A aplicação das TARJAS DE CONSUMO no processo offset


 

João Ferreira
2007-
12-03

 

 

O uso das tarjas de consumo podem reduzir significativamente muitos problemas relacionados a impressão offset, principalmente no segmento de embalagens rígidas e semi-rígidas onde temos clientes cada vez mais exigentes quando se trata de qualidade de impressão, sobretudo variação tonal dos impressos.

 

Não se trata de uma novidade, mas muitas gráficas não utilizam este método talvez por falta de informação, o que acaba acarretando em devoluções indesejadas, prejuízos, e constrangimentos.

 

Mesmo com o avanço tecnológico das máquinas offset, o processo exige conhecimentos e experiências do impressor para controlar as variáveis do mesmo, sempre discutidas. Um dos requisitos básicos para uma impressão de qualidade é que esta apresente a mínima variação tonal possível desde a primeira até a última folha impressa, isto é possível quando estas variáveis estejam sob controle e não ocorram interrupções indesejadas durante a produção. Como estamos falando, de mercados nos quais as especificações técnicas são bastante rígidas, como o de embalagens para: alimentos, remédios, perfumaria, embalagens para exportação etc. Onde tais especificações encontram-se muitas vezes em parâmetros em Lab1, é um sistema aprovado pela CIE - Comission Internationale de L’Eclairage, onde pequenas variações de cor podem significar lotes inteiros rejeitados, nestes casos de"baixa tolerância a variações de cor", a solução é tentar evitar essas variações tonais.

 

As tarjas de consumo têm como objetivo resolver uma destas variáveis de impressão que é o equilíbrio entre água e tinta, no caso o excesso de emulsionamento, quando se trata de um trabalho com poucas áreas de grafismo, e portanto tendo pouco consumo de tinta, aqueles trabalhos onde o impressor se vê obrigado a desligar, e ligar o tinteiro durante a produção para manter a densidade da tinta impressa dentro dos padrões exigidos pelo cliente, onde se consomem muitas folhas do trabalho e não se definiu uma abertura nem um giro do rolo alimentador específico, as interrupções de tomadas de tinta durante o processo de impressão provocam um "emulsionamento excessivo2" pois não há um consumo de tinta, mas há um consumo de água constante, o que ocasiona:

• Aumenta a viscosidade da tinta;
• reduz o tack;
• empastamento ou ancoragem da tinta na rolaria;
• aumento do ponto de reticula;
• velaturas;
• decalques;
• secagem deficiente.

Referente ao sistema operacional eu recomendo que se trabalhe com um giro do rolo alimentador maior possível, porque a resposta será mais rápida, portanto será interessante se reservar um recurso adicional de no mínimo de 10% de giro para mais. Quanto à abertura do tinteiro quando se trabalha com ele muito fechado pode ocasionar problemas, porque nem todas as gráficas podem trabalhar com cartões de primeira linha e os cartões inferiores soltam um pó superficial que acaba subindo para o tinteiro acumulando entre a base e o cilindro alimentador, ocasionando o entupimento do mesmo porque depois de uma determinada produção uma abertura na percentagem, estes pós residuais anularam a proporcionalidade de abertura no tinteiro, logo a resposta da entintagem será alterada, nestes casos utiliza-se os 10% de giros reservados.

 

Em relação à tinta é aconselhável que se trabalhe com uma tinta o quanto mais pura possível, ou seja; não alterando suas características de fabricação com o acréscimo de aditivos como: pasta anti-tack, diluente, secante, amaciante e outros. Alguns profissionais da área costumam adicionar branco transparente nas tintas para aumentar o consumo e assim ter um giro do rolo alimentador maior, isto faz com que ocorra a dispersão dos pigmentos, o impresso fica com um aspecto de aglutinação e/ou granulação nas áreas chapadas (sólidos).

 

As tarjas de consumo aumentam as áreas de grafismo nas áreas brancas do impresso (sobras) por sua vez aumentando o consumo de tinta, principalmente em cartuchos onde os cortes são irregulares, também utilizadas em cromias, ou para remover fantasmas de impressão. É claro que nem sempre é possível aplicar o sistema; muitas vezes é melhor criar uma pequena área de consumo do que perder um cliente importante para empresa.

 

A seguir temos algumas ilustrações das tarjas de consumo:

 

A primeira figura mostra a folha impressa originalmente, com suas respectivas aberturas e giros de tinteiro:

 

 

 

 

Gráfico 01

 

Numa simples visualização é possível assim constatar que a abertura do tinteiro é muito pequena, como afirmado anteriormente a resposta do tinteiro fica lenta, em alguns casos passam muitas folhas impressas e o rolo alimentador não completou uma volta.

 

O gráfico 01 mostra o impressor sem o controle do processo, não consegue atingir um equilíbrio entre água e tinta. Depois de 600 folhas impressas com um giro de 10% a carga de tinta, começa a aumentar ele se vê obrigado a desligar o tinteiro para baixar a carga. Em 1200 impressões a carga reduziu demais, então ele aumenta para 20% o giro do rolo alimentador para a resposta ser mais rápida, aí volta para 10%, assim sucessivamente, sem controle do processo.

 

Na segunda figura, verifica-se a inserção das tarjas de consumo e as mudanças no perfil de entintagem , onde ocorre o aumento do consumo de tinta e maior estabilização do processo:

 

 

 

 

Gráfico 02

 

As ilustrações nos mostram uma abertura e um giro maior propiciando um equilíbrio entre água e tinta mais rápido para um consumo contínuo sem interrupções por excesso de emulsionamento, e o gráfico 02 comprova exatamente isso, uma produção contínua em termos de giro do rolo alimentador do tinteiro.

 

Não há dúvidas de qual impressor irá ter problemas!

 

O dispêndio de tinta será insignificante se comparado aos benefícios da aplicação do sistema, tais como: acerto mais rápido da carga de tinta, controle das variações tonais ao longo da impressão, um melhor equilíbrio entre água e tinta etc.

 

As tarjas de consumo não terão um bom resultado se as variáveis do equipamento não forem controladas, como: solução de molha (álcool-IPA, o balanço Ph, e condutividade), rolaria dentro dos padrões de regulagens e especificações técnicas como: dureza, diâmetro, faixas de contato, peso específico dos rolos entintadores, entre outras.

 

Nas experiências que tive como impressor comprovei a eficácia das tarjas de consumo, principalmente nas paradas de máquina; em um equipamento bem regulado e com um bom equilíbrio entre água e tinta, volta-se a produzir com qualidade e economia rapidamente pois se obtêm um impresso adequado após 10, no máximo 15 folhas com a carga de tinta já equilibrada. Quando se perde o controle do nível de emulsionamento, após a primeira parada de máquina é necessário um novo acerto e muitas vezes se faz necessário lavar a rolaria para retirar a tinta empastada e impregnada.

 

Fazendo uma analise estatística junto ao controle de qualidade os objetivos da aplicação das tarjas de consumo serão claramente observados, evitando-se que o cliente o maior interessado pelo produto receba trabalhos não conforme. Fica então uma sugestão de melhoria. Com criatividade é possível a aplicação em vários tipos de impressos, tanto em grandes como em pequenas tiragens.

 

 

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1 Lab - Espaço de cores que possui três eixos, o da luminosidade (L) claro e escuro, o da variação entre verde e vermelho (a) e o da variação entre amarelo e azul (b).

 

2 As tintas do processo offset possuem uma aceitação com a solução de molha entre 15% a 25% no qual denominamos emulsionamento equilibrado.


João Paulo Vargas Ferreira – aluno - Curso Técnico - offset - Escola SENAI- "Theobaldo De Nigris"

 

 

 

 

 

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