MENOS DESPERDÍCIO MAIS VALOR

 

Por: Carla Machado, Carla Salgueiro e Tânia Marquês

Mestrandos em Tecnologias Gráficas (ISEC)

30-11-2008

 

Aumentar a eficiência nas gráficas parece tarefa quase impossível na conjuntura socioeconómica actual. A filosofia Lean, surge como oportunidade a não desperdiçar na direcção do progresso. A transformação quer-se nas mentalidades e nas práticas das organizações, convertendo o desperdício em valor.

 

As decisões da gestão em qualquer organização são vitais, hoje em dia não há margem para erros. O gestor tem de preparar a sua organização, evitar a estagnação e enfrentar os novos desafios que surgem. Deve questionar os clientes sobre o que é que cria realmente valor para eles, e então reorganizar os colaboradores, a organização e as tecnologias, identificando formas de desperdício e delinear estratégias que visam eliminar todas as actividades que não acrescentem valor. Quando os gestores têm a coragem de fazer isto, abrem-se imensas oportunidades de futuro.

 

O LEAN (termo que em português significa magro - sem gordura) apresenta-se como uma filosofia de trabalho, que assenta na implementação de um conjunto de metodologias, ferramentas, processos, actividades e acções cooperativas, que permitem reduzir os desperdícios durante a fase de projecto e execução de um projecto, maximizando, dessa forma, o valor para o cliente final.

 

A abrangência actual do processo Lean, em vários sectores de negócios quase nos faz esquecer que foi a indústria automóvel, com a implementação do Sistema Toyota de Produção que iniciou este tipo de gestão. O período pós Segunda Guerra Mundial, escasso de recursos foi propício para a alteração da tradicional produção em massa para outra mais consciente, que produzia à medida do cliente. Hoje em dia, num mundo cada vez mais complexo e instável, somos confrontados com uma situação similar ao Japão no final da década de 40. Devendo-se ir além da vontade básica de cortar despesas e apostar efectivamente no método em que é possível conquistar mais com os recursos disponíveis.

 

Muitos autores defendem que o Lean apresenta benefícios que se podem traduzir no crescimento de negócio superiores a 30%, aumento da produtividade de 15% a 30%, redução de stock até mais de 80% e a satisfação do cliente pode crescer de 80% a 90%.

 

É óbvio que para alcançar estes valores há que colocar em práticas alguns princípios básicos associados ao Lean. A aplicação desta estratégia requer atenção centrada em algumas áreas chave, tais como planeamento estratégico, colaboradores e liderança.

 

As necessidades socioeconómicas de cada organização influenciam a definição de um objectivo, este não necessita de abranger uma transformação global, como o fez a Toyota, mas acima de tudo exige uma mudança na forma de pensar dos gestores, que devem elaborar uma estratégia de crescimento a longo prazo e evitar cair na formula fácil do lucro a curto prazo. O desafio seguinte é envolver todos os colaboradores e fazê-los acreditar na mudança. É fundamental uma liderança forte e activa que motive e envolva activamente todos desde a definição do projecto até à sua avaliação final, maximizando assim o potencial cognitivo dos colaboradores. Para atingir os objectivos pretendidos, estes querem-se claros, perceptíveis e quantificados para que cada colaborador no processo possa de forma rápida dar um feedback e sinta o seu reconhecimento. A introdução de sistemas e hábitos alterados ou reconstruídos, através da implementação de novos princípios e ferramentas Lean, pressupõe uma formação que deverá ser absorvida por todos tornando-a em movimentos conscientes e quotidianos. O desafio não acaba aqui, é essencial na filosofia Lean a continuidade e sustentabilidade.

 

Cada empresa é única, cada gráfica com o seu conjunto de factores particulares pode abraçar o desafio e criar uma cultura que gere vantagens competitivas, assim como outras empresas em Portugal que já iniciaram a mudança, eis alguns exemplos: Lactogal na industria alimentar; Libbey na indústria vidreira; Phillip Morris na industria tabaqueira e a CME na construção e serviços. O abrandamento da economia está a deixar as empresas em dificuldades, o Lean Thinking surge como uma oportunidade a não desperdiçar para em tempos de crise optimizar recursos de forma a produzir mais e melhor.

 

 

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Artigo técnico elaborado no âmbito do Mestrado em Tecnologias Gráficas (ISEC), para a disciplina de «Gestão da Produção Gráfica, Operações e Tecnologias» - Novembro 2008
Por: Carla Machado, Carla Salgueiro e Tânia Marquês


 

 

 

 

 

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