Estamos vivendo a era digital por excelência. Ela
nos assegura chips de “n” bits, softwares, dos mais variados tipos,
altíssimos em definição nos softwares gráficos, recursos de
armazenamento quase ilimitados, de giga, tera e em breve petabytes.
É claro que isso tudo influenciou nosso “modus vivendi” sendo que os
clientes das gráficas, principalmente dos ramos alimentício
(incluindo bebidas), farmacêutico, cosmético, automobilístico,
eletrônico bem como de seus componentes, incluindo os produtos
impressos, começam a fazer exigências bastante concretas, com
relação à solução de logística de entrega, rastreabilidade e no
tocante à qualidade e segurança contra a falsificação.
Estas exigências já existentes na Europa, através
do artigo 17 da resolução 1935/2004 do Comitê Europeu da Qualidade,
assim como das novas normas americanas e japonesas de 2005, fazem
com que as indústrias gráficas, principalmente aquelas que produzem
embalagem, rótulos e etiquetas, bulas, manuais de procedimento para
estes segmentos de mercado, ou mesmo manuais de seguros médicos,
selos de garantia e segurança, tenham que obedecer e seguir certas
tecnologias. Além disso, devem se adaptar às Boas Práticas de
Fabricação, com centros de planejamento e controle da produção PCP,
além de sistemas informatizados para rastreamento dos suprimentos,
em toda sua amplitude (quesitos de qualidade e de origem).
É obvio que terão que implantar também em sua
empresa a possibilidade de rastrear tecnicamente cada fase de
aquisição e recebimento de materiais e serviços de terceiros (se for
o caso), recebimento de originais e/ou arquivos dos clientes, sua
produção e a comercialização e expedição dos impressos produzidos.
No caso das indústrias alimentícias (incluindo
bebidas), farmacêuticas e de cosméticos, elas não só se limitam a
faze-lo com suas matérias primas, más também com as embalagens e
manuais de seus produtos, que seguem normas rigorosas de assepsia,
manuseio, ditadas pelas Boas Práticas de Fabricação, além de estarem
as plantas (layout) das gráficas devidamente adaptadas para evitar
qualquer tipo de contaminação.
Exatamente por esta razão, não é mais possível um
controle de produção como nós o conhecemos na maioria das nossas
gráficas. TUDO exige registro, com números de lote, datas, horário e
pessoal envolvido, para garantir a rastreabilidade dos processos e
dos materiais utilizados. Paralelamente a isso, nós da indústria
gráfica, ganhamos com isso igualmente um maior controle sobre a
rentabilidade de nossa empresa, assim como um confronto do nosso
pré-cálculo, com o pós-cálculo. A implantação de um PCP e de um
Sistema de Qualidade Assegurada (não falamos aqui de ISO 9000), que
pode ser o TQM (Total Quality Management) ou outro sistema que nos
garanta a tranqüilidade do dever cumprido dentro das especificações,
são a nosso ver nos dias de hoje uma necessidade, também no Brasil,
vista que um grande número de nossos clientes exporta para este
mundo globalizado que exige NORMAS.
O problema da falsificação de produtos faz com que
nós da Indústria Gráfica, possamos auxiliar nossos clientes, através
de inúmeras aplicações de tecnologias, entre as quais podemos citar
a da Holografia, Tintas Especiais Reagentes a diversos tipos de
produtos químicos, temperaturas, comprimentos de onda (UV, IR,
Fluorescente, etc.), Coatings especiais, Microtexturizações,
diversos tipos de relevo, incluindo o relevo francês (calcografia),
Codificações e Informações “Fantasma” (não visíveis a olho nu),
Códigos de Barra especiais, bem como uma mescla destes efeitos acima
citados.
Com a implantação gradativa, porém certa, do
sistema JDF (Adobe), os sistemas de informação na indústria gráfica,
bem como a velocidade, tecnologia e qualidade do trabalho, serão
certamente uma garantia para o sucesso destas implantações
necessárias, para cumprir as exigências dos clientes, dentro dos
prazos cada vez mais curtos exigidos pelo avanço desta era digital.
A automatização que este sistema acrescenta ao nosso parque gráfico
reduz drasticamente o custo administrativo da produção, alavanca a
velocidade de resposta das informações, reduz em muito, os erros de
planejamento e produção, em função da automatização de muitos
eventos, executados até hoje de forma manual. O aumento da
fidelização dos prazos de entrega em função da programação digital
culminando com uma redução do tempo de permanência do serviço dentro
da gráfica e naturalmente dos custos, será uma realidade.
O famoso CRM (Customer Relationship Management),
conhecido entre nós como administração de clientes, vendas e
vendedores, deverá ser tratado não por um computador, más por um bom
sistema de recursos humanos, pois como brasileiros, temos uma
mentalidade “sui-generis”, que requer “jogo de cintura” de todos os
lados. Precisamos treinar nossa equipe de vendas externas e da
administração de vendas interna. Este treinamento deverá ser
consubstanciado por tecnologia gráfica, pré-cálculo, técnica de
vendas, bem como utilização gradativa da informática no ato da
visita, onde o próprio profissional de vendas, conhecedor da
matéria, possa orientar o cliente, fazer o orçamento “just-in-time”,
fechar o pedido e resolver todos os problemas logísticos para a
confecção e entrega dos impressos. Certamente isso não acontecerá de
um dia para o outro. Para alcançar nossos objetivos, temos que dar o
primeiro passo. Então, boa sorte!
Artigo de Thomaz
Caspary (diretor da Printconsult Ltda. (11) 3167-6939)
www.printconsult.com.br