Aumentar a eficiência nas gráficas parece
tarefa quase impossível na conjuntura socioeconómica actual. A
filosofia Lean, surge como oportunidade a não desperdiçar na
direcção do progresso. A transformação quer-se nas mentalidades e
nas práticas das organizações, convertendo o desperdício em valor.
As decisões da gestão em qualquer organização são
vitais, hoje em dia não há margem para erros. O gestor tem de
preparar a sua organização, evitar a estagnação e enfrentar os novos
desafios que surgem. Deve questionar os clientes sobre o que é que
cria realmente valor para eles, e então reorganizar os
colaboradores, a organização e as tecnologias, identificando formas
de desperdício e delinear estratégias que visam eliminar todas as
actividades que não acrescentem valor. Quando os gestores têm a
coragem de fazer isto, abrem-se imensas oportunidades de futuro.
O LEAN (termo que em português significa magro -
sem gordura) apresenta-se como uma filosofia de trabalho, que
assenta na implementação de um conjunto de metodologias,
ferramentas, processos, actividades e acções cooperativas, que
permitem reduzir os desperdícios durante a fase de projecto e
execução de um projecto, maximizando, dessa forma, o valor para o
cliente final.
A abrangência actual do processo Lean, em vários
sectores de negócios quase nos faz esquecer que foi a indústria
automóvel, com a implementação do Sistema Toyota de Produção que
iniciou este tipo de gestão. O período pós Segunda Guerra Mundial,
escasso de recursos foi propício para a alteração da tradicional
produção em massa para outra mais consciente, que produzia à medida
do cliente. Hoje em dia, num mundo cada vez mais complexo e
instável, somos confrontados com uma situação similar ao Japão no
final da década de 40. Devendo-se ir além da vontade básica de
cortar despesas e apostar efectivamente no método em que é possível
conquistar mais com os recursos disponíveis.
Muitos autores defendem que o Lean apresenta
benefícios que se podem traduzir no crescimento de negócio
superiores a 30%, aumento da produtividade de 15% a 30%, redução de
stock até mais de 80% e a satisfação do cliente pode crescer de 80%
a 90%.
É óbvio que para alcançar estes valores há que
colocar em práticas alguns princípios básicos associados ao Lean. A
aplicação desta estratégia requer atenção centrada em algumas áreas
chave, tais como planeamento estratégico, colaboradores e liderança.
As necessidades socioeconómicas de cada
organização influenciam a definição de um objectivo, este não
necessita de abranger uma transformação global, como o fez a Toyota,
mas acima de tudo exige uma mudança na forma de pensar dos gestores,
que devem elaborar uma estratégia de crescimento a longo prazo e
evitar cair na formula fácil do lucro a curto prazo. O desafio
seguinte é envolver todos os colaboradores e fazê-los acreditar na
mudança. É fundamental uma liderança forte e activa que motive e
envolva activamente todos desde a definição do projecto até à sua
avaliação final, maximizando assim o potencial cognitivo dos
colaboradores. Para atingir os objectivos pretendidos, estes
querem-se claros, perceptíveis e quantificados para que cada
colaborador no processo possa de forma rápida dar um feedback e
sinta o seu reconhecimento. A introdução de sistemas e hábitos
alterados ou reconstruídos, através da implementação de novos
princípios e ferramentas Lean, pressupõe uma formação que deverá ser
absorvida por todos tornando-a em movimentos conscientes e
quotidianos. O desafio não acaba aqui, é essencial na filosofia Lean
a continuidade e sustentabilidade.
Cada empresa é única, cada gráfica com o seu
conjunto de factores particulares pode abraçar o desafio e criar uma
cultura que gere vantagens competitivas, assim como outras empresas
em Portugal que já iniciaram a mudança, eis alguns exemplos:
Lactogal na industria alimentar; Libbey na indústria vidreira;
Phillip Morris na industria tabaqueira e a CME na construção e
serviços. O abrandamento da economia está a deixar as empresas em
dificuldades, o Lean Thinking surge como uma oportunidade a não
desperdiçar para em tempos de crise optimizar recursos de forma a
produzir mais e melhor.
COMENTÁRIOS AO ARTIGO EM:
http://www.portaldasartesgraficas.com/forum/viewtopic.php?f=40&t=2648
Artigo técnico elaborado
no âmbito do Mestrado em Tecnologias Gráficas (ISEC), para a
disciplina de «Gestão da Produção Gráfica, Operações e Tecnologias»
- Novembro 2008
Por: Carla Machado,
Carla Salgueiro e
Tânia Marquês