Num recente encontro, em Outubro do ano passado, na
Specialty Graphic Imaging Association, realizado para a indústria de
comunicação gráfica, foi anunciado, por uma empresa russa pouco conhecida, um
novo produto que se tornará numa alteração na tecnologia de impressão de jacto
de tinta UV.
A Sun LLC, lançava a Neo LED UV, que para a indústria gráfica
será a primeira impressora UV, viável comercialmente, oferecendo a cura da tinta
com Leds. Se tal se verificar, este novo sistema oferecerá grandes oportunidades
aos impressores e provocará alterações na indústria da impressão digital. Embora
este tipo de cura ofereça interessantes desenvolvimentos, terá de mostrar o que
vale, dadas as especificidades da indústria.
Um dos aspectos importantes é que este tipo de cura oferece
significativas vantagens em relação ao sistema tradicional, usado actualmente
pela indústria.
A primeira vantagem é que o sistema praticamente não utiliza o
calor. Isto é particularmente vantajoso em situações em que o suporte usado (o
filme, por exemplo) está sujeito à distorção por ser sensível à temperatura. A
luz “fria” dos leds elimina este problema, permitindo a sua impressão com tintas
UV.
Outra vantagem: a cura por leds permite a utilização de fontes
de alimentação mais pequenas e com menos componentes eléctricos – para
arrefecimento das lâmpadas, fornecimento de mais potência, etc. – tornando o
equipamento mais leve e simples e podendo eliminar mesmo alguns componentes.
Assim sendo, pelo menos em teoria, isto permitiria baixar custos na produção dos
equipamentos.
De uma forma geral, o aparecimento desta tecnologia vem mexer
com o actual status quo da tecnologia UV.
Primeiramente, porque esta tecnologia utiliza muito menos
energia para curar a tinta. Por exemplo, uma fileira de leds com 14 polegadas,
utiliza 240 watts. O sistema tradicional usa 400 watts por polegada linear, ou
seja, 5600 watts pelas 14 polegadas! Para uma empresa com diversos equipamentos
a trabalhar 24 horas por dia, 7 dias por semana, isto significa grandes
poupanças e que se podem traduzir em competitividade e lucro.
Outra grande vantagem é a longa vida dos leds. Esta pode
variar entre os 4,5 a 11 anos, a trabalhar 24 horas por dia. Nos sistemas
actuais, as actuais lâmpadas atingem as 1000 horas e a substituição das lâmpadas
traduz-se em custos. Ou seja, a frequência de substituição das actuais lâmpadas
UV tem de ser contabilizadas nos custos de operação da máquina.
Outra grande vantagem dos leds é a quase imediata entrada em
funcionamento, enquanto o sistema tradicional pode demorar vários minutos a
estar perfeitamente apto a curar a tinta. São vantagens muito importantes para
os impressores, se considerarmos, inclusivamente, as actuais condições de
mercado.
No entanto, não há bela sem senão.
Um dos maiores desafios desta tecnologia, é pouca viabilidade
com as actuais tintas. Isto porque toda a pesquisa e desenvolvimento estão
centrados na utilização dos actuais sistemas de cura. Demorará algum tempo aos
fabricantes de tinta a criarem e tornarem comercialmente viável o aparecimento
de tinta para esta tecnologia.
Resumindo, a cura com leds terá um futuro promissor, tendo em
conta a redução de custos que envolve. Esta redução passará pela diminuição de
custos quer na estrutura do equipamento, na factura da energia e na menor
frequência de substituição das lâmpadas. De qualquer modo e por agora, esta
tecnologia merece ser acompanhada pois, creio, será dela o futuro.
Bibliografia:
Bright Spots on the horizont – UV leds and Inkjet Graphics
Printing, Dan Marx
Led Lamps for UV-Curing without heat for UV Flatbed
Printers, Nicholas Hellmut
UV Printer using Led UV Curing & Special UV Curable Ink,
Sun LC and SunFlower Ink, Nicholas Hellmut