O uso das tarjas de consumo podem reduzir
significativamente muitos problemas relacionados a
impressão offset, principalmente no segmento de embalagens rígidas e
semi-rígidas onde temos clientes cada vez mais exigentes quando se
trata de qualidade de impressão, sobretudo variação tonal dos
impressos.
Não se trata de uma novidade, mas muitas gráficas
não utilizam este método talvez por falta de informação, o que acaba
acarretando em devoluções indesejadas, prejuízos, e
constrangimentos.
Mesmo com o avanço tecnológico das máquinas offset,
o processo exige conhecimentos e experiências do impressor para
controlar as variáveis do mesmo, sempre discutidas. Um dos
requisitos básicos para uma impressão de qualidade é que esta
apresente a mínima variação tonal possível desde a primeira até a
última folha impressa, isto é possível quando estas variáveis
estejam sob controle e não ocorram interrupções indesejadas durante
a produção. Como estamos falando, de mercados nos quais as
especificações técnicas são bastante rígidas, como o de embalagens
para: alimentos, remédios, perfumaria, embalagens para exportação
etc. Onde tais especificações encontram-se muitas vezes em
parâmetros em Lab1, é um sistema aprovado pela CIE -
Comission Internationale de L’Eclairage, onde pequenas variações
de cor podem significar lotes inteiros rejeitados, nestes casos
de"baixa tolerância a variações de cor", a solução é tentar evitar
essas variações tonais.
As tarjas de consumo têm como objetivo resolver uma
destas variáveis de impressão que é o equilíbrio entre água e tinta,
no caso o excesso de emulsionamento, quando se trata de um trabalho
com poucas áreas de grafismo, e portanto tendo pouco consumo de
tinta, aqueles trabalhos onde o impressor se vê obrigado a desligar,
e ligar o tinteiro durante a produção para manter a densidade da
tinta impressa dentro dos padrões exigidos pelo cliente, onde se
consomem muitas folhas do trabalho e não se definiu uma abertura nem
um giro do rolo alimentador específico, as interrupções de tomadas
de tinta durante o processo de impressão provocam um "emulsionamento
excessivo2" pois não há um consumo de tinta, mas há um
consumo de água constante, o que ocasiona:
• Aumenta a viscosidade da tinta;
• reduz o tack;
• empastamento ou ancoragem da tinta na rolaria;
• aumento do ponto de reticula;
• velaturas;
• decalques;
• secagem deficiente.
Referente ao sistema operacional eu recomendo que
se trabalhe com um giro do rolo alimentador maior possível, porque a
resposta será mais rápida, portanto será interessante se reservar um
recurso adicional de no mínimo de 10% de giro para mais. Quanto à
abertura do tinteiro quando se trabalha com ele muito fechado pode
ocasionar problemas, porque nem todas as gráficas podem trabalhar
com cartões de primeira linha e os cartões inferiores soltam um pó
superficial que acaba subindo para o tinteiro acumulando entre a
base e o cilindro alimentador, ocasionando o entupimento do mesmo
porque depois de uma determinada produção uma abertura na
percentagem, estes pós residuais anularam a proporcionalidade de
abertura no tinteiro, logo a resposta da entintagem será alterada,
nestes casos utiliza-se os 10% de giros reservados.
Em relação à tinta é aconselhável que se trabalhe
com uma tinta o quanto mais pura possível, ou seja; não alterando
suas características de fabricação com o acréscimo de aditivos como:
pasta anti-tack, diluente, secante, amaciante e outros. Alguns
profissionais da área costumam adicionar branco transparente nas
tintas para aumentar o consumo e assim ter um giro do rolo
alimentador maior, isto faz com que ocorra a dispersão dos
pigmentos, o impresso fica com um aspecto de aglutinação e/ou
granulação nas áreas chapadas (sólidos).
As tarjas de consumo aumentam as áreas de grafismo
nas áreas brancas do impresso (sobras) por sua vez aumentando o
consumo de tinta, principalmente em cartuchos onde os cortes são
irregulares, também utilizadas em cromias, ou para remover fantasmas
de impressão. É claro que nem sempre é possível aplicar o sistema;
muitas vezes é melhor criar uma pequena área de consumo do que
perder um cliente importante para empresa.
A seguir temos algumas ilustrações das tarjas de
consumo:
A primeira figura mostra a folha impressa
originalmente, com suas respectivas aberturas e giros de tinteiro:




Gráfico 01
Numa simples visualização é possível assim
constatar que a abertura do tinteiro é muito pequena, como afirmado
anteriormente a resposta do tinteiro fica lenta, em alguns casos
passam muitas folhas impressas e o rolo alimentador não completou
uma volta.
O gráfico 01 mostra o impressor sem o
controle do processo, não consegue atingir um equilíbrio entre água
e tinta. Depois de 600 folhas impressas com um giro de 10% a carga
de tinta, começa a aumentar ele se vê obrigado a desligar o tinteiro
para baixar a carga. Em 1200 impressões a carga reduziu demais,
então ele aumenta para 20% o giro do rolo alimentador para a
resposta ser mais rápida, aí volta para 10%, assim sucessivamente,
sem controle do processo.
Na segunda figura, verifica-se a inserção das
tarjas de consumo e as mudanças no perfil de entintagem , onde
ocorre o aumento do consumo de tinta e maior estabilização do
processo:




Gráfico 02
As ilustrações nos mostram uma abertura e um giro
maior propiciando um equilíbrio entre água e tinta mais rápido para
um consumo contínuo sem interrupções por excesso de emulsionamento,
e o gráfico 02 comprova exatamente isso, uma produção contínua em
termos de giro do rolo alimentador do tinteiro.
Não há dúvidas de qual impressor irá ter problemas!
O dispêndio de tinta será insignificante se
comparado aos benefícios da aplicação do sistema, tais como: acerto
mais rápido da carga de tinta, controle das variações tonais ao
longo da impressão, um melhor equilíbrio entre água e tinta etc.
As tarjas de consumo não terão um bom resultado se
as variáveis do equipamento não forem controladas, como: solução de
molha (álcool-IPA, o balanço Ph, e condutividade), rolaria dentro
dos padrões de regulagens e especificações técnicas como: dureza,
diâmetro, faixas de contato, peso específico dos rolos entintadores,
entre outras.
Nas experiências que tive como impressor comprovei
a eficácia das tarjas de consumo, principalmente nas paradas de
máquina; em um equipamento bem regulado e com um bom equilíbrio
entre água e tinta, volta-se a produzir com qualidade e economia
rapidamente pois se obtêm um impresso adequado após 10, no máximo 15
folhas com a carga de tinta já equilibrada. Quando se perde o
controle do nível de emulsionamento, após a primeira parada de
máquina é necessário um novo acerto e muitas vezes se faz necessário
lavar a rolaria para retirar a tinta empastada e impregnada.
Fazendo uma analise estatística junto ao controle
de qualidade os objetivos da aplicação das tarjas de consumo serão
claramente observados, evitando-se que o cliente o maior interessado
pelo produto receba trabalhos não conforme. Fica então uma sugestão
de melhoria. Com criatividade é possível a aplicação em vários tipos
de impressos, tanto em grandes como em pequenas tiragens.
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1 Lab - Espaço de cores que possui três
eixos, o da luminosidade (L) claro e escuro, o da variação entre
verde e vermelho (a) e o da variação entre amarelo e azul (b).
2 As tintas do processo offset possuem
uma aceitação com a solução de molha entre 15% a 25% no qual
denominamos emulsionamento equilibrado.
João Paulo Vargas Ferreira
– aluno - Curso Técnico - offset - Escola SENAI- "Theobaldo De
Nigris"