caminho a percorrer para
a implementação do mais moderno método de fabrico industrial.
Os quadros seguintes (Quadro 4.2 a Quadro 4.13) correspondem aos
doze factores do modelo e descrevem as práticas representativas de
cada método de produção.
Na coluna «Práticas de Produção em Massa» são descritas as práticas
características do método de produção em massa.
Na coluna «Práticas de Produção Magra» descrevem-se as práticas
características do método de produção magra.
Cada factor descreve entre quatro a nove práticas e cada prática é
avaliada numa escala de um a cinco pontos, que deverá corresponder
ao significado apresentado no Quadro 4.1.
Quadro 4.1 – Pontuação dos factores do modelo
|
Pontuação |
Descrição |
|
1 |
A organização segue a prática da produção em massa. |
|
2 |
A organização segue a prática da produção em massa,
embora aplique a prática de produção magra em casos
pontuais. |
|
3 |
A organização aplica ambas as práticas de forma
equivalente. |
|
4 |
A organização segue a prática da produção magra, embora
aplique a prática de produção em massa em casos
pontuais. |
|
5 |
A organização segue a prática da produção magra. |
|
N/A |
Não aplicável |
Para cada questão, coloque na coluna «Pontuação» o valor de 1 a 5,
de acordo com a tabela de pontuação acima. Se alguma das práticas
não for aplicável, não deverá ser considerada.
A avaliação final de cada um dos factores corresponde à média da
pontuação das suas práticas. Os resultados alcançados devem ser
registados na última linha de cada um dos quadros.
Quadro 4.2 –
Balanceamento do Processo de Fabrico
|
Práticas de Produção em Massa |
Pontuação |
Práticas de Produção Magra |
|
São produzidas na cadeia de valor elevadas quantidades
do mesmo produto. |
1 2 3 4 5 N/A |
O balanceamento do processo de fabrico é aplicado para
redução das variações no volume de produção e variedade. |
|
São executadas múltiplas obras sem conhecimento do
verdadeiro lead time. |
1 2 3 4 5 N/A |
A
Heijunka box é carregada com base no volume de
produção e variedade. |
|
Não existe o conceito
takt time. |
1 2 3 4 5 N/A |
O
takt time é entendido por todos, e a cadência de
fabrico é controlada. |
|
As linhas de produção não estão balanceadas. |
1 2 3 4 5 N/A |
As linhas de produção estão balanceadas para que a
diferença entre os tempos de ciclo de processos
sequenciais sejam negligenciáveis. |
|
O tempo de ciclo não altera com a procura do cliente. |
1 2 3 4 5 N/A |
Quando a procura se altera, os processos de produção são
rebalanceados ou redesenhados para reajustar o tempo de
ciclo ao novo takt time. |
|
Valor médio: |
|
|
Quadro 4.3 –
Movimentação de Materiais
|
Práticas de Produção em Massa |
Pontuação |
Práticas de Produção Magra |
|
A entrega de matérias-primas ou mercadorias não é
apoiada por uma programação prévia. |
1 2 3 4 5 N/A |
A entrega das matérias-primas ou mercadorias é
programada e a recepção na hora está acima dos 98 %. As
entregas no tempo estão documentadas e são usadas para
análise de desempenho do fornecedor. |
|
A matéria-prima recebida aguarda na área de recepção por
tempo indefinido. |
1 2 3 4 5 N/A |
As matérias-primas são entregues no local de utilização. |
|
É frequente ocorrerem expedições atrasadas ou
antecipadas. |
1 2 3 4 5 N/A |
A expedição conforme os requisitos do cliente e de
acordo com o prazo combinado ocorre em 100 % das
entregas. |
|
Não existe organização na forma como o produto se
desloca pelos locais de trabalho. |
1 2 3 4 5 N/A |
As entregas de produto nos locais de trabalho estão
baseadas em sinais pull. |
|
Os operadores saem das suas estações de trabalho para
levantar e entregar material. |
1 2 3 4 5 N/A |
O produto é entregue e retirado das estações de trabalho
sem paragem no trabalho. |
|
O sistema pull não é utilizado entre operações. |
1 2 3 4 5 N/A |
O sistema pull está totalmente implantado, e é
regularmente analisado para adaptações. |
|
Não existe planeamento no stock dos trabalhos em curso. |
1 2 3 4 5 N/A |
O stock dos trabalhos em curso é planeado e afinado para
um nível mínimo, de forma a não interferir com o
desempenho do operador. |
|
O volume de stock no local de trabalho é definido pelo
espaço disponível. |
1 2 3 4 5 N/A |
A medida do ciclo total dos produtos determina os níveis
de stock apropriados. |
|
Valor médio: |
|
|
Quadro 4.4 – Fluxo
de Fabrico
|
Práticas de Produção em Massa |
Pontuação |
Práticas de Produção Magra |
|
O inventário e decisões de qualidade adiam rearranjos no
processo. |
1 2 3 4 5 N/A |
O layout do local de trabalho integra e optimiza o fluxo
de fabrico. |
|
O conceito VSM não é compreendido na empresa. |
1 2 3 4 5 N/A |
O mapeamento da cadeia de valor do produto está
actualizado e reflecte as actuais alterações ao
processo. |
|
As folhas de trabalho uniformizadas não estão em uso. A
força de trabalho é fixa e não varia com a procura do
cliente. |
1 2 3 4 5 N/A |
O trabalho uniformizado está totalmente desenvolvido e
implementado. Uma força de trabalho flexível responde às
alterações na procura. |
|
O produto em vias de fabrico é empurrado para o local de
trabalho sem um pedido directo do operador seguinte. |
1 2 3 4 5 N/A |
O sistema pull conduz a produção aproximando-a do fluxo
contínuo. Nada se move ao longo da cadeia, excepto em
resposta ao pedido do cliente. |
|
O produto em vias de fabrico é distribuído nas áreas de
processo funcionais (secções). |
1 2 3 4 5 N/A |
O processo está totalmente integrado e o produto flui
pelo local de trabalho. |
|
Não existem conceitos de processamento de um mix de
produtos. |
1 2 3 4 5 N/A |
São produzidos pequenos lotes económicos e usados
conceitos de processamento de um mix de produtos. |
|
O volume de produção em cada operação excede as
necessidades do processo seguinte. |
1 2 3 4 5 N/A |
Os responsáveis de produção não são motivados a produzir
mais partes do que as necessidades do processo seguinte. |
|
Os processos e equipamentos não estão optimizados para
facilitar o fluxo contínuo. As máquinas estão
organizadas por secção ou tipo. |
1 2 3 4 5 N/A |
Os processos e equipamentos estão optimizados para
facilitar o fluxo contínuo. As máquinas não estão
organizadas por secção ou tipo. |
|
Valor médio: |
|
|
Quadro 4.5 –
Formação
|
Práticas de Produção em Massa |
Pontuação |
Práticas de Produção Magra |
|
Não existe plano de formação para o trabalhador. |
1 2 3 4 5 N/A |
Todas as pessoas contribuem para o seu plano de
formação. |
|
Não é ministrada formação em análise de lacunas (gap
analysis) ou desfasamentos entre exigências de formação. |
1 2 3 4 5 N/A |
Cada empregado já terminou a sua formação em análise de
lacunas com o objectivo de poder iniciar o seu plano de
formação. |
|
A formação não é documentada. |
1 2 3 4 5 N/A |
A formação é bem documentada e está centralizada. Toda a
formação, incluindo formação on-the-job, por computador,
pela web e em sala, é documentada. |
|
Não é feita formação cruzada. |
1 2 3 4 5 N/A |
A força de trabalho tem formação cruzada e certificada e
que está a ser feita num sistema rotativo. |
|
Os empregados não têm acesso a ferramentas de melhoria
contínua. |
1 2 3 4 5 N/A |
São regularmente agendados cursos de melhoria contínua. |
|
A formação dos operadores é ministrada durante ou após a
execução de um novo trabalho. |
1 2 3 4 5 N/A |
Os operadores recebem um treino formal antes de
executarem um novo trabalho. |
|
Valor médio: |
|
|
Quadro 4.6 –
Envolvimento da Equipa
|
Práticas de Produção em Massa |
Pontuação |
Práticas de Produção Magra |
|
Nem todas as pessoas da organização têm conhecimento da
missão e dos valores da organização. |
1 2 3 4 5 N/A |
Todas as pessoas estão envolvidas com a missão e com os
valores da organização e são levadas em consideração nas
decisões. |
|
Não existe nenhum plano de sugestões de melhoria em
curso. |
1 2 3 4 5 N/A |
Existe um processo formal de sugestões de melhoria e
todas as pessoas são encorajadas a enviar sugestões
individuais e em equipa. O sistema de sugestões tem uma
rápida aplicação (< 10 dias) e a participação é
reconhecida. |
|
A força de trabalho não tem conhecimento dos oito tipos
de desperdícios. |
1 2 3 4 5 N/A |
Os colaboradores têm conhecimento dos oito tipos de
desperdícios e estão activamente envolvidos na sua
identificação e eliminação nos seus postos/secções de
trabalho. Existem também equipas treinadas na redução do
desperdício. |
|
Os colaboradores não são estimulados a trabalhar em
grupo. |
1 2 3 4 5 N/A |
Os órgãos de gestão estimulam os colaboradores da
produção a trabalhar em grupo para melhorar o desempenho
e a qualidade do trabalho. |
|
Valor médio: |
|
|
Quadro 4.7 –
Comunicação na Organização
|
Práticas de Produção em Massa |
Pontuação |
Práticas de Produção Magra |
|
Os problemas nos processos produtivos não são
investigados ou demoram dias a ser investigados. |
1 2 3 4 5 N/A |
Os problemas nos processos produtivos são detectados e
investigados dentro de 10 minutos após a primeira
ocorrência. |
|
Os colaboradores não são capazes de descrever as metas
da organização nem a forma como o seu trabalho contribui
para a realização dessas metas. |
1 2 3 4 5 N/A |
Os colaboradores são capazes de descrever as metas da
organização e a forma como o seu trabalho contribui para
a realização dessas metas. |
|
Não existem canais formais para circulação de informação
sobre problemas encontrados nos processos fabris ou
comunicados pelos clientes e os colaboradores nem sempre
são informados. |
1 2 3 4 5 N/A |
Os colaboradores recebem informação de retorno através
de canais formais, tendo em conta os problemas
encontrados nos processos fabris ou comunicados pelos
clientes. |
|
O gestor da organização não comunica a todos os níveis
da organização as metas e os objectivos da organização. |
1 2 3 4 5 N/A |
O gestor da organização comunica com todos os níveis da
organização sobre as metas e os objectivos da
organização pelo menos duas vezes por ano. |
|
Valor médio: |
|
|
Quadro 4.8
– Gestão Visual
|
Práticas de Produção em Massa |
Pontuação |
Práticas de Produção Magra |
|
A gestão visual não é clara e as mensagens não são
eficientes. |
1 2 3 4 5 N/A |
Os sinais da gestão visual são muito fáceis de entender
e transmitem a mensagem pretendida. |
|
Os sinais da gestão visual são manuais e não são
respondidos. |
1 2 3 4 5 N/A |
Os sinais de gestão visual são automáticos. |
|
A gestão visual não está uniformizada em todos os locais
de trabalho. |
1 2 3 4 5 N/A |
A gestão visual está uniformizada em todos os locais de
trabalho. |
|
Não existe um sistema comum de comunicação visual nos
locais de trabalho. |
1 2 3 4 5 N/A |
Todos os locais de trabalho usam um sistema de
comunicação visual uniformizado. |
|
Não existem painéis de informação disponíveis e
actualizados com dados de produção, de qualidade, de
segurança e de formação junto dos postos de trabalho. |
1 2 3 4 5 N/A |
Painéis de informação com acções de formação,
informações de segurança, dados de produção, problemas
de qualidade e contramedidas estão visíveis junto dos
postos de trabalho e são continuamente actualizados. |
|
Valor médio: |
|
|
Quadro 4.9 –
Qualidade
|
Práticas de Produção em Massa |
Pontuação |
Práticas de Produção Magra |
|
A qualidade é somente da competência dos responsáveis
pela qualidade na organização. |
1 2 3 4 5 N/A |
A qualidade é conduzida pela liderança da organização e
a força de trabalho é incentivada à implementação de um
sistema de qualidade pró-activo. |
|
Não existe um sistema documental que registe a
calibração e os testes realizados aos equipamentos. |
1 2 3 4 5 N/A |
Estão implementados sistemas de medição e processos de
calibração. Existem documentos que comprovam que os
equipamentos são regularmente verificados e que os
problemas foram revistos. |
|
A organização ainda não implementou o sistema de
qualidade, de acordo com as normas de qualidade da série
ISO-9000. |
1 2 3 4 5 N/A |
O sistema de qualidade está implementado na organização,
de acordo com as normas de qualidade da série ISO-9000. |
|
Não existem processos de melhoria contínua nos locais de
trabalho. |
1 2 3 4 5 N/A |
As equipas de melhoria contínua estão activamente a
estudar e a implementar projectos de melhoria contínua.
A redução de defeitos em partes por milhão está
documentada pelas equipas de melhoria contínua. As
equipas usam as acções correctivas como fonte de
projectos de melhoria contínua. |
|
Valor médio: |
|
|
Quadro 4.10 –
Poka-yoke
|
Práticas de Produção em Massa |
Pontuação |
Práticas de Produção Magra |
|
O uso de técnicas à prova de erro não é evidente no
processo de fabrico. |
1 2 3 4 5 N/A |
Etilizam-se diversas técnicas à prova de erro. Os
principais processos evidenciam o uso de técnicas à
prova de erro. |
|
Não houve formação na empresa sobre técnicas básicas à
prova de erro. |
1 2 3 4 5 N/A |
Os trabalhadores tiveram formação em técnicas básicas à
prova de erro e existe uma equipa responsável por
analisar os defeitos de produção e identificar
oportunidades à prova de erro. |
|
Não são criadas formas de eliminar os maiores defeitos
de produção. |
1 2 3 4 5 N/A |
Os sistemas à prova de erro foram implementados ou estão
a ser desenvolvidos para eliminar os maiores defeitos de
produção em cada estação de trabalho. |
|
O produto não é estudado com o objectivo de eliminar o
desperdício. |
1 2 3 4 5 N/A |
Os produtos ou as suas partes, são analisados para
identificar oportunidades de design para eliminar o
desperdício e aumentar a produtividade. |
|
Apenas os oficiais ou chefias têm autonomia para parar a
linha quando for encontrada uma unidade defeituosa. |
1 2 3 4 5 N/A |
Qualquer trabalhador tem autonomia para parar a linha
quando for encontrada uma unidade defeituosa. |
|
O processo de inspecção é executado fora das estações de
trabalho, retirando amostras dos lotes. |
1 2 3 4 5 N/A |
As inspecções são incorporadas no processo e nas
estações de trabalho. As técnicas poka-yoke previnem que
produtos defeituosos sejam processados. |
|
Os processos manuais estão sujeitos ao juízo humano. |
1 2 3 4 5 N/A |
Os processos manuais são apoiados por verificações
mecânicas para evitar o juízo humano sempre que seja
possível. |
|
Valor médio: |
|
|
Quadro 4.11 –
Manutenção Produtiva Total (TPM)
|
Práticas de Produção em Massa |
Pontuação |
Práticas de Produção Magra |
|
O TPM não está a ser aplicado na empresa. |
1 2 3 4 5 N/A |
O TPM é praticado na empresa e está documentado. A lista
de tarefas é preenchida e ordenada por prioridades. |
|
Não existe um registo histórico dos equipamentos. |
1 2 3 4 5 N/A |
O registo histórico dos equipamentos é guardado e usado
para estabelecer prioridades de manutenção produtiva. |
|
Não estão organizadas as intervenções aos equipamentos
em caso de avaria. |
1 2 3 4 5 N/A |
As avarias dos equipamentos são rapidamente comunicadas
à equipa responsável. Existe um sentido de urgência na
sua reparação. A equipa está bem treinada e organizada.
|
|
Não são usados indicadores de manutenção, como o tempo
médio entre falhas (MTBF) ou tempo médio para reparação
(MTTR). |
1 2 3 4 5 N/A |
80 % da manutenção é pró-activa. 95 % da manutenção
produtiva é terminada nos prazos programados. |
|
Não é feito o planeamento de manutenção para
equipamentos novos ou reconstruídos. |
1 2 3 4 5 N/A |
A manutenção está integrada na fase de planeamento de
aquisição de equipamentos novos ou reconstruídos. |
|
Não são planeadas as necessidades de formação para os
operadores ou pessoal da manutenção antes da vinda de
novos equipamentos. |
1 2 3 4 5 N/A |
As necessidades de formação da equipa de trabalho são
totalmente integradas no planeamento antes da vinda de
novos equipamentos. |
|
O stock das peças de substituição dos equipamentos não é
planeado. |
1 2 3 4 5 N/A |
O stock das peças de substituição dos equipamentos
resulta de actividades planeadas. |
|
Não há preocupação dos operadores com manutenção
preventiva e limpeza dos seus equipamentos. |
1 2 3 4 5 N/A |
É disponibilizado tempo diário de produção para os
operadores executarem manutenção preventiva e os deveres
de limpeza dos seus equipamentos. |
|
Não estão claramente definidas as responsabilidades de
manutenção. |
1 2 3 4 5 N/A |
As responsabilidades de manutenção preventiva estão
definidas, tanto para a manutenção como para os
operadores da produção. |
|
Valor médio: |
|
|
Quadro 4.12 –
Redução do Tempo de Setup
|
Práticas de Produção em Massa |
Pontuação |
Práticas de Produção Magra |
|
Os tempos de setup são melhorados sem qualquer relação
com uma cadeia de valor específica. |
1 2 3 4 5 N/A |
Os tempos de setup são melhorados com base no
planeamento da cadeia de valor. |
|
Os tempos de setup não estão a ser analisados. |
1 2 3 4 5 N/A |
Os tempos de setup são analisados por gráficos de fluxo.
Estão em curso análises às melhorias do processo. Existe
evidência da redução dos tempos de paragem devido a
mudanças realizadas nos tempos de setup. |
|
Os tempos de setup levam horas. |
1 2 3 4 5 N/A |
Os tempos de setup são realizados em minutos ou
segundos. |
|
As ferramentas de setup não estão organizadas nem
imediatamente disponíveis. |
1 2 3 4 5 N/A |
As ferramentas de setup estão bem organizadas e
imediatamente disponíveis. Usam-se formas de controlo
visual. |
|
Os procedimentos de setup não estão uniformizados. |
1 2 3 4 5 N/A |
Os procedimentos de setup estão uniformizados e
são repetidos noutras áreas de produção. Procedimentos
uniformizados e listas de verificação estão visíveis e
são seguidos. |
|
Não são desenvolvidos equipamentos e ferramentas
especiais com o objectivo de reduzir o tempo de setup. |
1 2 3 4 5 N/A |
São desenvolvidos e implementados equipamentos e
ferramentas especiais para reduzir o tempo e o trabalho
envolvido na preparação. |
|
Valor médio: |
|
|
Quadro 4.13
– Organização do Local de Trabalho
|
Práticas de Produção em Massa |
Pontuação |
Práticas de Produção Magra |
|
Muitas estações de trabalho estão desarrumadas e com
diversos materiais e ferramentas que não são necessárias
às tarefas que executam. |
1 2 3 4 5 N/A |
As estações de trabalho estão bem organizadas e apenas
estão no local os materiais e as ferramentas de uso
regular. |
|
Não há uma forma organizada na colocação dos materiais
nas estações de trabalho. |
1 2 3 4 5 N/A |
Existe um local para tudo e tudo está no seu lugar. Os
itens – ferramentas, materiais, paletes, contentores –
estão identificados e são fáceis de encontrar. |
|
As estações de trabalho estão sujas e desorganizadas. |
1 2 3 4 5 N/A |
As estações de trabalho estão limpas e organizadas. |
|
Não se espera que as pessoas mantenham limpas e
organizadas as suas estações de trabalho. |
1 2 3 4 5 N/A |
Os trabalhadores têm procedimentos de limpeza comuns,
com listas de verificação e são responsáveis pela
organização e limpeza das suas estações de trabalho. |
|
Não existem procedimentos a serem seguidos na
organização dos locais de trabalho. |
1 2 3 4 5 N/A |
Os trabalhadores têm responsabilidades nas suas estações
de trabalho e é visível a organização através de
documentação normalizada. |
|
Não existem linhas no pavimento que definam as áreas de
trabalho. |
1 2 3 4 5 N/A |
A área fabril tem linhas no pavimento que identificam as
áreas de trabalho, e os caminhos e corredores para
movimentação de materiais. |
|
Valor médio: |
|
|
No Quadro 4.14 deverão ser registados
os valores médios obtidos em cada um dos doze factores do Modelo. Na
última linha do quadro, deverá ser registada a pontuação final que
corresponde à média da pontuação obtida em cada um dos factores.
Quadro 4.14 – Resumo
dos Factores do Modelo
|
Pilares |
Factores |
Pontuação Média |
|
Just-In-Time |
Balanceamento do processo de fabrico |
|
|
Movimentação de materiais |
|
|
Fluxo de fabrico |
|
|
Pessoas |
Formação |
|
|
Envolvimento da Equipa |
|
|
Comunicação na organização |
|
|
Excelência no Fabrico |
Gestão visual |
|
|
Qualidade |
|
|
Poka-yoke |
|
|
Manutenção Produtiva Total (TPM) |
|
|
Redução do tempo de setup |
|
|
Organização do local de trabalho |
|
|
|
Média Total: |
|
O Quadro 4.15 dá indicações sobre o
resultado final da avaliação, permitindo tirar conclusões sobre o
actual método de fabrico da empresa.
Quadro 4.15 –
Avaliação global
|
Pontuação
média obtida |
Descrição |
|
> 1 e < 2 |
A
organização fabrica pelo método de produção em massa. |
|
> 2 e < 3 |
A
organização produz segundo o método de produção em
massa, tendo já iniciado uma transformação no fabrico
para o método de produção magra. |
|
> 3 e < 4 |
A
organização produz pelo método de PM, utilizando ainda
algumas práticas de produção em massa. |
|
> 4 e < 5 |
A
organização fabrica pelo método de PM. |
O Quadro 4.16 apresenta um gráfico
com escala de um a cinco, que mede o estado da empresa,
relativamente à utilização de práticas dos dois métodos de produção
em análise. Para uma observação mais facilitada, os resultados
obtidos no Quadro 4.14, podem ser
transpostos para este gráfico.
Quadro 4.16 – Perfil
Lean

O resultado obtido mostrará um polígono
(ver Quadro 4.17). Quanto maior for a sua área, maior a
proximidade ao método de Produção Magra. O objectivo será atingir o
estado de produção magra através de um polígono simétrico e de
escala cinco, em todos os factores do Modelo.
Quadro 4.17 –
Exemplo de um
Perfil Lean

Execute o modelo em ficheiro Excel:
http://www.portaldasartesgraficas.com/ficheiros/inq_prod_magra.xls
GLOSSÁRIO
Balanceamento – corresponde ao nivelamento dos tempos
de ciclo, de forma a fazer com que todos os trabalhadores ou
equipamentos sequenciais recebam cargas de trabalho semelhantes.
Gestão visual – requer que o local de trabalho
disponha de sinais (sonoros ou visuais) que qualquer pessoa não
familiarizada com o processo consiga interpretar, de forma imediata,
compreendendo o que se está a passar e entendendo o que está a ser
feito correcta ou incorrectamente.
Heijunka box – é um quadro de nivelamento de produção,
cuja função é ordenar os cartões kanban (ordens de fabrico) em
função das restrições do processo produtivo, comunicando o ritmo e o
mix de produção.
Imagem takt ou takt time – representa o quociente
entre o tempo total disponível para a produção e o volume de
unidades a produzir. Significa que é necessário, por exemplo,
produzir 500 exemplares por hora, para entregar no tempo pretendido
pelo cliente.
kanban – o Kanban é um sistema de controlo da produção
comandado através do uso de cartões, onde o que determina o fabrico
de um novo lote é o consumo das peças realizadas pelo sector
seguinte. No sistema Kanban, a produção é comandada pelas linhas de
montagem. Somente após o consumo das peças na linha de montagem é
que se gera uma nova autorização de fabrico de um novo lote.
Oito tipos de desperdícios:
1. EXCESSO DE
PRODUÇÃO: ocorre quando continuamos a produzir mesmo depois de
satisfeita a ordem de fabrico.
2. EXCESSO DE STOCKS: demasiado
espaço de armazenamento.
3. TRANSPORTES: deslocações excessivas
de pessoas, materiais e informação, resultando em dispêndio
desnecessário de capital, tempo e energia.
4. MOVIMENTAÇÃO
DESNECESSÁRIA: desorganização dos locais de trabalho, resultando em
mau desempenho.
5. TEMPOS DE ESPERA: refere-se aos tempos em que
os produtos estão prontos a serem transformados mas aguardam a
entrada em produção, porque materiais, pessoas, equipamentos ou
informações não estão disponíveis.
6. DEFEITOS (QUALIDADE):
materiais que têm de voltar a ser trabalhados ou eliminados por
estarem fora das especificações de qualidade.
7. PROCESSOS
INADEQUADOS: Utilização incorrecta do equipamento e ferramentas.
8. DESIGN INADEQUADO: Design de produtos e serviços que não vão ao
encontro das necessidades do cliente.
Poka-yoke – é um mecanismo à prova de erros destinado
a evitar a ocorrência de defeitos nos processos de fabrico e (ou) na
utilização de produtos. Se o conceito for implementado, os enganos
podem ser prevenidos.
Pull – sistema de produção em que só se produz quando
há procura ou pedidos.
Tempo de ciclo – para uma máquina, representa o tempo
de saída de peças consecutivas. É o tempo definido pela mais longa
das operações.
Tempo de setup ou tempo de preparação – é o tempo
dispendido na preparação de um trabalho. Na indústria, é o intervalo
de tempo que medeia entre a última unidade de um lote produzido e a
primeira boa unidade do próximo lote produzido.
TPM – é uma filosofia de gestão da Manutenção, na qual
todos são responsáveis pela utilização e manutenção do equipamento.
Um sistema JIT não poderá funcionar se o equipamento falha ou se a
qualidade dos produtos é penalizada por causa de problemas com
equipamentos ou ferramentas.
VSM (Value Stream Mapping) – Mapeamento da cadeia de
valor: trata-se de um método sistemático de identificação de todas
as actividades (dock-to-dock) necessárias para produzir um produto
ou serviço. O «mapa» inclui o fluxo de materiais e de informação.–
sistema de produção em que só se produz quando há procura ou
pedidos.
BIBLIOGRAFIA
Industrial Solutions (2005). Lean Value Stream Assessment Tool.
Acedido a 30 de Março de 2007, em:
http://www.isiworld.net/PDF/LeanOfficeScorecard.pdf.
Niehueser, J. (2007, Julho). O futuro do acabamento e as tecnologias
em máquinas de dobrar. t&g, pp. 31-35
Pinto, J. (2006). Gestão de Operações na Indústria e nos Serviços.
Lidel – Edições Técnicas, Lisboa.
Tapping, D. and Fabrizio, T. (2000). Value Stream Management: Eight
Steps to Planning, Mapping and Sustaining Lean Improvements,
Productivity Press. Portland, Oregon.
Womack, James; Jones, Daniel; Roos, D. (1990). The Machine That
Changed the World. Macmillan, New York.
Womack, James e Jones, Daniel (1996). Lean Thinking: Banish Waste
and Create Wealth in Your Corporation. Free Press, New York.
Este artigo também foi publicado em:
- Revista «doPapel» de Fevereiro de 2008. Download:
http://portaldasartesgraficas.com/ficheiros/gestao_rui_sebrosa.pdf
- Professional Publish:
http://www.professionalpublish.com.br/?id=77,1,view,2,9503,sid
- Desktop em:
http://www.dtp.com.br
- Guia do Gráfico em:
http://www.guiadografico.com.br/artigos/index.htm
Tese de Mestrado em:
http://portaldasartesgraficas.com/ficheiros/sebrosa_2008.pdf
(7Mb)
* Rui Sebrosa é Director
Adjunto de Produção na Editorial do Ministério da Educação;
Webmaster do site «Portal das Artes Gráficas» e Docente do Mestrado
em Tecnologias Gráficas do
ISEC. É diplomado em
Tecnologia e Artes Gráficas do IPT;
Licenciado em Gestão pela UI e Mestre em Engenharia Industrial pela
FCT/UNL.
Contacto:
rui.sebrosa@gmail.com /
TM: 91 429 12 46