Hoje, diferentemente de algum tempo atrás quando
dispúnhamos apenas de gasolina, querosene, thinner, restaurador de
blanquetas e outros compostos químicos agressivos ás blanquetas,
rolarias, impressoras e operadores, temos, além desses produtos que
continuam no mercado, uma gama de solventes que prometem satisfazer
todas as exigências encontradas dentro de oficina gráfica.
Basicamente as funções de um solvente é
primeiramente remover a tinta da rolaria deixando a mesma apta para
receber uma outra cor, remover a tinta da blanqueta e suas impurezas
para continuar ou encerrar uma impressão, remover tintas das chapas
e limpar os equipamentos de impressão e outros equipamentos em
geral.
A princípio os solventes que tínhamos para usar no
passado realizam essas funções, não?
A gasolina, o querosene, o restaurador de
blanquetas, thinner, não são usados até hoje por muitas empresas
para tais funções?
Esses produtos não limpam com uma grande rapidez?
Então porque substituí-los?
E substituí-los por quais produtos, se muitos
desses solventes que hoje se tem no mercado possuem os mesmos
ingredientes e porcentagens dos antigos?
Vamos lá. A gasolina que foi e ainda é usada
em muitas gráficas para limpeza e manutenção provoca danos ás
máquinas, partes metálicas e sua pintura, destrói a camada
superficial das blanquetas, ressecando-as, impedindo de realizarem
uma boa recepção e transferência da tinta, comprometendo a
impressão, que cada vez exige maior qualidade e definição e por fim
a vida útil desse insumo.
Nas rolarias removem as tintas, que possuem também
derivados de petróleo, com grande velocidade, mas não conseguem
remover outras partículas que provocam a vitrificação e
conseqüentemente a cristalização, além de provocar a deterioração
rápida da borracha da rolaria, seja ela original ou não, devido sua
química que é grande em BTX (Benzeno, Tolueno, Xileno).
Nas chapas remove a camada fotossensível se houver
contato, muitas vezes apenas o vapor que sobe das blanquetas é capaz
de oxidar uma matriz e prejudicar suas retículas. As vestimentas dos
operadores se rasgam com facilidade sem contar o grande odor que
provoca.
O querosene, esse ainda é bastante
utilizado, possui algumas fórmulas desodorizadas, é considerado um
produto menos agressivo, pois contêm hidrocarbonetos alifáticos, não
tendo a característica de se emulsionar com água, secando assim na
rolaria. É também muito utilizado para limpeza de equipamentos
porque possui uma característica anticorrosiva e antioxidante.
Também está sendo questionado por órgãos ambientais e de saúde
industrial.
O
restaurador de blanquetas que é um produto que possui uma
volatilidade muito grande, sendo puro BTX. Infelizmente ainda
encontramos esse tipo de produto nas oficinas gráficas, prejudicando
as blanquetas, rolarias de tinta e molha, equipamentos e
principalmente a saúde dos operadores, que muitas vezes não abrem
mão desse produto pela sua velocidade de limpeza. Esse produto
provoca mais danos do que benefícios, pois sua função de restaurar
blanquetas é ilusória. Uma blanqueta depois de amassada não se
restaura, esse produto apenas provoca um inchamento temporário na
região onde for colocado, porém quando o mesmo evapora, e é rápido
que isso acontece, a blanqueta volta a ficar amassada. As empresas
que vendem esse tipo de produto adoram, pois o operador assim que
“restaura” um pedacinho da blanqueta passa logo em toda a peça e diz
– “Olha como ela ficou bonita” – muitas vezes ele nem sabe que
acabara de começar a condenar a blanqueta e assim vai, vem trazendo
prejuízo para si próprio e para a empresa.
O restaurador de blanquetas é um dos produtos
utilizados para a fabricação da camada de borracha da blanqueta,
faça um teste deixe um chumaço de algodão embebido de restaurador
sobre uma blanqueta durante uns 10 minutos, verá que a camada
superficial se soltará da entretela, agora imagine o que fará com as
mãos do operador ou sua pele.
“Há muito tempo eu mesmo estava limpando o sistema
de transporte de uma SM 74 – Heidelberg e acidentalmente me sentei
sobre um pano embebido de restaurador, o produto passou pelo pano de
minha roupa e chegou a minha pele, fiquei horas no chuveiro da
empresa, ficou muito inchado o local de contato e o ardor era
imenso. Isso foi o fim da utilização desse produto por mim”.
Com o thinner ou outros químicos de alta
volatilidade acontece o mesmo, são comprados para um fim e acabam
sendo utilizados para outros que trazem grandes prejuízos para
qualquer empresa que faça uso sem ter recebido um treinamento
especial do fabricante, técnico ou vendedor. Em muitos casos a
desinformação é muito grande.
Depois dessa rápida esplanada do que encontramos no
mercado de um passado não muito distante, veja o que hoje
encontramos.
Para um solvente ser bom tem que ser de certa forma
universal, remover as tintas das rolarias, blanquetas e chapas sem
prejudicar as áreas de grafismo e contragrafismo, provocar a mínima
deterioração das blanquetas e rolarias, conter emulgentes, conter
anti-corrosivos, não conter aromáticos (BTX), imaginou tudo isso em
um só produto.
Pois acredite, com todas essas características
temos hoje no mercado produtos que são mais baratos que um litro de
querosene, por exemplo. Tudo depende de como são passadas as
instruções de utilização. Mas temos também produtos com o mesmo
preço de um litro de querosene que no final de todas as contas saem
o dobro mais caro.
Quanto mais rápido um solvente remover a tinta da
rolaria mais agressivo ele será e conseqüentemente mais solvente
será utilizado, se esse solvente não contém emulgentes ele secará e
promoverá a vitrificação das blanquetas e rolarias, nas chapas
ficará sobre as áreas da mesma promovendo a oxidação, prejudicará a
saúde do impressor, porque se o mesmo evaporar com rapidez, pode ser
que contém um alto índice de BTX.

Faça um teste simples pegue um copo de água vazio
(polietileno – derivado do petróleo) coloque o solvente que você
está utilizando e verifique quanto tempo demora para o solvente
furar o copo, esse tempo será um dado importante para você analisar
o que poderá acontecer com sua rolaria e blanquetas, os melhores
solventes também provocam isso, porém com um tempo muito maior.
Todo bom solvente deve conter emulgentes
– aditivos que proporcionam uma rápida emulsão do produto com água –
esses aditivos são muito importantes, pois removem todo o solvente
que está sobre a camada superficial do rolo e da blanqueta e também
amenizam a calcificação, pois removem todo o carbonato de cálcio
dessas superfícies. Essa é uma característica que determina a
economia de um produto como esse, pois se você utiliza água para
removê-lo estará no mínimo utilizando a metade de um outro produto
que não contenha essa função, além de outras como calcificação, vida
útil das rolarias e blanquetas.
Os anticorrosivos devem estar
presentes, pois a todo o momento pode-se ter contato com as
superfícies metálicas dos equipamentos, podendo danificá-las. Também
muitas empresas durante a manutenção passam solvente em todas as
partes da máquina, mantendo assim a boa aparência do equipamento,
conservando suas características e promovendo a higiene e limpeza do
ambiente operacional.
As características citadas são de grande
importância e essa última não é menos importante que as outras.
Existem inúmeros fabricantes de solventes hoje no Brasil, uns são
biodegradáveis outros não, pois na maioria são preparados á base de
hidrocarbonetos, e há uma grande diferença entre os solventes á base
de hidrocarbonetos – a condição de serem aromáticos ou alifáticos –
os aromáticos são os que contêm BTX e são prejudiciais para o homem
e às rolarias e blanquetas, são de cadeia carbônica fechada e não
são permitidos nos produtos de limpeza, os alifáticos são de cadeia
carbônica aberta, não sendo prejudiciais ao homem ou ás rolarias e
blanquetas e permitidos nos produtos de limpeza.
A condição de serem aromáticos ou alifáticos não
interfere em seu poder de limpeza, tendo os dois um bom poder de
limpeza, são as outras características que fazem a grande diferença.
Essa diferença será notada principalmente na quantidade de
impressões que uma rolaria reproduzirá e na qualidade do impresso.
Os solventes com hidrocarbonetos aromáticos possuem
as mesmas características dos produtos como a gasolina, thinner e
outros citados provocando o inchamento ou a dilatação da borracha
dos rolos e com maior freqüência o encolhimento, diminuição do
diâmetro e o aumento da dureza, gerando assim maior força para o
contato entre as superfícies, aumentando as vibrações, diminuindo o
tempo entre as regulagens, aumentando o consumo de energia elétrica,
água, solução de fonte, álcool isopropílico, prejudicando o
balanceamento entre tinta e solução de molha e conseqüentemente o
impresso final.
Com esses pontos que afirmo: muitos solventes
baratos que encontramos no mercado se tornam muito mais caros que o
mais caro dos solventes.
Denílson Santos
é Consultor Técnico.
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