Actualmente, a impressão digital está a tornar-se o método
mais usual para trabalhos com tiragens curtas e de dados variáveis. Enquanto os
sistemas com toner, como a os Xerox Docucolor predominam na área do documento,
os com base em jacto de tinta, como a Agfa Dotrix, vão ganhando quotas de
mercado.
Para aplicações de grande formato como posters, outdoors,
banners e decoração de veículos, o jacto de tinta sempre foi o mais utilizado,
devido à versatilidade da sua tecnologia e a natureza das tintas. Actualmente,
para além da quadricromia (CMYK), a gama de cores inclui o light magenta, o
light cian, cinzento, verde, azul, laranja e até branco. A gama de cores
ampliou-se oferecendo excelentes ganhos de qualidade aos impressores.
As tintas mais usadas em trabalhos de grande formato são as
baseadas em solventes e as de cura UV. As solventes são usadas sobretudo em
trabalhos para o exterior. No entanto, as características das tintas de cura UV
rivalizam com a tinta de base solvente. Em três áreas as tintas UV superam as
suas concorrentes: as características de rápida secagem permitem a impressão a
alta velocidade; a versatilidade dos suportes (impressão directa sobre suportes
flexíveis como também rígidos), ampliam o número de aplicações e eliminam a
necessidade de contra colagem numa superfície rígida; por fim, não existindo
VOC’s (Volatile organic Compounds) são consideradas amigas do ambiente. Tendo
presente estas vantagens é previsível que o futuro será das tintas com cura UV.
O processo
de cura UV
Depois de ser depositado no suporte, a tinta é imediatamente
curada através de uma radiação da luz UV. Este processo, com a ajuda de um
processo químico, conduz a uma instantânea solidificação – polimerização - da
gota de tinta no suporte.
Condições que afectam a adesão da tinta
O processo de cura UV é muito complexo e factores como a cor
da tinta, espessura da camada, tipo de suporte, fonte de luz UV, tempo de
exposição, ambiente, etc. podem afectar o processo de foto-polimerização. A
potência do UV e a cor da tinta ajudam a explicar esta afectação
Potência do UV
· A ausência ou pouca exposição mantém a tinta líquida
· A cura parcial (normalmente só à superfície) resulta numa má
adesão da tinta ao suporte
· A superfície pegajosa ou gordurosa baixa a qualidade da cura
· “Correctamente curada” significa sem odor, flexível e com
boa adesão
· O aumento da dureza superficial pode tornar a tinta
quebradiça
· Se a tinta primária da superfície do suporte não for
receptiva à segunda tinta, resulta em má adesão e baixa flexibilidade
Cor da tinta
A cor preta é mais difícil de curar. Isto porque o pigmento
preto absorve uma grande quantidade de luz UV. Assim, é necessária mais potência
de luz UV para obter o mesmo nível de adesão. A tinta branca tem o mesmo efeito.
Em vez de absorver a luz, a tinta branca reflecte a luz UV. Isto traduz-se,
também, na necessidade de um aumento de potência para obter o mesmo nível de
cura.
Vantagens das tintas de cura UV
As tintas de cura UV apresentam vantagens sobre outros tipos
de tinta para a área digital, nomeadamente:
· Imprimem a velocidades elevadas
· São aplicáveis a uma vasta gama de suportes
· Têm consistência de cor
· São ecologicamente amigáveis – sem VOC’s
· Têm menos consumo de tinta por m2
Impressão a velocidades elevadas
As impressoras com tintas de base solventes requerem secadores
para remover as grandes quantidades de solventes do suporte impresso. Este
processo de secagem leva algum tempo. Pelo contrário, as tintas de cura UV secam
em segundos – resultado directo do processo de cura, que usa potentes lâmpadas
UV. Esta secagem, instantânea, permite a impressão a velocidades elevadas. As
impressoras rápidas de tintas solventes requerem grandes e potentes secadores
para acelerarem o processo de secagem.
Vasta gama de suportes
Contrariamente às tintas aquosas, solventes ou de base das
tintas de óleo, as tintas de cura UV podem imprimir em quase todos os suportes,
sejam flexíveis ou rígidos. São exemplos como papéis, plásticos como vinil,
policarbonatos, poliésteres, mas também tecidos, madeira, vidros, cerâmica, etc.
A excepção serão os suportes muito polidos com muito pouca textura. No entanto,
mesmo nestes casos, as tintas UV podem ser usadas desde que se aplique um
primário.
As vantagens da impressão directa sobre superfícies rígidas
são duplas. A primeira é a eliminação da necessidade de contra colagem
originando maior produtividade e rentabilidade. A segunda, é o aumento das
possibilidades criativas que deixam de estar limitadas ao fundo branco.
Consistência de cor
Devido ao processo lento de secagem das tintas solventes,
estas dissolvem-se com o suporte, misturando os corantes com os que residem na
superfície do suporte, alterando a cor. Pelo contrário, nas tintas de cura UV, a
secagem inicia-se tão rapidamente que a gota fica à superfície do suporte. Como
resultado, a cor é mais consistente de suporte para suporte e menos tinta é
necessária para imprimir a mesma área de imagem.
Ecologicamente amigáveis
Durante o processo de cura UV – a interacção entre a tinta e a
fonte de luz UV – a tinta endurece instantaneamente. Como resultado, a gota de
tinta fica solidificada. Isto significa que nada é libertado para a atmosfera.
Isto conjugado com o facto de as tintas de cura UV não conterem solventes,
significa que nenhuns VOC’s (Volatile Organic Compounds) são libertados.
Pelo contrário, as tintas solventes, durante o processo de
impressão, libertam 80 a 90% dos seus ingredientes na atmosfera como vapores.
Por outro lado, mais tinta solvente por m2 de suporte é necessária para atingir
a mesma cobertura (aproximadamente 12-14ml de tinta solvente por m2, em
comparação com somente 8-10ml de tinta UV).
Menos consumo de tinta por m2
Uma das críticas às tintas de cura UV é o facto de serem
geralmente mais caras do que as solventes. Com o aumento do mercado de tintas
UV, elas tenderão a baixar de preço. Por outro lado, o custo operacional de um
equipamento UV é actualmente mais baixo do que um sistema de tintas solventes
por várias razões. Primeira, porque as tintas UV secam rapidamente, aumentado
assim a produtividade; Segunda, porque imprimem em qualquer tipo de papel, não
requerendo por isso, papéis especiais para produzir óptimos resultados. E como
podem imprimir directamente em superfícies rígidas, as contra colagens podem ser
eliminadas em muitos trabalhos. Logo, poupa-se tempo e dinheiro. Uma terceira
razão, a grande consistência de cor significa que o trabalho fica pronto à
primeira. Eliminam-se repetições, logo, poupa-se tempo e dinheiro. E, quarta,
como somente são necessários 8 a 10ml de tinta UV por m2, em contraste com os 12
a 14ml de tinta nos sistemas solventes, o consumo de tinta é significativamente
mais baixo nos sistemas UV. Assim, os apregoados preços das tintas de cura UV
mais do que compensam pelas vantagens de produtividade, versatilidade e
qualidade.
Melhorias constantes
A tecnologia de tinta solvente é uma tecnologia madura. O que
não é verdade para a tinta de cura UV, que tenderá a melhorar em áreas como:
Elasticidade
As tintas UV são ideais para uma variedade de aplicações em
superfícies planas ou curvas. No entanto, são menos flexíveis do que as tintas
solventes. Para aplicações que exijam elasticidade, como na decoração de
veículos, as tintas solventes têm melhor trabalho. No entanto, têm sido
apresentadas novas versões de tintas UV com maior elasticidade, procurando
atingir esse mercado.
Adesão
Como as tintas UV se posicionam na superfície do suporte (em
vez de se dissolverem no suporte) a interacção da tinta e do suporte é mais
fraca do que com as tintas solventes. Assim, a adesão das tintas em certos
suportes pode ser melhorada (como no polipropileno e no poliestireno).
Duração exterior
De uma forma geral, os pigmentos usados nas tintas solventes e
nas tintas de cura UV são os mesmos. No entanto, as tintas solventes
dissolvem-se no suporte, misturando os corantes com os que existem à superfície
do suporte. Assim, os pigmentos estão melhor protegidos contra o processo de
desaparecimento da cor (fading). No caso das tintas UV, o processo é diferente.
Aqui a tinta mantêm-se à superfície. Assim é oferecida maior fidelidade de cor,
embora, por outro lado, as tintas solventes são geralmente mais duráveis.
Desenvolvimentos futuros
As tintas UV
Como as tintas de cura UV ainda estão em fase de
desenvolvimento, melhorias como a flexibilidade, adesão e durabilidade ao
exterior estão no horizonte. Desenvolvimentos futuros passarão por cores
especiais, efeitos de cor, etc.
As tintas UV actualmente no mercado são livres de radicais
químicos. As tintas catiónicas estão a ser desenvolvidas por certas companhias.
O sistema de cura catiónico, no entanto, é sensível às condições de humidade do
meio envolvente. Assim, espera-se que este tipo de tintas venha a ser aplicado
em certos nichos de mercado.
Para além do UV
Novas tecnologias de radiação também, poderão aparecer. É o
caso da cura EB (electron-beam). A energia libertada pelo electrão beam é
suficiente para iniciar a polimerização sem necessidade dos foto-iniciadores.
No entanto, o preço do equipamento de cura EB é muito mais elevado do que o
equipamento de cura UV.
O futuro do jacto de tinta
A evolução tecnológica no sentido de se obterem impressoras
mais rápidas, cabeças de impressão mais fiáveis, tintas e suportes mais baratos
e funcionais e softwares mais desenvolvidos continuará. Como resultado, é de
prever o crescimento futuro da impressão digital. Assim, para além das
aplicações na área gráfica, esta tecnologia será aplicada em várias outras
áreas, como as da electrónica, biomédica, etc.
É de prever que a longo prazo, a tradicional impressão jacto
de tinta será apenas uma pequena parte das aplicações do jacto de tinta
Adapt. de UV-curable inks, The future of
Industrial Inkjet Printing, Agfa-Gevaert