Solventes


 

Denílson Santos
Consultor Técnico
Celular: (14) 9748-2840
djpress@itelefonica.com.br
2007-09-01

 

Hoje, diferentemente de algum tempo atrás quando dispúnhamos apenas de gasolina, querosene, thinner, restaurador de blanquetas e outros compostos químicos agressivos ás blanquetas, rolarias, impressoras e operadores, temos, além desses produtos que continuam no mercado, uma gama de solventes que prometem satisfazer todas as exigências encontradas dentro de oficina gráfica.

 

Basicamente as funções de um solvente é primeiramente remover a tinta da rolaria deixando a mesma apta para receber uma outra cor, remover a tinta da blanqueta e suas impurezas para continuar ou encerrar uma impressão, remover tintas das chapas e limpar os equipamentos de impressão e outros equipamentos em geral.

 

A princípio os solventes que tínhamos para usar no passado realizam essas funções, não?

 

A gasolina, o querosene, o restaurador de blanquetas, thinner, não são usados até hoje por muitas empresas para tais funções?

Esses produtos não limpam com uma grande rapidez?

Então porque substituí-los?

E substituí-los por quais produtos, se muitos desses solventes que hoje se tem no mercado possuem os mesmos ingredientes e porcentagens dos antigos?

 

Vamos lá. A gasolina que foi e ainda é usada em muitas gráficas para limpeza e manutenção provoca danos ás máquinas, partes metálicas e sua pintura, destrói a camada superficial das blanquetas, ressecando-as, impedindo de realizarem uma boa recepção e transferência da tinta, comprometendo a impressão, que cada vez exige maior qualidade e definição e por fim a vida útil desse insumo.

 

Nas rolarias removem as tintas, que possuem também derivados de petróleo, com grande velocidade, mas não conseguem remover outras partículas que provocam a vitrificação e conseqüentemente a cristalização, além de provocar a deterioração rápida da borracha da rolaria, seja ela original ou não, devido sua química que é grande em BTX (Benzeno, Tolueno, Xileno).

 

Nas chapas remove a camada fotossensível se houver contato, muitas vezes apenas o vapor que sobe das blanquetas é capaz de oxidar uma matriz e prejudicar suas retículas. As vestimentas dos operadores se rasgam com facilidade sem contar o grande odor que provoca.

 

O querosene, esse ainda é bastante utilizado, possui algumas fórmulas desodorizadas, é considerado um produto menos agressivo, pois contêm hidrocarbonetos alifáticos, não tendo a característica de se emulsionar com água, secando assim na rolaria. É também muito utilizado para limpeza de equipamentos porque possui uma característica anticorrosiva e antioxidante. Também está sendo questionado por órgãos ambientais e de saúde industrial.

 

O restaurador de blanquetas que é um produto que possui uma volatilidade muito grande, sendo puro BTX. Infelizmente ainda encontramos esse tipo de produto nas oficinas gráficas, prejudicando as blanquetas, rolarias de tinta e molha, equipamentos e principalmente a saúde dos operadores, que muitas vezes não abrem mão desse produto pela sua velocidade de limpeza. Esse produto provoca mais danos do que benefícios, pois sua função de restaurar blanquetas é ilusória. Uma blanqueta depois de amassada não se restaura, esse produto apenas provoca um inchamento temporário na região onde for colocado, porém quando o mesmo evapora, e é rápido que isso acontece, a blanqueta volta a ficar amassada. As empresas que vendem esse tipo de produto adoram, pois o operador assim que “restaura” um pedacinho da blanqueta passa logo em toda a peça e diz – “Olha como ela ficou bonita” – muitas vezes ele nem sabe que acabara de começar a condenar a blanqueta e assim vai, vem trazendo prejuízo para si próprio e para a empresa.

 

O restaurador de blanquetas é um dos produtos utilizados para a fabricação da camada de borracha da blanqueta, faça um teste deixe um chumaço de algodão embebido de restaurador sobre uma blanqueta durante uns 10 minutos, verá que a camada superficial se soltará da entretela, agora imagine o que fará com as mãos do operador ou sua pele.

 

“Há muito tempo eu mesmo estava limpando o sistema de transporte de uma SM 74 – Heidelberg e acidentalmente me sentei sobre um pano embebido de restaurador, o produto passou pelo pano de minha roupa e chegou a minha pele, fiquei horas no chuveiro da empresa, ficou muito inchado o local de contato e o ardor era imenso. Isso foi o fim da utilização desse produto por mim”.

 

Com o thinner ou outros químicos de alta volatilidade acontece o mesmo, são comprados para um fim e acabam sendo utilizados para outros que trazem grandes prejuízos para qualquer empresa que faça uso sem ter recebido um treinamento especial do fabricante, técnico ou vendedor. Em muitos casos a desinformação é muito grande.

 

Depois dessa rápida esplanada do que encontramos no mercado de um passado não muito distante, veja o que hoje encontramos.

 

Para um solvente ser bom tem que ser de certa forma universal, remover as tintas das rolarias, blanquetas e chapas sem prejudicar as áreas de grafismo e contragrafismo, provocar a mínima deterioração das blanquetas e rolarias, conter emulgentes, conter anti-corrosivos, não conter aromáticos (BTX), imaginou tudo isso em um só produto.

 

Pois acredite, com todas essas características temos hoje no mercado produtos que são mais baratos que um litro de querosene, por exemplo. Tudo depende de como são passadas as instruções de utilização. Mas temos também produtos com o mesmo preço de um litro de querosene que no final de todas as contas saem o dobro mais caro.

 

Quanto mais rápido um solvente remover a tinta da rolaria mais agressivo ele será e conseqüentemente mais solvente será utilizado, se esse solvente não contém emulgentes ele secará e promoverá a vitrificação das blanquetas e rolarias, nas chapas ficará sobre as áreas da mesma promovendo a oxidação, prejudicará a saúde do impressor, porque se o mesmo evaporar com rapidez, pode ser que contém um alto índice de BTX.

 

 

Faça um teste simples pegue um copo de água vazio (polietileno – derivado do petróleo) coloque o solvente que você está utilizando e verifique quanto tempo demora para o solvente furar o copo, esse tempo será um dado importante para você analisar o que poderá acontecer com sua rolaria e blanquetas, os melhores solventes também provocam isso, porém com um tempo muito maior.

 

Todo bom solvente deve conter emulgentes – aditivos que proporcionam uma rápida emulsão do produto com água – esses aditivos são muito importantes, pois removem todo o solvente que está sobre a camada superficial do rolo e da blanqueta e também amenizam a calcificação, pois removem todo o carbonato de cálcio dessas superfícies. Essa é uma característica que determina a economia de um produto como esse, pois se você utiliza água para removê-lo estará no mínimo utilizando a metade de um outro produto que não contenha essa função, além de outras como calcificação, vida útil das rolarias e blanquetas.

 

Os anticorrosivos devem estar presentes, pois a todo o momento pode-se ter contato com as superfícies metálicas dos equipamentos, podendo danificá-las. Também muitas empresas durante a manutenção passam solvente em todas as partes da máquina, mantendo assim a boa aparência do equipamento, conservando suas características e promovendo a higiene e limpeza do ambiente operacional.

 

As características citadas são de grande importância e essa última não é menos importante que as outras. Existem inúmeros fabricantes de solventes hoje no Brasil, uns são biodegradáveis outros não, pois na maioria são preparados á base de hidrocarbonetos, e há uma grande diferença entre os solventes á base de hidrocarbonetos – a condição de serem aromáticos ou alifáticos – os aromáticos são os que contêm BTX e são prejudiciais para o homem e às rolarias e blanquetas, são de cadeia carbônica fechada e não são permitidos nos produtos de limpeza, os alifáticos são de cadeia carbônica aberta, não sendo prejudiciais ao homem ou ás rolarias e blanquetas e permitidos nos produtos de limpeza.

 

A condição de serem aromáticos ou alifáticos não interfere em seu poder de limpeza, tendo os dois um bom poder de limpeza, são as outras características que fazem a grande diferença. Essa diferença será notada principalmente na quantidade de impressões que uma rolaria reproduzirá e na qualidade do impresso.

 

Os solventes com hidrocarbonetos aromáticos possuem as mesmas características dos produtos como a gasolina, thinner e outros citados provocando o inchamento ou a dilatação da borracha dos rolos e com maior freqüência o encolhimento, diminuição do diâmetro e o aumento da dureza, gerando assim maior força para o contato entre as superfícies, aumentando as vibrações, diminuindo o tempo entre as regulagens, aumentando o consumo de energia elétrica, água, solução de fonte, álcool isopropílico, prejudicando o balanceamento entre tinta e solução de molha e conseqüentemente o impresso final.

 

Com esses pontos que afirmo: muitos solventes baratos que encontramos no mercado se tornam muito mais caros que o mais caro dos solventes.

 


Denílson Santos é Consultor Técnico. Celular: (14) 9748-2840
djpress@itelefonica.com.br

 

 

 

 

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