As novas tecnologias e mais concretamente a
informática, ultrapassaram o âmbito inicial, estritamente científico
e técnico, entrando nos mais variados campos da sociedade moderna.
Concretamente no campo do "tratamento" da
fotografia por computador (fotografia digital) a evolução é
espantosa.
Designam-se imagens numéricas ou informáticas as
produzidas por qualquer tipo de cálculo realizado num computador.
Portanto, as chamadas imagens digitais não entram nesta
classificação, visto serem representações de dados ou magnitudes
físicas, através de caracteres ou cifras (dígitos), o que significa
que uma fotografia tem a possibilidade de ser ou não digital, mas em
qualquer dos casos será uma imagem óptica.
Por razões técnicas, os circuitos electrónicos dos
computadores, só são capazes, na sua maioria de reconhecer sinais
eléctricos do tipo digital. Os métodos de codificação interna são de
origem binária. O sistema binário baseia-se na representação de
quantidades utilizando os dígitos 1 e 0. Só pode representar-se a
presença de tensão num qualquer ponto do circuito pelo número 1 e
com um 0 a ausência de tensão, ou seja, há informação no ponto 1
(negro) e não há informação no ponto 0 (branco). Cada dígito de um
número representado neste sistema denomina-se BIT (contracção de
"binary digit"). O BIT representa a unidade mínima de informação.
Utilizam-se nomes diferentes para designar os múltiplos do BIT: -
oito BITs designam-se 1 BYTE. Ao conjunto de 1024 BYTEs chama-se
KILOBYTE ou mais simplesmente K. Ao conjunto de 1024 KILOBYTEs
chama-se MEGABYTE (MB). O GIGABYTE é o conjunto de 1024 MEGABYTEs.
A diferença das imagens analógicas, como as da
fotografia e vídeo, para as imagens digitais é bem definida por Guy
Nouri: "entre analógico e digital existe a mesma diferença que entre
os movimentos de uma fita de plástico agitada pelo vento e as
infinitas possibilidades que oferece a mesma superfície de grãos de
areia, onde cada grão de areia é independente e a variedade da
imagem é ilimitada".
Um sinal analógico é uma magnitude física contínua
e proporcional ou análoga à do fenómeno a representar. No caso da
fotografia, a mais luz corresponde uma maior exposição e um maior
escurecimento dos sais de prata. O sinal digital é descontínuo e
quando um sinal analógico é convertido em digital, cada ponto da
curva que representa a onda analógica é convertido num caracter
binário.
O processo de transformar um sinal analógico em
digital, chama-se digitalização. A digitalização é feita através de
um aparelho próprio para o efeito, chamado "scanner", que transfere
as imagens em papel ou transparentes (diapositivos, acetatos) para o
disco do computador. O "scanner" é um instrumento fundamental para
trabalhar imagens em computador e está cada vez mais vulgarizado,
com preços mais acessíveis e com mais qualidade técnica.
Este processo permite, uma vez digitalizada uma
imagem, operar sobre cada um dos caracteres que a formam e realizar
todas as operações e tratamentos digitais de forma a alterar,
melhorar ou compor a imagem inicial (é possível fazer directamente,
apenas com uma operação de teclado ou rato de computador
solarizações e outros efeitos fotográficos, negativar imagens
positivas, aplicar redes e tramas, alterações de cor, tonalidades e
contrastes, aplicar um número infindável de filtros que produzem os
mais variados efeitos desde distorções a inúmeros efeitos
artísticos, etc.).
As imagens informáticas podem dividir-se nos
seguintes campos:
Imagens
tratadas - aquelas em que o computador modifica a informação ou
o conjunto de dados que constituem uma imagem prévia.
Imagens sintéticas - São imagens ou objectos, que se apresentam
com realismo fotográfico em termos de luz, textura e cor, mas que na
realidade não existem. Todos os elementos que as constituem são
integralmente construídos e calculados por um computador a partir de
elementos teóricos. Como exemplo, temos as imagens de filmes como o
"Exterminador" II e III, "Jurassic Park", etc.
Imagens matemáticas - São um caso à parte das descritas
anteriormente. Existe uma grande variedade entre elas. As mais
conhecidas e divulgadas são as chamadas "imagens fractais" ou
simplesmente fractais.
Imagens virtuais - Como o seu nome indica, não existem
fisicamente, embora recentemente se ouça falar frequentemente delas
associadas às recentes tecnologias de realidade virtual. São aquelas
em que o olho humano é "enganado", recebendo a sensação de imagens
reais e tridimensionais. O procedimento para gerar este tipo de
imagens é muito complexo, pois tratam-se de sofisticadas técnicas de
imagem estereoscópica, em que cada olho recebe e descodifica imagens
idênticas mas ligeiramente desfasadas entre si. Destas formas de
imagens informáticas brevemente descritas, as que nos interessam,
pela sua relação mais directa com a fotografia são as imagens
tratadas.
As imagens
tratadas, impressas ou gravadas, são aquelas em que os dados se
podem imprimir sobre um suporte, papel ou transparência.
Qualquer computador recente
está apto para trabalhar imagens, desde que o "hardware" (parte
material do computador composta pelos elementos físicos do sistema,
como circuitos, periféricos, etc., que permitem o tratamento de
dados) seja adequado e tenha memória RAM e memória ROM suficientes.
A memória RAM (de "Random Acess Memory") é a memória de trabalho e
principal de um computador. É a parte da memória disponível para
aplicações e documentos, cuja leitura é efectuada a partir de um
disco. O conteúdo da RAM desaparece quando se
desliga o computador (é uma memória apenas activa durante o
trabalho).
A memória ROM
("Read Only Memory") constitui a parte principal que não perde o seu
conteúdo quando se desliga o sistema e onde constam os programas
essenciais, os documentos criados e o suporte lógico do sistema. É
na prática o espaço físico de armazenagem de um computador. Mede-se
em Megabytes ou Gigabytes.
A
memória RAM ideal para o processamento de imagens, é, no mínimo 256
MB (variável conforme os sistemas e o software), mas o ideal será
ter pelo menos 1 GB de RAM. Quanto à memória ROM, quanto mais espaço
de armazenamento estiver disponível, melhor, pois as imagens em
disco ocupam normalmente muito "espaço". Este espaço físico ocupado
é variável conforme a qualidade de digitalização da imagem (em
pixels).
De qualquer modo,
actualmente, para tratamento e armazenamento de imagens convém
trabalhar com um computador com disco (interno e/ou externo) com um
mínimo de 20 Gigabyte de ROM, sendo o padrão médio dos discos
actuais, de 80 a 120 Gigabytes. Para trabalhos profissionais
recomenda-se um mínimo de 160GB de ROM.
Em termos de "Software" (entendendo "Software" como a parte
imaterial de um computador, composta pelos programas, procedimentos
e regras relativos ao tratamento da informação), o programa
comummente mais divulgado em computadores pessoais e com mais
potencialidades para tratamento de imagem é o Photoshop da Adobe
Systems, Este programa, que normalmente vem associado à
digitalização de imagem, permite trabalhar as imagens, quer a preto
e branco quer a cores (em canais separados de cor), e obter
resultados semelhantes e até superiores aos que se obtinham por
processos estritamente fotográficos. Além
disso permite explorar e desenvolver outras formas de trabalho
inimagináveis para quem nunca o experimentou, através dos filtros,
layers, canais, etc. (e também através de um bom domínio da mão e de
critérios estéticos.
Ainda na
área exclusiva de tratamento de imagem, existem outros programas
como o Livepicture da Metatools, o Quark-X-Posure da Quark, Adobe
PhotoDeluxe, Colorstudio da Letraset, PhotoStyler, etc.
O Painter da Fractal Design, o Dabbler da Letraset, o Morph para
transformação e metamorfose de imagens são também bons programas
para tratamento de imagem, pelas possibilidades que oferecem, embora
sejam basicamente programas de desenho.
Em termos de software de ilustração os três programas mais usados
são o Freehand da Macromedia, o Illustrator da Adobe e o Adobe
In-design. Existem ainda programas vocacionados para apresentações
multimédia como o Aldus Persuation, Claris Impact, Microsoft
Powerpoint, Adobe Premiére, Macromedia Director, entre outros.
Artigo de António Carvalhal