Novas posturas diante da vida e muita disposição
para enfrentar dificuldades de toda a ordem, fazem parte da
iniciação na vida empresarial, principalmente na indústria gráfica.

Tornar-se empresário gráfico exige um “batismo de
fogo” pelo qual, poucos conseguem passar com sucesso. Muitas vezes
esse processo leva a um amadurecimento forçado, independente da
idade ou da experiência profissional da pessoa que quer ter o
negócio próprio. Ainda mais em países como Portugal, Espanha e
outros, repletos de regulamentações e decretos. A iniciação na vida
empresarial normalmente implica em uma avaliação de valores.
Pessoas que se habituaram a ver o mundo a sua volta
sob a perspectiva de funcionários e operadores de máquina, sem maior
envolvimento com os negócios da empresa como um todo, acabam
percebendo que ser empresário é muito mais difícil do que parece à
primeira vista. Há os que detectam logo cedo que, para montar uma
gráfica ou bureau de pré-impressão, precisam antes se preparar
adequadamente, tanto técnica, administrativa e psicologicamente, sob
o risco de ver seu projeto fracassar levando a empresa ao buraco.
Mas a regra geral é que as pessoas “acham” que
existe muita mistificação sobre a atividade empresarial. O “achismo”
e a imaginação de que, ser dono de gráfica significa enriquecer
rapidamente e poder mandar em tudo e em todos, é uma das primeiras
crenças a cair por terra rapidinho.
Depois de pesquisar como iniciar uma empresa na
indústria gráfica, junto a órgãos como a APIGRAF, os Sindicatos
Gráficos, o ISEC, IPT, ESTT, IPP e muitos outros estabelecimentos de
ensino, o funcionário de uma empresa gráfica, resolveu que ainda não
era o momento adequado de virar empresário. Com experiência
profissional muito baixa, na área da administração, percebeu que
deveria trabalhar um pouco mais como empregado antes de se lançar
num vôo próprio.
Na medida em que foi pesquisando, António (vamos
chamá-lo assim) também mudou sua visão da actividade empresarial.
Disse Antonio: “Percebi que ter uma empresa, não quer dizer que você
vai poder fazer tudo o que imagina. Nesse processo, os sonhos vão
caindo e aparece a dura realidade”, diz. “Ser empresário pressupõe a
capacidade de gerenciar e lidar com as pessoas. Se você não entra
nessa história com uma visão realista, acaba fracassando”.
Se para António o sonho pôde ser adiado, para João
Almeida, viabilizar a própria empresa foi a única saída para
contornar as limitações impostas pelo mercado de trabalho a pessoas
de mais idade. Técnico Gráfico formado no Senai e com curso de
Administração de Empresas, João Almeida trabalhou por quase trinta
anos em áreas técnicas e administrativas de muitas gráficas.
Apesar de toda essa vivência profissional, a
primeira tentativa de João Almeida de virar empresário, fracassou.
No entanto, ele resolveu tentar de novo, com uma firma voltada ao
desenvolvimento de presentes feitos no ramo da impressão em
serigrafia, passando depois para a Tampografia, iniciando agora
depois de alguns anos a introdução da impressão digital.
“Os microempresários não têm nenhum incentivo. O
banco só empresta para quem tem dinheiro, e o empresário se sente
até constrangido na frente do gerente”, admite. “Mas a maior
dificuldade é mesmo a burocracia. Mesmo tendo vivência em empresas
de pequeno e médio porte, foi difícil cumprir todas as exigências
burocráticas e legais”.
João também sentiu na própria pele os efeitos que
todos conhecemos, de um mercado altamente fechado. “Dependo do
monopólio para comprar materiais. Como a minha empresa é nova, tenho
que comprar tudo à vista. E, como compro pequenas quantidades, fico
na mão dos atravessadores, que cobram muito mais caro pela
matéria-prima”, indigna-se.
A vontade de João Almeida de crescer e viabilizar
sua empresa ainda esbarra no pesado fardo dos encargos sociais.
“Tenho muito trabalho e poderia estar repassando isso para outras
pessoas, mas não posso pagar todos os encargos incidentes sobre o
salário de mais empregados”.
“Como empregado, a minha única preocupação na
época, era executar um trabalho da melhor forma possível, sem me
preocupar com os outros problemas da empresa. E hoje tenho que
atentar para todos os outros aspectos do negócio, como a procura de
clientes e a administração do capital, que é pequeno. Mas mesmo
assim me sinto muito bem pela opção que fiz”. “E o faria novamente”.
Esta é uma pequena história verídica de como reagem
os “sonhadores” em ter a sua própria gráfica ou bureau de
pré-impressão.Certamente aqui narrei, a história de muitos colegas
gráficos que em determinado período de sua vida, assim começaram e,
por causa de sua tenacidade, são hoje grandes empresários gráficos.
Thomaz Caspary é consultor
de empresas e diretor da Printconsult Ltda. (11) 3167-6939.
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